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Jovens empreendedores aquecem mercado com receitas inovadoras

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08.11.2018 - 19:54:45
Fernando Dantas
Especial para o A Redação 

Goiânia – Jovens empreendedores animados com a possibilidade de um mercado aquecido. A receita pode muito bem dar liga e é o que tem animado o setor para que novos negócios no ramo de alimentação ganhem cada vez mais espaço nas grandes cidades por todo o País. Segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), os jovens de 25 a 34 anos foram os mais ativos na criação de novos negócios no Brasil no ano passado. Os dados apurados apontam que 30,5% dos brasileiros nesta faixa etária são proprietários e administram a criação e a consolidação de empreendimentos em estágio inicial – mulheres em sua maioria.

Acrescenta-se a essa receita, o fato de que o faturamento do mercado de alimentação cresceu cerca de 85%, entre 2010 e 2016, conforme levantamento da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA). O setor movimentou, em 2016, R$ 184 bilhões, o que corresponde a 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB). 
 

Nessa lista de ingredientes para o sucesso, todo esse público empreendedor tem encontrado no setor de alimentação fora do lar a oportunidade para empreender, principalmente por ser um mercado consumidor ávido a ser atendido. De acordo com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a cadeia produtiva que envolve o segmento de alimentação é bem extensa, pois vai desde o produtor rural no plantio e fornecimento de matéria-prima, setor de logística, mão de obra especializada, passa pelos órgãos reguladores e fiscalizadores do setor até a empresa propriamente dita, que pode ser restaurantes, lanchonetes, bares, padarias e cafeterias – todo um cenário positivo para o mercado de alimentação fora do lar.
 

 
As sócias Ana Alberton, de 32 anos, Mirela Prado, 32, e Sylvia Mendes, 33, sabem disso e até poderiam fazer parte dessas estatísticas da GEM. É que em janeiro deste ano, elas inauguraram, em Goiânia (GO), o Rensga Café. Apesar de o lançamento ter sido em 2018, o negócio tomou forma mesmo anos antes disso. “Somos amigas de infância. Por diversas vezes falamos em abrir um negócio, mas de uma maneira muito informal. Apesar de todas terem suas vidas estruturadas, atuando em suas respectivas profissões, em certo momento, por conta de uma série de fatores, as conversas foram ficando mais sérias, até que decidimos atuar no ramo alimentício”, destaca.
 
O empreendimento delas é voltado para a cultura do café especial. O espaço trabalha com microlotes de cafés, principalmente do Cerrado Mineiro, e oferece diversos métodos de preparo da bebida que vão além do espresso, como french press, clever, aeropress e kono. Para complementar o cenário, o local possui um cardápio de comidas que harmonizam com os cafés e que valorizam o produtor local, a partir de itens frescos, muitos, inclusive, cultivados no jardim sensorial localizado na parte externa do café, onde é possível encontrar diversas ervas aromáticas utilizadas nos preparos gastronômicos do Rensga Café. 
 
Antes da abertura da empresa, as três tinham carreiras consolidadas, mas abandonaram tudo para se tornarem empreendedoras e se dedicarem 100% ao empreendimento. Ana é formada em jornalismo, Mirela em publicidade e Sylvia é administradora com ênfase em Turismo. Agora, as sócias cuidam de tudo na empresa, inclusive da parte operacional, que é dividida em três frentes de trabalho. A cozinha fica por conta de Ana, o bar e o café são responsabilidades de Mirela, e o atendimento com Sylvia, assim como a área administrativa. “Contamos com uma equipe de freelas que nos auxiliam em dias de maior movimento, mas no dia a dia, a gente se encarrega de todo o processo”, reforça.  
 
De acordo com Ana Alberton, ter o controle de toda a atividade permite cultivar o diferencial de um atendimento personalizado e próximo ao cliente. “É muito comum tratá-los pelo nome, já saber os gostos e preferências daqueles que são mais frequentes e trocar experiências. Tudo isso, somado a um café de qualidade, tem nos rendido boas oportunidades de crescimento atrelado ao sentimento de proximidade com o outro, que o goiano tanto cultiva. No Rensga, o objetivo é que todos se sintam em casa, com abertura para uma boa conversa e novas experiências sensoriais a partir da gastronomia”, revela. 
 
