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A espécie dos “sem noção” cresce sem parar

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18.04.2012 - 12:07:36


Darwin já nos ensinou há muito tempo: sem algum tipo de controle externo, as espécies tendem a crescer e se multiplicar sem parar. Por exemplo, matem as cobras e verão os ratos aumentarem. Simples e certo. Eles estarão mais aptos para sobreviver em um ambiente onde seus predadores naturais estão extintos. É o que acontece com a espécie dos “sem noção” atualmente. Os caras se multiplicam de forma exponencial pela simples falta de controle populacional. Com o advento do politicamente correto, os “sem noção” tomaram conta geral.

Mas antes de entrar no mérito específico, vale a pena conceituar o que viria a ser um “sem noção”. De forma direta para explicar aquilo que se sabe sentindo, posso afirmar que um exemplar dessa espécie é aquele tipo de gente que não consegue dimensionar a razoabilidade do que pede/diz/faz. Acha absolutamente normal agir de forma que incomoda/constrange meio mundo. E o que é pior: nem se toca do transtorno que pode estar causando. De maneira mais que sucinta, posso assim caracterizar um “sem noção”.

Voltando ao motivo da proliferação dos “sem noção”, acredito que o politicamente correto contribuiu (se é que não foi decisivo) para que eles brotassem por toda parte. Nos bons tempos quando fumar um cigarro era menos grave que um homicídio, os “sem noção” não tinham espaço público para se reproduzir. Bastava um vacilo qualquer que o infeliz era fuzilado em praça pública. A zoação vinha de todos os lados e o “sem noção” perdia completamente as referências. Ele tinha dimensão de que sua atitude era grave e se recolhia humildemente no seu canto. O terreno não era propício, a marcação era cerrada. Hoje isso não acontece. Qualquer um profere a bobagem que for e não é zoado com a mesma intensidade de outrora. A patrulha do politicamente correto não permite tal atitude. Até criaram um nome em inglês para isso, o bullying. Legitimaram a ação dos “sem noção” e os deixaram sem controle.

A prática dos “sem noção” está cada vez mais ampla e irrestrita. Quando você topar com um tipo de situação abaixo, responsabilize o politicamente correto:

– um cara que você não tem contato íntimo se acha no direito de pedir grana para um projeto qualquer;
– um zé mané liga no seu celular às duas da manhã de um dia de semana para conversar sobre questões sem um pingo de urgência e ainda pergunta se você estava dormindo;
– sua colega de trabalho que descreve em detalhes como foi seu último exame no proctologista;
– o cara que quer entrar no elevador antes que você saia do maldito caixote que sobe e desce;
– o infeliz que fica implorando para você lhe seguir no Twitter ou adicioná-lo no Facebook;
– seu amigo de infância que enche sua caixa de e-mails do trabalho com fotos de mulher pelada;
– sua vizinha que pergunta para a outra vizinha gordinha se ela está grávida;
– o babaca da mesa ao lado que insiste em lavar a roupa suja com a namorada para todo restaurante ouvir.

Toda vez que passar por algo assim ou outras tantas situações em que os “sem noção” lhe aporrinham, respire fundo e pense: “MALDITO POLITICAMENTE CORRETO”!
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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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