Logo

Os quatro temas que ainda assolam o agronegócio brasileiro

25.08.2018 - 14:12:33
WhatsAppFacebookLinkedInX
Os temas que assolam o agronegócio deixam suas lideranças ocupadas, vociferantes e repetitivas. São os mesmos temas que se repetem por anos, tomando em um momento ou outro uma dimensão mais dramática e mais mediática. Aqui vão os quatro eternos e incomodantes temas do agronegócio que sempre se repetem:
 
Venenos, agrotóxicos, defensivos ou que nome você queira dar – a questão da ciência e tecnologia;
 
O tema das terras no Brasil, os problemas com invasões, assentamentos, índios, cartórios e registros de terras – a ilegalidade reinante;
 
O meio ambiente, esse mesmo, com o Brasil tendo 66% de seu território preservado; todo dia tem alguém querendo criar uma reserva nova ou atacar o assunto: as queimadas e o desmatamento ilegal;
 
Logística, dos custos no Brasil, da burocracia, da infraestrutura, dos portos e bagunça tributária.
 
Esses grandes assuntos vemos presentes e permanentes sob distintas formas de abordagem ao longo das últimas décadas. Então, está na hora de criarmos um conselho de autorregulamentação do agro nacional e comitê de ética, o CONAAE.
 
A partir desse conselho, não deverá se esperar mais por governo nem por elementos alienígenas. O próprio setor deve propor suas autorregulamentações, criar seu comitê de ética e ali oferecer para a sociedade as linhas perante a tecnologia, o que é preciso ser feito sobre os recursos genéticos do país, os químicos, os agrotóxicos e o uso.
 
Nesse conselho se definirá as boas práticas ambientais, e cabe em seu comitê de ética avaliar, julgar e punir agentes do agro que não estejam em consonância com a própria autorregulamentação.
 
Que os legisladores sigam esse conselho ao invés do setor ficar refém do governo e da própria legislação, onde o lobby e as bancadas acabam virando torcidas organizadas de apaixonados versus detratores.
 
O setor publicitário na década de 80 criou o CONAR, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, e para isso integrou representantes da mídia, dos anunciantes e das agências de propaganda.
 
O objetivo era esse mesmo, antecipar, antever e proteger o segmento de investidas externas desprovidas de conhecimentos sobre a comunicação e a livre iniciativa.
 
O agronegócio precisa – antes de ser julgado, antes de ser atacado e antes das suas próprias lideranças vociferarem a cada dia, a cada semana –, de um conselho integrando os segmentos que o compõe, convocando órgãos de apoio como o capitalismo consciente, por exemplo, doutores em ética e governança.
 
Se não nos autoliderarmos, alguém fará, e pode não ser nada sensato e inteligente o que disso advirá. 

*José Luiz Tejon Megido é Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por José Luiz Tejon Megido

*

Postagens Relacionadas
Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]