Para tirar a ideia do papel e transformar o Rensga Café em um negócio viável, foram dois anos de dedicação e planejamento. Ana diz que após a estruturação do conceito inicial e a escolha do foco de mercado, as três procuraram o Sebrae Goiás para a estruturação de plano de negócio, pesquisa de mercado, identificação de concorrência, entre outras estratégias. Apesar da paixão pelo café, a atividade era algo novo para as sócias, por isso precisaram investir em qualificação profissional antes da abertura do empreendimento. Além dos cursos básicos para pequenas empresas, uma delas participou do Empretec, também oferecido pelo Sebrae, e de consultorias individuais no mesmo órgão.  Especificamente no setor de cafeteria, as três realizaram cursos básicos e avançados de barista e também contaram com uma consultoria especializada, que as acompanhou durante todo o processo.

“Sabemos que a qualificação deve ser constante. Só ela é capaz de nos dar ferramentas de gerenciamento de negócios, otimização de gastos e maior conhecimento sobre a área de atuação. É a partir destas ferramentas que criamos subsídios para o crescimento e a manutenção de qualquer negócio a médio e longo prazo”, destaca Alberton. 
 

Nesse trajeto, também foram vários os desafios, desde a parte de exigências e normas de vigilância sanitária que precisam ser cumpridas até a procura pela inovação. “Buscar formas de atender um público tão diverso é uma delas. Hoje, contamos com um cardápio que possui metade dos itens voltados ao público ovo-lacto-vegetariano, além de opções veganas. Além disso, quando tratamos de cafés especiais estamos falando da necessidade de educação sensorial do nosso público. Apesar de o café ser uma bebida muito difundida em nosso País, as possibilidades que ele oferece, quando tratado da forma correta, são inúmeras. Para ilustrar, é muito comum as pessoas entrarem e pedirem ‘um café normal’, desses que a gente toma em casa, amargo e preto. Porém, brincamos que não servimos esse café. Faz parte do processo de inovação na área alimentícia trazer essas novas possibilidades sensoriais ao cliente, oferecendo mais do que um produto, uma experiência”, ressalta. 
 
A instrutora parceira da Escola de Negócios da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Goiânia), Leila Dutra, reforça que inovar é um diferencial competitivo no mercado e pode tirar uma empresa do padrão comum no segmento de atuação, criando novas necessidades, solucionando problemas antes nem percebido e ajudando a aumentar o número de clientes. “A cultura da inovação precisa fazer parte da atividade para que o empreendedor descubra novas oportunidades para o negócio. Algumas empresas nascem com serviços e produtos inovadores, oferecem novas experiências aos clientes e despontam no mercado. Isso é fato. Para que isso aconteça, o empreendedor precisa buscar capacitações, desenvolver a criatividade, aperfeiçoar diferentes habilidades e ter uma visão sistêmica”, enfatiza. 
 
Negócio de família

(FOTO: BISTRÔGONOFE – Crédito: Divulgação)
 
A pesquisa GEM mostrou, ainda, que, em 2017, 59,4% dos empreendedores iniciais investiram em suas atividades por oportunidade e 39,9% por necessidade. Aqueles que empreendem porque tem uma ideia espetacular de negócio, fizeram isso porque perceberam uma oportunidade no mercado. Já os que iniciaram o negócio por ausência de alternativas de ocupação e renda estão na opção de necessidade. Apesar de não serem parte das estatísticas do ano passado, pois o negócio surgiu em 2012, André Beleza, de 31 anos, e a mãe dele, Maria Cláudia Beleza, de 54 anos, são exemplos de empreendedores que perceberam uma oportunidade e investiram em um modelo diferente do que o mercado oferecia na área de alimentação. Há seis anos, os dois são sócio-proprietários do Bistrôgonofe, com sede na capital goiana. O restaurante é especializado em receitas de estrogonofe e trabalha com métricas de fast-food para oferecer uma comida de verdade, que não seja a tradicional junk-food.
 
