Logo

Confinamento: uma estratégia de lucratividade que precisa ser planejada

WhatsAppFacebookLinkedInX
20.07.2018 - 14:07:00

A demanda crescente por alimentos e a diminuição de áreas produtivas no Brasil, evidenciam a necessidade de evolução e incremento de tecnologias que impulsionem a produtividade na pecuária. Se compararmos a criação de animais com a agricultura, a primeira já sairá na desvantagem pelo desequilíbrio entre os níveis tecnológicos com que são conduzidos na maioria dos projetos pecuários no país.
 
Mas, apesar desse cenário, ainda é possível ser competitivo na produção de carne bovina. A técnica de confinar bois, por exemplo, pode ser usada de forma estratégica para aproveitar melhor os recursos disponíveis na propriedade, uma opção de manejo para aliviar os pastos na seca, aumentar o giro da fazenda, colocar no mercado uma carne de melhor qualidade e aumentar a produção do produto por área, ou pela possibilidade de o produtor conseguir preços melhores de venda dos bois.
 
Existe ainda, a possibilidade de enviar animais para acabamento em confinamentos de terceiros nas modalidades de pagamento de diárias e/ou parcerias, estratégia muito interessante para aquele produtor que intensifica a recria de seus animais no período das águas, produzindo uma arroba com custo mais baixo, e utilizando o confinamento para realizar o acabamento dos animais e liberar as áreas de pastagem da propriedade no período seco.
 
Mesmo com os avanços em termos de manejo de pastagens e estratégias de produção de carne a pasto, o confinamento não deixa de ser essencial quando falamos de rentabilidade e competitividade da pecuária de corte. Ainda com as evoluções tecnológicas na produção a pasto, essas apresentam limites operacionais ou mesmo de área, e que fazem do confinamento uma opção viável para aumento de produtividade.
 
No entanto, por ser uma estratégia de ciclo curto, 80-120 dias em média, deve ser muito bem planejada e conduzida para proporcionar o máximo retorno sobre o capital investido. Qualquer que seja a escolha do pecuarista alguns pontos são fundamentais para o sucesso da atividade e a maximização dos lucros.
 
Manejo pré-confinamento
 
Com foco na fase final da engorda, muitas vezes nos esquecemos que o manejo inadequado no pré-confinamento pode prejudicar os ganhos zootécnicos. É comum observarmos casos em que o ganho de peso dos animais nesta etapa serve apenas para recuperar algo que ele perdeu antes.
 
Um estudo recente elaborado pelo pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Gustavo Rezende Siqueira, apontou que o manejo inadequado pré-confinamento pode gerar queda de até 10% no desempenho animal.
 
Neste sentido é importante considerar a suplementação a pasto antes do confinamento. Pesquisas mostram que está prática ocasiona desempenho superior, principalmente quando se avaliam índices de conversão alimentar, eficiência biológico, ganho em carcaça e quantidades de arrobas produzidas.
 
Com uma nutrição prévia adequada mesmo que o animal viaje longas distâncias, as chances de resposta no confinamento são muito favoráveis. Sendo assim, o pecuarista pode trabalhar com 30 a 60 dias antes desse animal vir para o cocho para a pré-adaptação na fazenda.
 
Qualidade genética dos animais
 
Outro fator importante que afeta a performance dos animais no confinamento é a genética. Gados geneticamente superiores tem melhor desempenho zootécnico, com maiores ganhos em peso, conversão alimentar e eficiência biológica.
 
Para isso, o pecuarista precisa avaliar as condições da fazenda e escolher os melhores animais para reprodução do rebanho, considerando as características de clima, região e o tipo de mercado que deseja atingir com a produção final.
 
Planejamento alimentar do confinamento
 
Assim como o manejo pré-confinamento, é fundamental que o pecuarista estabeleça uma estratégia de escolha e compra dos insumos que serão usados para composição das dietas. Essa prática facilita a programação do confinamento e pode garantir boas oportunidade de aquisição dos produtos à preços atrativos.
 
Manejo de fornecimento da dieta
 
Mas como definir o fornecimento da dieta? Nesta fase o produtor precisa considerar a estrutura física do confinamento, quantidade e qualidade dos equipamentos disponíveis, além da variação média da temperatura ambiente. Para isso, é preciso realizar a verificação regular do clima por uma equipe externa ao confinamento.
 
Avaliações constantes de desempenho
 
É fundamental, também, coletar e analisar regularmente os dados de desempenho dos animais, assim é possível verificar se o que foi programado está sendo alcançado e, o mais importante, se algo precisa ser corrigido.
 
Controle de fornecimento de dieta e custos do confinamento
 
O fornecimento das dietas e, consequentemente o custo da atividade, também devem ser controlados diariamente através do preenchimento de planilhas e/ou programas específicos, que emitirão relatórios diários para serem analisados pela equipe do confinamento e também por uma equipe externa.

*Luiz Henrique Dantas Carrijo é diretor técnico da Integral/Cargill Nutrição Animal

 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Luiz Henrique Dantas Carrijo

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]