Yuri Lopes
Goiânia – No comando da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima), Hwaskar Fagundes aponta a gestão de pessoas como o principal fator para conseguir desafogar os processos que estavam atrasados na secretaria. Além disso, parcerias com órgãos públicos e reativação de programas que estavam em pausa, também contribuíram para a melhoria na prestação dos serviços da Secima.
Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, Hwaskar falou sobre ações educativas no Rio Araguaia durante a temporada de férias, sobre as mudanças que propôs na gestão da Secima, dos resultados alcançados e das próximas ações planejadas. Confira abaixo os principais tópicos da entrevista:
Temporada Araguaia
O secretário afirmou que o Araguaia é de responsabilidade federal, pois o rio faz divisa com três Estados. “O que a Secima faz é cuidar dos afluentes que passam dentro de Goiás. Mesmo assim, temos uma operação no Araguaia desde o início do mês de julho que é de cunho educativo, de coleta de lixo e distribuição de 40 mil sacos de lixo. A ação é voltada para a população ribeirinha e para as pessoas que estão em acampamentos e turistas.
“Fizemos uma parceria com os sete maiores municípios que são famosos pelo turismo no Araguaia, onde as prefeituras contribuem com a retirada do lixo dos acampamentos. Intuito é educacional”, conclui.
Estruturação da secretaria
“Desde que assumimos em fevereiro, temos uma missão técnica, foi por isso quer eu fui convidado pelo governador José Eliton. Existia uma estrutura que precisava ser remodelada e é isso que estamos fazendo desde então. Estávamos com um represamento muito grande de licenças, outorgas, que totalizavam cerca de 20 mil licenças atrasadas, de baixo ou de grande impacto. A primeira ação foi fazer um levantamento da situação para entender as ações que deveriam ser tomadas. Uma delas foi a gestão de pessoas, o que foi feito e hoje já colhemos os resultados positivos disso. Importante destacar que praticamente todas as superintendências e gerência são compostas por funcionários efetivos. Isso trouxe uma motivação muito grande aos servidores, já que duas superintendências são ocupada por funcionários efetivos”, comenta.
Resultados
O secretário comenta que um estudo prévio dá conta de que o aumento de produtividade chega a 40%. Hwaskar reforça que esta foi apenas uma das ferramentas utilizadas por sua equipe para melhorar a gestão. “O apoio incondicional dos servidores da Secima foi o principal fator para o sucesso das ações propostas pela equipe no início do ano. Existe um conhecimento nítido de que fazemos as análises e promoções de acordo com a capacidade técnica dos servidores. Todos estão empenhados, com o ganho de produtividade como forma de estímulo, e todos ganham com isso, tanto os servidores quando o Estado”, declarou.
Atraso nos processos O secretário conta que um dos principais problemas enfrentados pela Secima é o grande número de projetos mal feitos que chegam até a secretaria, o que demanda tempo gasto por funcionários em trabalho que não poderá ser concluído por problemas de projeto. “Estamos atuando em parceria com o Crea pra punir os responsáveis pelos projetos que chegam até a Secima, para que o servidor da secretaria esteja preocupado apenas com as questões técnicas de meio ambiente e não da parte estrutural do projeto”, explica.
Produtividade
“A gestão de pessoas deu um ganho significativo na produtividade porque as pessoas estão motivadas, cumprindo metas. Conseguimos aprovar um pagamento de adicional por produtividade. Cada servidor tem uma meta a ser cumprida e isso faz com que ele se esforce ainda mais para conseguir agilizar os processos”, conta o secretário.
Intercâmbio de experiências
O secretário falou sobre um acordo com o governo do Mato Grosso do Sul, onde já é fornecido a troca de experiências. “Eles nos repassaram um sistema de gestão hídrica, em troca de algumas ferramentas da Secima, e isso está dando uma agilidade enorme, já que antes tudo isso era feito de forma manual”, exemplifica.
Atualmente na Secima, um pedido de outorga e a liberação do mesmo leva em torno de três anos, mas segundo o secretário, a meta é conseguir encurtar este tempo para 30 dias. “Entre todos os fatores que tiram a rapidez dos processos o maior deles é a infraestrutura. Os analistas tinham que fazer todas as contas e verificações manualmente, e após conseguir que isso seja feito de forma automatizada”.
Balanço das ações
Segundo Hwaskar, somente nos processos parados na Secima, representam uma perda de quase R$ 10 bilhões em investimentos no Estado. “Estamos focados e firmes na luta para conseguir resolver o maior problema que é o acúmulo de processos em andamento na secretaria”, comenta ele.
O grande ganho e vantagem da Secima é destravar esses processos. “Destaco como ganho o weblicença, que é o licenciamento de atividades de pequeno ou nenhum impacto ambiental. Entendemos que essas têm condição declaratória, feita pela internet, e que não depende de análise feita pela Secima. Todos os fatores que gerariam uma demora são cortados. Os interessados que se encaixam nesse tipo de licença entram no site da secretaria e declaram isso”, declarou.
Apenas com a volta da weblicença, em 3 de julho, a secretaria estima que 8 mil licenças foram liberadas de uma vez, desafogando os processos em andamento ou em espera na Secima.
Convite do governador
“Quando fui convidado pelo governador José Eliton, a missão foi que eu dispensasse atenções especiais para as questões hídricas de todo o Estado, que é um problema recorrente em todo o Brasil, e do licenciamento, que é o que travava parte do desenvolvimento do Estado”, lembra ele.
Empresário da iniciativa privada, o titular da Secima conta que esta é a primeira vez que trabalha no serviço público e encarou o convite para integrar o time de secretários como um desafio enorme em sua carreira. “Quero ressaltar que parte do que me atraiu foi a liberdade para formar equipe e autonomia para cumprir com as minhas obrigações de secretário’, resume ele.