André lembra que o início não foi nada fácil. O investimento total para a abertura do Bistrô foi de R$ 150 mil, mas eles começaram a empresa sem praticamente nenhum capital de giro e com algumas dívidas pessoais. “Obviamente, esse não é o melhor jeito de se começar um negócio. No entanto, não havia recursos para tal, nos viramos com o que podíamos. Vendi meu carro, minha mãe pegou empréstimos e assim começamos”, recorda. Ele enfatiza ainda que a falta de capital de giro e de nome no mercado fizeram com que os dois primeiros anos fossem muito duros. “A demanda estava aparecendo e estávamos conseguindo bons resultados, mas ficava cada vez mais claro que, para crescer, precisaríamos de recursos para investir em estrutura e pessoal. Esses recursos vieram por meio de novos empréstimos, adquiridos a custo de planejamento e controle financeiro para que a empresa não se enrolasse em dívidas”, conta. André acredita que talvez a estruturação física e a gestão de pessoas foram os maiores desafios para os sócios ao escolher a área de alimentação para empreender. “Mas uma vez que você tem todos os processos bem definidos e a equipe bem treinada e orientada, fica mais fácil atingir os objetivos traçados pela empresa”.
 
Após o período de ‘maturação’ do negócio, ele explica que o restaurante começou a apresentar resultados satisfatórios. “Tanto é que, desde 2012 até agora, a empresa nunca apresentou um resultado de faturamento menor do que o ano anterior. De todas as evoluções do negócio, vale destacar o amadurecimento dos sócios, que foram aprendendo a gerir melhor as pessoas, o financeiro e, principalmente, os conflitos e crises dentro da empresa. A velha máxima de que nada supera a prática, pode ser utilizada para ilustrar a evolução do Bistrôgonofe nesse período”, comenta.
 
O fato do negócio ser familiar também não pesou muito para os sócios. Para eles, serviu como uma oportunidade de crescimento profissional e pessoal. “Sabemos que sociedades não são fáceis, mas se você tiver a consciência de que pode estar aprendendo com o jeito da outra pessoa, verá uma evolução pessoal imensa. No meu caso, trabalhar com a minha mãe fez com que nossos laços se estreitassem e que um pudesse conhecer o outro ainda melhor. Nossa relação pessoal melhorou bastante com os anos. As dificuldades nos ensinaram a dar valor em pequenas coisas da vida”, pontua. 
 
Além disso, eles puderam aproveitar, na empresa, as habilidades de cada um. André, por exemplo, que é formado em Administração de Empresas, ajudou a fazer o plano de negócios e o planejamento de execução da empresa. Já Cláudia, formada em Estudos Sociais, tinha experiência prática no mercado na área de gestão de negócios familiares. Mesmo assim, os dois buscaram qualificação profissional. Ela fez o Empretec, do Sebrae. Já André ressalta que tem participado com frequência de atividades de um grupo chamado ‘Admkt’, que está localizado na Faculdade de Administração da Universidade Federal de Goiás (UFG). Esse grupo promove encontros, cursos e estudos para análises de dados, que visam resultados mais precisos de marketing e desenvolvimento de negócios. “Utilizamos as bases de dados de venda do Bistrôgonofe antes de tomar decisões de expansão e divulgação da empresa. Todas as atividades de marketing são medidas para que possam ser analisadas, otimizando assim os gastos com publicidade e desenvolvimento da marca da empresa”, afirma. 
 
Atualmente, o restaurante emprega 18 profissionais, sendo os dois sócios, nove colaboradores no atendimento e produção, além de sete entregadores. A empresa investiu também no serviço de delivery, que responde por quase 50% do faturamento. Em média, são 100 pedidos todos os dias, tanto para consumo local quanto para entrega. Agora, os planos para o futuro são de expandir os negócios. Mas André ressalta que ainda é preciso definir para onde eles vão crescer. “Temos algumas propostas de franchising e planos de expansão para rede própria, que ainda precisa ser definido e estruturado financeiramente”, destaca.
 
De acordo com o professor do eixo de gestão e negócios da CDL Goiâni,  Rilke Machado, seja no processo de expansão ou na abertura da empresa, é preciso ter bem clara a proposta de negócio. “Em minhas consultorias muitas vezes sou questionado sobre a relevância da definição da missão, visão e valores da empresa. Tudo isso deve estar em sintonia com a proposta da atividade. Hoje temos ferramentas de gestão como modelagem canvas, que ajudam nesse processo, quando bem aplicada. Entretanto, é fundamental ser bem aplicada, porque várias vezes encontro gestores utilizando ferramentas de maneira equivocada, esperando uma solução mágica”, ressalta. 
 
