A Redação
Goiânia – Cerca de 400 advogados em início de carreira lotaram, na noite de ontem (26), o Espaço Nova Ordem, durante happy hour promovido para selar o apoio do movimento “Nós, A Nova Advocacia” à pré-candidatura do Pedro Paulo de Medeiros à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás (OAB-GO).
Formado por advogados em início de carreira, bacharéis em Direito e estudantes e estagiários de Direito, o movimento é coordenado por cerca de 40 articuladores, que defendem a participação da advocacia jovem na política classista, a busca por maior valorização dos advogados recém-ingressos na Ordem no mercado de trabalho e a construção de uma gestão aberta e democrática na OAB-GO.
“Hoje, a Comissão da Advocacia Jovem (CAJ) da OAB-GO funciona de forma antidemocrática, fechada aos adeptos da atual gestão. Quem é de fora não é acolhido nem ouvido”, afirmou, durante o evento, Pedro Augusto Miranda de Almeida, um dos coordenadores do movimento. Segundo ele, a “Nós, A Nova Advocacia” estava neutra até a semana passada: não era adepta da atual gestão nem de Pedro Paulo. “Estávamos, justamente querendo conhecer os grupos para decidir qual programa atendia melhor o interesse da advocacia em início de carreira. Não tivemos esse acolhimento da CAJ e, por outro lado, fomos muito bem recebidos por Pedro Paulo, que não conhecíamos ainda mas se dispôs a ouvir nossas ideias e apresentar as dele. Ficou muito claro que seu programa é, de longe, a melhor opção para quem está começando a carreira. Ele conhece e é sensível às nossas demandas”, afirmou.
Também para Wanderson Pinheiro, integrante do grupo, Pedro Paulo se dispôs não apenas a ouvir as propostas do movimento, mas as incorporou concretamente em seu projeto de gestão. “Essa disposição nos pegou de surpresa e nos conquistou, definitivamente. Ele é o único que se importa mesmo com a jovem advocacia”, comenta o jovem advogado, que também não viu com bons olhos a atitude de Lúcio Flávio, que na campanha de 2015 prometeu batalhar pelo fim da cláusula de barreira – regra prevista no Estatuto da OAB e da Advocacia e que impede advogados com menos de cinco anos de inscrição na Ordem de compor chapas nas eleições da instituição. "Depois de eleito, o Lúcio assinou documento no qual repudiou projeto de lei que tramita no Congresso Nacional para derrubada da cláusula”, declarou Wanderson. “Não há outro nome para essa atitude: foi uma traição à advocacia jovem, sem se falar que demonstra o quanto a gestão de Lúcio Flávio e fechada e resistente à nossa participação”, sentenciou.
De perfil notoriamente combativo, outra articuladora do grupo, a jovem advogada Isabel Lira disse que está cansada de ver colegas que acabam de se formar em Direito e, diante da desvalorização do advogado em início de carreira no mercado de trabalho, optam por tentar concursos públicos. “Isso precisa mudar e só vai mudar com uma gestão que verdadeiramente batalhe pela fixação de um piso salarial para a classe”, salientou. Ela também disse ter ficado especialmente inclinada a apoiar Pedro Paulo quando foi informada que sua chapa conta com número muito maior de mulheres do que a de Lúcio Flávio. “A atitude diz mais que o discurso. Lúcio Flávio fala muito e faz pouco. Pedro Paulo está fazendo: a chapa dele é composta por muitas mulheres”, comemorou.
Último a discursar, Pedro Paulo agradeceu o apoio do movimento e falou de sua emoção com a garra e o nível de comprometimento dos jovens advogados. “Aos 20 anos de idade eu também já tinha essa vontade de participar, opinar, trabalhar pela Ordem. Tinha uma profunda frustração com a cláusula de barreira. Batalhar por sua derrubada é uma questão de honra para mim”, assegurou. Pedro Paulo chamou a atenção de advogados jovens de diversos segmentos, na capital e no interior, depois que anunciou o compromisso de conceder isenção de anuidade a profissionais com até três anos de inscrição na Ordem, como forma de aliviar o já sofrido processo de entrada no mercado de trabalho. O pré-candidato já deixou claro, em diversas ocasiões, que a advocacia jovem é uma de suas prioridades, assim como a mulher advogada, o advogado que trabalha fora da capital e as prerrogativas da advocacia.