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Foo Fighters é classic rock dos dias de hoje

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09.04.2012 - 19:33:29

Acompanhei todo o Lollapalooza do conforto do meu lar. Perninhas para cima nas almofadas do sofá após a lesão no joelho por conta do futebol de final de semana, observei o festival com um bom distanciamento. Ainda não sou do time que prefere sempre os grandes festivais pela televisão. Ainda. Dependendo das atrações, encaro os mega eventos para ver os artistas que me interessam. No caso do Lolla BR, a programação não me mobilizou a gastar a grana necessária para seguir para Sampa. Queria ver a Joan Jett, mas não pilhei tanto assim. O Jane’s Addiction do dono da festa Perry Farrell é uma banda que tem meu respeito, mas sei que terei oportunidades futuras para assisti-los. E tinha o Foo Fighters, a única banda que realmente poderia gerar uma mobilização e ir ao festival.

Só que isso não aconteceu. A promessa de alguns shows gringos que podem pintar no Brasil ao longo desse ano, mais o fato de que já vi a banda uma vez, 11 anos atrás, na terceira edição do Rock in Rio, consolidaram minha desistência. Sei que hoje o Foo Fighters é outra banda: muito maior em termos de popularidade (naquela ocasião, quem fechou a noite foi o REM), com um repertório de hits bem superior, com uma presença quase opressora de Dave Grohl quando a mídia especializada quer falar de alguém cool. Mesmo assim, tudo isso não me convenceu. Preferi a transmissão do Multishow.
O Foo Fighters hoje é a banda classic rock para a geração internet. Eles são o Queen que ouviu punk rock. O Pink Floyd que entende a importância do Motörhead. O mais perto do U2 que os anos 90 produziu, mas sem o messianismo. Grohl entende de rock de verdade. Dá para ver isso desde aspectos macro como a estruturação das músicas até os detalhes mínimos como a escolha dos amps – só o suprassumo do bom gosto que produziu os melhores sons da história do rock.

Além de todo conhecimento histórico e enciclopédico acerca do estilo, Grohl tem carisma de verdade. Ele consegue segurar a plateia com bom humor e entrega em cima do palco. Ele realmente se dedica para fazer um show de peso para aqueles que pagaram muitos e bons reais para estar ali. Seus hits crescem na hora certa, para que todo público se esgoele junto dele no refrão. Tudo no jeito para ter seu lugar definitivo na história do rock.
Contudo, em âmbitos artísticos ainda falta “o” disco definitivo. Aquele que marca uma banda para sempre. Seu Dark Side, Sgt. Peppers, Exile ou Pet Souds. Seu Achtung Baby, OK Computer, London Calling ou Catch a Fire. Embora Grohl tenha créditos por Nevermind, a genialidade desse album é de Kurt Cobain, não do então baterista. O desafio da banda agora é no campo da estética, pois no campo popular já ganharam o jogo.

Talvez Grohl nunca consiga esse disco. Talvez ele nem tenha tal ambição. Se a meta do cara era tocar para multidões em estádios, ele conseguiu cumprir o objetivo com louvor. Bom para ele, bom para nós que temos uma baita banda tocando mundo afora. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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