Rilke Machado é professor o eixo de gestão e negócios da CDL Goiânia. (FOTO: Divulgação)
 
Outra dica dele é não ir com ‘muita sede ao pote’ para crescer e obter lucros, de forma imediata. “Vivemos em um modelo social que a inquietação por resultados e respostas a curto prazo é comum, isso não sendo diferente para o empreendedor. É importante frisar três palavras, que são paciência, prudência e perseverança. Poucos negócios irão dar retorno com um prazo menor que um ano. É preciso aprender a andar para depois correr”, enfatiza.
 
Experiência e gestão
A instrutora parceira da Escola de Negócios da CDL Goiânia, Leila Dutra, revela que nos cursos que ministra pela entidade, as principais dúvidas das pessoas são de como fazer gestão e se é necessário ser gestor para empreender. “Muitos desconhecem ferramentas simples que, quando aplicadas, podem trazer resultados extraordinários. Minha contribuição é totalmente ligada a partilhar conhecimento das mais variadas formas, sejam por meio de leituras, vivências, reflexões e apresentação de casos que deram certo. Busco formas de me comunicar com essas pessoas e ajudar na gestão dos seus negócios”.
 
A empreendedora Bruna Cirqueira Cavalcante e a mãe dela, Adinalda Cirqueira Cavalcante – carinhosamente conhecida como Dona Nenen -, não tiveram esse apoio e orientação sobre gestão quando montaram uma lanchonete, em Goiânia. “Investimos na Empadinha da Nenen, pois o sonho da minha mãe era ter um negócio próprio, já que ela havia trabalhado com meu tio por 35 anos. Como tinha experiência nas empadinhas, decidimos unir a força e a coragem. Minha mãe começou no Mercado Central, há 10 anos. Eu me formei no final de 2013. Em 2014, inauguramos nossa empresa em um novo ponto de comércio. No início foi muito difícil, pois minha mãe tinha experiência em produzir empadas, mas eu não tinha experiência em administrar uma empresa. Levantávamos às 4 horas da manhã e trabalhávamos até 18 horas. Não tínhamos funcionários. Depois de um mês que contratamos uma funcionária para ajudar na cozinha”, lembra Bruna.
 
Dona Nenen conduz, com a filha, uma lanchonete na capital goiana. (FOTO: Divulgação) 
 
Para as duas, o aprendizado em gerir uma empresa na área de alimentação só veio com o tempo, entre desafios diários, erros e acertos. Mas elas não se arrependem de terem investido na lanchonete. O negócio cresceu tanto que, hoje, possuem oito colaboradores. Em média, são comercializadas de 170 a 200 refeições por dia. O carro chefe é a empadinha de frango.

“Conquistamos clientes fieis ao longo desses 10 anos, que sempre nos procuram. Talvez por causa da qualidade dos alimentos e do atendimento oferecido. Também procuramos acompanhar as inovações, tanto é que divulgamos nossos produtos por meio das redes sociais. Agora, planejamos uma mudança de endereço, já que precisamos ampliar nossa cozinha”, reforça Bruna. 
 

Apesar de toda a história de superação e de crescimento, o caso da Bruna e da Dona Nenen não pode ser levado como regra quando se pretende empreender. Para elas, deu tudo certo e, atualmente, estão prosperando na área empresarial que escolheram. Entretanto, a pesquisa ‘Sobrevivência das empresas no Brasil’, do Sebrae, revela que 25% dos empreendedores brasileiros que fecharam suas empresas em menos de dois anos, apontaram falta de gestão como um dos motivos principais para a falência. Esse motivo está atrás apenas de outras causas já bem conhecidas pelos empresários, como altos impostos, pouca demanda e alta competitividade e dificuldade para arrecadar linhas de crédito.
 
Leila Dutra, instrutora da CDL Goiânia, confirma que a falta de conhecimento em como fazer a gestão do negócio acaba impactando negativamente no planejamento e na definição de uma visão de futuro, no processo de inovação, na gestão de pessoas, na gestão financeira e nos impostos cobrados dos empreendedores. “Para prosperar e crescer, é preciso tempo, planejamento, foco, resiliência, persistência e dinheiro. A questão no empreendedorismo é totalmente comportamental. O sucesso do negócio está atrelado à forma de agir e pensar do empreendedor”.
 
