Adriana Marinelli e João Unes
Goiânia – Em seu 19º mês de trabalho na atual gestão, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), diz que a saúde financeira continua sendo o grande problema da prefeitura. No entanto, em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, na terça-feira (17), Iris garantiu que os ajustes promovidos por ele nos últimos meses “foram fundamentais para que as coisas voltassem a caminhar”. Conforme destacou, o fato de ele ser “centralizador” garantiu uma economia expressiva aos cofres do Município.
"Qualquer aquisição, por menor que seja, só com a minha autorização. A Comurg, por exemplo, para comprar uma roçadeira, tem que ter a minha autorização. Centralizo tudo em mim. Toda manhã eu recebo o secretário de Finanças. Ele me fala o que foi arrecadado, o que foi pago e a quem foi pago no dia anterior. Só autorizo comprar alguma coisa ou iniciar uma nova obra quando tem dinheiro em caixa para pagar à vista. Esse é o grande segredo", explicou.
O prefeito reafirmou que quando assumiu a prefeitura, em janeiro de 2017, o déficit mensal chegava a cerca de R$ 31 milhões. De acordo com ele, a prefeitura devia, naquela época, mais de R$ 600 milhões só com prestadores de serviço. "Para mudar essa realidade, que eu já sabia que existia, eu tive que tomar algumas decisões difíceis. Dispensamos aposentados na Comurg, cortamos muitas gratificações, até o programa de estágios, criado por mim, eu suspendi", disse Iris, que recebeu a equipe do AR em seu gabinete no início da noite de terça-feira (17).
"Eu posso dizer que a situação agora é outra. Está longe do ideal, mas já estamos bem melhor. Conseguimos nomear dois mil professores e funcionários da Educação, Goiânia está limpa, não tem buraco, e já estamos conseguindo concluir as obras que estavam paralisadas", destacou o prefeito. "Como ainda tem a dívida com os prestadores de serviços, a minha missão é zerar esse déficit até o final da minha gestão. Quero quitar tudo, não deixar nada para a próxima", garantiu.
"Quero quitar tudo, não deixar dívida para a próxima gestão"

Durante a conversa de quase um hora, Iris disse que "sabia da situação precária" enfrentada pela prefeitura e, segundo ele, esse foi um dos motivos que o levaram a disputar as últimas eleições. "Eu senti que eu também tinha responsabilidade com os problemas deixados pelo governo do PT aqui em Goiânia, porque eu renunciei. Quando eu entreguei a prefeitura para o Paulo [Garcia] não estávamos devendo nada, mas a situação foi mudando. Diante dos problemas que a gente foi vendo, eu me candidatei para salvar a prefeitura", disse.
"Eu me candidatei para salvar a prefeitura"
Veja outros temas abordados durante a entrevista
Mutirama
De acordo com o prefeito, o Parque Mutirama, fechado há um ano, dever ser reaberto ao público "em breve". O último prazo dado pela prefeitura era este mês de julho, durante as férias, escolares, o que não ocorreu.
"A administração anterior comprou brinquedos usados. Depois daquele acidente, cheguei lá e pedi para parar tudo", afirmou Iris ao lembrar que o parque foi inaugurado há 67 anos e, segundo ele, precisava dessa reforma geral. A nova expectativa da prefeitura é que a reabertura do Mutirama ocorra no dia 12 de outubro, Dia das Crianças, mas o prefeito não deu garantias. "Eu não gosto de ficar falando data. O que eu posso dizer é que será logo, logo".
Instituto da Previdência
"A prefeitura não pagava o Instituto de Previdência Social do Município de Goiânia (IPSM) há muito tempo. Descontava do servidor e não repassava. Nós encaminhamos à Câmara um projeto para resolver esse problema. Estamos pagando a dívida com o Instituto usando áreas valiosas da prefeitura, e aumentando em 3% a contribuição do servidor"
Relacionamento com a Câmara Municipal e governo Temer
"21 partidos elegeram vereadores nessa legislatura, sendo que há muitos partidos novos. Eu tenho trabalhado com muita habilidade. Entendo que hoje já tenho maioria na Câmara", disse Iris.
"Entendo que hoje já tenho maioria na Câmara"
"Meu relacionamento com o presidente Michel Temer é de uma vida toda", afirmou o prefeito. "Sabendo que os governos estão falidos, eu tenho limite para reivindicar recursos para Goiânia", completou Iris ao destacar obras na capital em parceria com o governo Temer, como é o caso da área habitacional e também da área de mobilidade, com o BRT.