A Redação
Goiânia – A Câmara de Goianira concedeu, na noite de quinta-feira (22/11), o título de cidadania à pioneira Maria Luíza Naves. Trata-se de uma das primeiras moradoras do então povoado de São Geraldo, que estava surgindo em área da fazenda Boa Vista, município de Campinas, quando ali chegou em 1925, aos quatro anos.
Hoje com 97 anos de idade, ela passou ali sua infância e adolescência, casou-se, formou família, foi duas vezes subprefeita, e ajudou o marido, José Rodrigues Naves Júnior, na atividade política – eleito vereador à Câmara de Goiânia –, colaborando para colocar o nome de Goianira no distrito e conseguir emancipação como município.
A iniciativa da homenagem foi da vereadora Katia Tourinho, presidente da Câmara Municipal de Goianira, e constou das comemorações dos 60 anos da cidade – criada pela Lei nº 2.363, de 9 de dezembro de 1958, a sua instalação deu-se no dia 4 de janeiro de 1959 –, que registrou essa data realizando a sessão solene de entrega de títulos honoríficos de cidadania no Centro de Cultura e Convenções ‘Durval de Assis Pereira’.
A solenidade foi prestigiada pelo prefeito Carlos Alberto Andrade Oliveira e, dentre os homenageados, estavam o deputado federal reeleito João Campos, o deputado federal eleito José Mário Schreiner, e os deputados estaduais Bruno Peixoto, Eliane Pinheiro e Henrique César.
Maria Luíza Naves foi ao palco para receber o título honorífico acompanhada por cinco de seus nove filhos – José Osório, Raulindo, Maria Aparecida, Elvira Luiza e Jales, todos nascidos em Goianira. Jales, ex-presidente da Associação Goiana de Imprensa e membro vitalício de seu Conselho Deliberativo, foi indicado pelo presidente da entidade, Valterli Leite Guedes, para representar a AGI naquela cerimônia festiva.
Trajetória
Primeira mulher subprefeita do povoado de São Geraldo, função que assumiu em 1941 – cargo para o qual voltou seis anos depois, só o deixando no nono mês de gravidez do quinto dos seis filhos que nasceram naquele vilarejo –, Maria Luiza Naves, conhecida como dona Nenzinha ajudou a escrever a história de Goianira.
Criada pela avó homônima, Maria Luíza de Jesus (Vó Iza), pois a mãe morreu quando tinha dois anos, e que a levou ao se casar novamente, agora com o fazendeiro Francisco de Paula Ramos (Chico Rosa), justamente para o povoado que estava nascendo nas proximidades do córrego Boa Vista, ela passou um terço de sua vida nessa vila. Como eram poucos os moradores, ‘Vó Iza’ ela levou a primeira professora, Maria da Cruz, que morava em Trindade, para lecionar para as poucas crianças que ali residiam, dentre as quais Nenzinha, a caçulinha da turma.

Autor de livro sobre a história do povoado, o jornalista Jales Naves disse que sua bisavó era muito próxima de padre Pelágio Sauter em Trindade, onde morava e o acompanhava nas visitas de desobriga, para celebrações religiosas, como casamentos e batizados, e em função desse trabalho foi uma das pioneiras na construção de São Geraldo.
Depois, quando se transferiu para o vilarejo, acolhia o sacerdote nessas viagens em sua casa, num sítio que ficava próximo à estrada para Inhumas e a antiga Capital, Vila Boa, onde atualmente está o Centro de Cultura e Convenções. Essa proximidade com o religioso alemão permitiu à neta, no início dos anos 1930, quando tinha 12 anos de idade, participar das cantatas que promovia naquela vila, incentivando-a nessas apresentações musicais.
Maria Luíza casou-se em São Geraldo, em 1938, com José Rodrigues Naves Júnior (Zé Navinho), escrivão do Cartório do Registro Civil, e os dois muito realizaram, a partir dessa união, pelo povoado. Foi dona Nenzinha, como Subprefeita, quem colocou o nome de Goianira no então distrito da Capital, por sugestão do marido, que o justificou como “Pequena Goiânia”, tinha as seis primeiras letras do nome da Capital e ainda era uma deferência a uma das primeiras professores, Ana Martins de Lima, cuja filha de chamava Goianira. Naves Júnior, vereador atuante em Goiânia representando aquele distrito da Capital, lutou e conseguiu a emancipação do município, em 1958, com o nome de Goianira.
Posteriormente, como Primeira Dama da cidade, dona Nenzinha realizou um importante trabalho social, na assistência às famílias socialmente excluídas, em especial na área de saúde. Ao quebrar o protocolo da cerimônia, para confirmar essa ação de solidariedade, o vereador José Sebastião Caetano (Bedeco), 54 anos, do MDB, já no quarto mandato, emocionou-se ao lembrar de sua época de criança, quando seu pai, João Galego, foi contratado como jardineiro pelo então prefeito de Goianira, Naves Júnior, e dona Nenzinha o acolhia em sua casa, para lhe dar refeições.
“Era uma mãe para todos, muito querida e admirada”, disse. Foi nesta gestão de ‘Zé Navinho’, que arborizou as ruas e praças, com a participação do viveirista Herostato Ferreira de Melo, que Goianira ficou conhecida como ‘Capital das Flores”.