Gabriela Louredo
Goiânia – Prestes a assumir a presidência da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), o empresário Sandro Mabel destaca a importância da política de incentivos fiscais para o desenvolvimento do Estado e defende a manutenção da medida, considerada crucial no momento de crise econômica. A posse festival de Mabel está marcada para 19 de dezembro. O mandato se inicia a partir de 1º de janeiro e será de quatro anos, entre 2019 e 2022.
Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação nesta segunda-feira (22/1), o futuro presidente da entidade afirmou ter um bom relacionamento com o governador eleito, de quem foi colega na Câmara Federal, e vê o tema com tranquilidade, uma vez que Ronaldo Caiado (DEM) se comprometeu, durante a campanha, a manter os incentivos fiscais existentes.
"Eu entendo que a política de incentivo fiscal não tem como se mexer. Isso aí seria a insegurança jurídica. Quando a pessoa aplicou seu dinheiro no Estado, fez porque existia incentivo fiscal que estava sendo dado, tem essa segurança jurídica, contrato e tudo mais. Você não pode tirar esse incentivo porque o Estado está precisando de dinheiro, porque as empresas também precisam. Eu não acredito que o novo governador mexa nisso porque ele pregou o tempo inteiro durante a campanha a importância da geração de empregos e atração de novos investimentos", afirma.
(Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
Mabel afirmou que os incentivos fiscais foram fundamentais para impulsionar a industrialização do estado com o Produzir e o Fomentar, desenvolvidos pelo ex-governador Marconi Perillo. "São essas medidas que fizeram com que Goiás tivesse um parque industrial e uma parte agrícola que cresceu muito. Isso tudo sustentou o estado para esse desenvolvimento", sentencia.
Maior competitividade
Mabel acredita que o Estado pode atuar para aumentar a competitividade e agregar maior valor à produção industrial goiana com vistas à exportação. "Acho que o grande salto que o governador pode dar é fomentar a industrialização das matérias-primas que hoje saem 'in natura'. Nós temos aí soja, milho, uma série de grãos…quando você colhe na lavoura um caminhão de soja e manda para o porto para ser carregado, ele vai embora e vamos 'criar' a mão-de-obra na China", comenta.
"Temos que passar a exportar ela [matéria-prima] industrializada. Hoje, Goiás trabalha ao contrário nesse ponto. Quem exporta, tem um incentivo fiscal maior do que quem industrializa. Quem industrializa, paga 4% a mais na soja do que quem exporta. Nós poderíamos estar fazendo muito óleo de soja e farelo de soja, tantas coisas, enquanto nós vemos esses produtos indo embora 'in natura' ", finaliza.