A Redação
Goiânia – O grupo goiano Teatro que Roda apresenta realiza, a partir desta semana, dez apresentações do espetáculo “Donde Estão as Estrelas”. A estreia será nesta quinta-feira (6/12), às 15h30, em plena Avenida Anhanguera, esquina com a rua sete. Completando 15 anos de estrada e listando mais de 500 apresentações por quase todas as capitais brasileiras e mais de 50 municípios, o grupo entrega à cidade o seu quinto espetáculo, resultado de um ano de pesquisa e elaboração.
Concebido sob a poética do teatro de rua e de invasão, o espetáculo será apresentado por mais nove vezes até o dia 21 de dezembro em diferentes pontos da região metropolitana. Todas são gratuitas, contando com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A peça também passará pelas praças Universitária e Joaquim Lúcio, Conjunto Itatiaia, Crimeia, Jardim Tiradores e Nova Esperança.
“Donde estão as estrelas” conta a trajetória de Ana e Maria, mulheres do cangaço que se reencontram no meio da cidade após uma emboscada sofrida pelo bando, elas são as últimas sobreviventes de seu grupo. Para se manterem vivas são obrigadas a fugir da perseguição das “forças volantes” que rodam a região, a caça da cabeça de desordeiros. Em meio a desvios, conflitos e memórias, elas passam por provações, enfrentado seus medos em uma derradeira luta por justiça e liberdade.
Este é o resultado de um trabalho coletivo que começou no final de 2016 tendo como ponto de partida estudos de argumento para a dramaturgia: leituras, documentários e iconografias sobre o movimento e fenômeno de banditismo do cangaço brasileiro.
Teatro na rua
Num segundo momento, o grupo desenvolveu estudos teóricos e práticos sobre o processo de pesquisa e criação de dramaturgia pessoal do ator/atriz alinhando a experiência de encenação do Teatro de Invasão, linguagem já utilizada pelo grupo nos dois últimos espetáculos. O espetáculo não apenas é apresentado na rua, como se aproveita do tecido urbano para criar a atmosfera necessária para sua apresentação.
“Há na cidade regras e convenções de trânsito e ocupação do espaço que são transgredidas pelos atores convidando o público ao jogo lúdico de interação com os personagens da peça. O público se torna temporariamente um espectador-ator, um cúmplice, podendo também explorar o espaço, transgredir as regras da cidade, podendo participar ativamente do jogo, inclusive intervindo nas falas com os atores”, comenta a atriz Ieda Marçal, responsável pelo argumento principal. Ela indica a necessidade de uma preparação específica para o teatro que vai para as ruas: o corpo atento, o texto bem compreendido, por exemplo.