A Redação
Goiânia – Aos 27 anos de idade e 4 anos de inscrição na OAB-GO, Matheus Scoponi engrossa as fileiras dos advogados em início de carreira que enfrentaram a dura realidade dos recém-ingressos na Ordem, cuja maioria recebe propostas de trabalho indecentes e, muitas vezes, sequer conseguem encontrar colocação. O jovem advogado atribui à inação da OAB-GO a situação de “desespero” a que são expostos esses profissionais em relação à questão e questiona as críticas feitas por Lúcio Flávio à proposta do pré-candidato à Presidência da instituição, Pedro Paulo de Medeiros, que quer isentar do pagamento da anuidade os advogados com até 3 anos de inscrição na Ordem.
“Sou natural do Estado do Paraná, tenho poucos familiares em Goiânia, nenhum deles ligados à advocacia ou com alguém próximo que pudesse me auxiliar”, relata Matheus. Segundo ele, apesar de ter feito vários estágios em grandes escritórios de advocacia durante a faculdade, ao final do curso, se viu sem oportunidade de trabalhar. “Fiquei por aproximadamente nove meses desempregado após o encerramento do meu curso e, o mais desesperador, sem aparente perspectiva de mudança”, relembra, afirmando quem, ainda assim, tinha de manter a anuidade em dia, já que, em busca de emprego, não podia ficar sem sua carteira profissional ativa.
Matheus relata que, nesse meio tempo, em contato com outros colegas recém-ingressos na Ordem, percebeu que a situação era comum e que boa parte dos profissionais que haviam acabado de se formar não tinham oportunidade de emprego. “A realidade para aqueles que não possuem conexões com escritórios, principalmente de ordem familiar, é dura. Atualmente, se sabe que os escritórios pagam em média, ao advogado em início de carreira, o valor de R$ 1.500,00. A renda média do brasileiro, de acordo com dados do IBGE de 2017, é de R$ 1.268,00”.
Para o advogado essa situação ainda leva muitos profissionais a aceitar propostas indecentes. Ele se ressente pelo fato de a OAB-GO não ter batalhado pela fixação de um piso salarial justo para a classe, como foi prometido na campanha do presidente Lúcio Flávio Siqueira de Paiva em 2015. “Fora isso, me impressiona que justo ele, que ganhou a eleição graças à advocacia jovem, seja contrário a iniciativas que claramente tentam dar um mínimo de suporte para o início de nossas carreiras”, pontua.
Para Matheus, o advogado não pode se ver na condição de, após cinco anos de estudo, aprovação em um exame de proficiência de alto nível, popularmente chamado de exame de ordem, ter de receber um valor tão baixo, muitos até já com pós-graduação. “Não vejo essa luta no âmbito da OAB-GO, principalmente por aquela comissão que deveria prezar pelo nosso interesse, a da advocacia jovem. Durante os últimos três anos de gestão, não houve movimentação séria para criação do piso salarial”.
Segundo Matheus, este ano chegou a ser realizada uma discussão sobre o piso salarial na sede da OAB-GO, mas, na ocasião, a direção indicou ser favorável a que o valor pago a título de salário aos advogados empregados ser definido, livremente, pelo mercado e, caso fosse estabelecido um valor, seria o de R$ 1.500,00.
“Isso me envergonha. Não há interesse em modificar a realidade. Prova disso foi eles terem repudiado o projeto de lei para derrubada da cláusula de barreira, que impede advogados com menos de cinco anos de inscrição de comporem chapas nas eleições da Ordem. Eles são contra nossa participação por uma razão muito óbvia: querem manter a mesma panelinha na administração. É uma pena porque se nós, jovens advogados pudéssemos participar, teríamos o poder de, dentro da instituição, forçar a mudança da realidade”.
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