Kamylla Rodrigues
Goiânia – Os 600 lugares do Teatro Sesi, no setor Santa Genoveva, em Goiânia, foram ocupados durante as palestras do jornalista e apresentador William Waack e do governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado, na noite desta segunda-feira (12/11). Eles participaram do ‘Indústria Destaque 2018: Perspectivas Políticas e Econômicas para o Brasil’, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e que abordou o cenário político e econômico goiano e brasileiro para 2019.
“As empresas são importantíssimas no cenário político econômico do País, porque o empresário gera emprego. Emprego gera renda, que gera benefícios para a família. Temos que estar prontos para dar nossa efetiva contribuição. Um país não vai se corrigir apenas pelas ações dos políticos, mas sim de toda a população brasileira”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Pedro Alves de Oliveira, ao destacar a importância do evento. “Saio otimista, porque conseguimos discutir soluções para o setor produtivo”.

Presidente da Fieg, Pedro Alves de Oliveira (Foto: Letícia Coqueiro)
Antes da palestra, o jornalista, escritor e professor William Waack disse, em entrevista coletiva, que o cenário político econômico de 2019 é preocupante. “Nós estamos enfrentando uma crise fiscal que a gente nunca viu igual e que já dura uma geração. Acho que todos os setores vão sofrer”, disse. As questões centrais, como ele cita, é o endividamento público e a previdência. “Esses dois pontos vão demandar uma articulação política sábia e cautelosa e que dificilmente vai trazer resultado em curtíssimo prazo”.

Jornalista William Waack (Foto: Letícia Coqueiro)
O jornalista acredita que o presidente eleito, Jair Bolsonaro terá boas chances de mudar e melhorar questões difíceis em quatro anos. “Ele é beneficiado por uma onda de mudança política muito importante. Mas para que isso aconteça é necessário uma grande articulação, que significa muito mais do que conseguir os votos na câmara de deputados. É preciso muita vontade para fazer”, arrematou.
O palestrante goiano Ronaldo Caiado disse também que vê com preocupação a situação financeira de Goiás, mas que tem trabalhado para enfrentar o desafio de gerir o Estado. “Tenho buscado manter relações com o presidente eleito para que o governo federal possa dar um suporte a Goiás. Somos um estado pujante e com todas as condições de crescer”, disse. Sobre as escolhas do grupo do primeiro escalão, Caiado não entrou em detalhes, mas sinalizou o nome do senador Wilder Morais (DEM).

Governador eleito, Ronaldo Caiado (Foto: Letícia Coqueiro)
O empresário Sandro Mabel, eleito presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), para quadriênio 2019-2022, cujo mandato inicia-se em 1º de janeiro, falou sobre as expectativas do setor quanto a necessidade de um novo salto na industrialização. “Espero que o cenário do ano que vem seja um pouco melhor do que o atual. Acredito que o país nas mãos de um presidente liberal poderá ver sua indústria crescer. Mas independente disso, a Fieg quer apoiar o setor, fomentar a educação por meio do Sesi/Senai, capacitar a mão de obra para aumentar a competitividade e manter constante diálogo com o governador eleito. Se o Caiado criar políticas junto ao governo federal para industrializar nossas matérias primas, teremos um crescimento expressivo no nosso PIB industrial, além de gerar emprego e renda”, destacou.

Presidente eleito da Fieg, Sandro Mabel (Foto: Letícia Coqueiro)
O superintendente do Sebrae Goiás, Igor Montenegro acrescenta que é o momento de consolidar a trajetória de retomada do crescimento econômico e, para isso, é necessário fortalecer o empreendedorismo. “Esse segmento da sociedade tem a capacidade de dar respostas a questão econômica, porque é lá que é possível gerar empregos, fazer circulação de renda e riqueza, ampliar a balança de exportações e promover o crescimento da produção. O fortalecimento do empreendedorismo, principalmente das micro e pequenas empresas e os empreendedores individuais, é necessário para fazer a o motor da economia continuar funcionando”, disse.

Superintendente do Sebrae Goiás, Igor Montenegro (Foto: Letícia Coqueiro)
Homenagens
Durante o evento, a Fieg homenageou o governador eleito, Ronaldo Caiado, com a comenda Mérito Industrial, a maior homenagem da indústria goiana, concedida a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento econômico goiano. Também foram homenageados os ex-presidentes da Fieg: Antônio Ferreira Pacheco (in memorian), José Aquino Porto (in memorian) e Paulo Afonso Ferreira.
O ‘Indústria Destaque 2018’ também destacou cinco empresas que contribuíram com o desenvolvimento industrial goiano: BRF, Telemont, Brainfarma, Savoy Indústria de Cosméticos e Jalles Machado.
INDÚSTRIA DESTAQUE 2018
Brainfarma
Há 29 anos em Goiás, a Brainfarma ganhou este nome em 2002, substituindo a Neo Química. Com sede em Anápolis, a empresa é uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil, gerando 4.114 empregos diretos e cerca de 12 mil indiretos.A Brainfarma produz medicamentos líquidos, sólidos, semissólidos, aerossóis e injetáveis e atua em pesquisa e inovação para o desenvolvimento de novas tecnologias, medicamentos e produtos para a saúde inexistentes no Brasil. Empresa de capital fechado, a Brainfarma tem faturamento anual entre R$ 2 bilhões e R$ 5 bilhões.
BRF
Fundada no Estado de Santa Catarina, em 18 de agosto de 1934, a BRF é uma das maiores indústrias de alimentos do planeta. A empresa tem mais de 100 mil colaboradores diretos e aproximadamente 12 mil produtores integrados em nível global, com mais de 30 plantas no país e 50 no mundo. Em Goiás, há cerca de 20 anos, a BRF tem unidades em Rio Verde, Jataí, Buriti Alegre e Mineiros. Com mais de 30 marcas em seu portfólio global, a BRF comercializa suas carnes, embutidos, congelados e margarinas para cerca de 240 mil clientes em mais de 140 países nos cinco continentes. Em 2017, sua receita operacional líquida no Brasil foi de 34,5 bilhões de reais.
Jalles Machado
Fundada em Goianésia, em 14 de novembro de 1980 com o nome de Destilaria Goianésia Álcool, ganhou o nome de Jalles Machado em 1993, quando, além do álcool, também passou a produzir açúcar. Aos 38 anos, a empresa sucroenergética gera 3,7 mil empregos diretos e mais de 11 mil indiretos, produzindo etanol anidro, industrial, hidratado e orgânico, açúcar cristal e orgânico, além de energia elétrica, levedura, produtos de higiene e limpeza. Genuinamente goiana, a Jalles Machado exporta seus produtos para mais de 20 países.
Telemont
Fundada em Belo Horizonte, em 1975, a Telemont se tornou uma referência nacional em engenharia de telecomunicações. A empresa gera cerca de 15 mil empregos diretos e 45 mil indiretos, levando seus serviços, com excelência, a 13 estados e o Distrito Federal. Em Goiás há 18 anos, a Telemont tem base administrativa em Goiânia e conta com 1.622 colaboradores. Com 1 bilhão de reais de faturamento em 2017, a empresa proporciona soluções integradas em comunicação de voz, gestão de sistemas de energia, banda larga e dados, tecnologia da informação e transporte multimídia.