 Leila Dutra é instrutora da CDL Goiânia. (FOTO: Divulgação) 
 
Com a palavra, os especialistas
Seja por necessidade, oportunidade ou paixão, o empreendedor precisa entender que ao investir em um negócio ou atividade empresarial é essencial seguir uma série de recomendações – assim como uma verdadeira receita. Os especialistas afirmam que isso não significa que tudo vai caminhar no rumo certo, mas receber informações e ter conhecimento ajudam a prevenir percalços que surgem no empreendedorismo. 
 
As decisões relacionadas aos novos negócios contêm sempre certo grau de incertezas e a pesquisa de mercado bem feita, por exemplo, pode reduzir consideravelmente essas dúvidas. Porém, a pesquisa requer investimentos por parte do empreendedor, já que ele precisa buscar alternativas para realizar uma sondagem sobre o seu nicho de negócio. E, atualmente, as redes sociais estão se tornando fontes de informação para que o empreendedor possa avaliar as viabilidades da empresa que pretende investir.

Segundo o professor do eixo de gestão e negócios da CDL Goiânia Rilke Machado, as pesquisas contribuem ainda para se obter um planejamento mais elaborado que, somado ao controle financeiro feito com austeridade, ajudam a reduzir drasticamente os índices de mortalidade das empresas nos primeiros anos. “A melhor ferramenta que podemos utilizar para isso é um plano de negócios. Sua importância se dá pelo fato dele permitir uma visão mais holística da empresa, considerando todas as etapas desde abertura, visão dos departamentos envolvidos, processos etc. O controle financeiro irá permitir a avaliação de decisões cotidianas, desde decisões de compras até as formas de recebimento do seu cliente”. 
 

O diretor técnico do Sebrae Goiás, Wanderson Portugal, acrescenta que o planejamento estratégico, mais do que a busca de um plano formal, é um rico processo de discussão de oportunidades e de análise da realidade da empresa. “É uma grande oportunidade para construir, rever ou desenvolver a leitura da realidade de uma organização, que deverá ser crítica, coerente, completa, inteira, sistemática e compreensível, devendo ainda gerar confiança, segurança e clareza ao papel que a empresa quer assumir no mercado”, destaca. Ele informa ainda que as empresas devem adotar o planejamento estratégico para implantar organização, direcionamento e controle, maximizar seus objetivos, minimizar suas deficiências e proporcionar a eficiência.
 

Diretor técnico do Sebrae Goiás, Wanderson Portugal. (FOTO: Sebrae Goiás)

Portugal enfatiza que empreender, em qualquer que seja o negócio, requer também qualificação, conhecimento, estudo e um conjunto de informações que vão orientar o empreendedor a trilhar um caminho consistente e robusto para que a empresa possa se fortalecer e crescer. “Especificamente, no setor de alimentação, a legislação que regula as boas práticas para a produção dos alimentos, além do mercado que está cada vez mais exigente, tem muitas especificidades que devem ser cumpridas. É fundamental se qualificar e ter conhecimento deste mercado, que está sob a vigilância constante de nutricionistas, endocrinologistas, cardiologistas, personal trainers e outros especialistas”. 
 
O crescimento do consumo de alimentos e as sutilezas de paladar, riqueza de sabores e degustação de novidades são as novas tendências valorizadas no lugar de servir uma refeição para o dia a dia, em grandes quantidades, sem o devido apreço pela qualidade dos ingredientes. Com base nisso, o diretor do Sebrae avalia que para o empreendedor deste segmento há vários aspectos a serem considerados, para que o negócio possa ter sustentabilidade. “Vale destacar as exigências legais e específicas. Como todo empreendimento há um protocolo a ser cumprido para o funcionamento do negócio. São aspectos da gestão como estrutura física, pessoal, matéria-prima, organização do processo produtivo, canais de distribuição, volume de investimento, inovação entre outros pontos importantes para a abertura de uma empresa”, cita.
 
 
 
 
 
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por Kamylla Rodrigues

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