Kamylla Rodrigues
Goiânia – Pela primeira vez em solo goiano, o presidente do Paraguai, Horácio Cartes abriu as fronteiras comerciais para os empresários de Goiás e reafirmou sua intenção em fomentar a competitividade e a complementariedade. “Queremos gerar renda, emprego e promover o desenvolvimento da economia”, disse Horácio durante a Conferência Goiás-Paraguai, realizada na noite desta quarta-feira (20/12), na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em Goiânia.
A conferência, que contou com as presenças do governador de Goiás, Marconi Perillo, ministros paraguaios, líderes políticos e empresários, apresentou os atrativos do país vizinho que já tem consolidada, há décadas, relações comerciais com outros estados brasileiros, entre eles, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
Com longa experiência do setor privado, Horácio ressaltou que o Paraguai é o país mais competitivo da região e que desde que assumiu a função pública, em agosto de 2013, tem trabalhado para promover um ambiente confortável para o empresário, com baixa carga tributária, sendo um único imposto apenas na saída do bem exportado, além do custo de energia 70% menor. "Se é tão importante o emprego, porque não cuidarmos melhor do empregador? No Paraguai, temos regras claras, contratos em que o empregador respeita cada trabalhador. Não existe um país que foi pra frente sem trabalhar, sem dar oportunidades. E nós fazemos isso", ressaltou.
O ministro do Paraguai, Gustavo Leite lembrou que o setor de supermercado cresceu 72% desde 2013 e atribuiu isso a dois fatores. "O Paraguai é um País simples e sério. Simples porque eliminamos a burocracia. O empresário não tem tempo para lidar com entraves. Somos um país sério porque cumprimos a lei", explicou. Segundo o ministro, o país cresceu 28% em estoque de investimento nos últimos quatro anos. "Recebemos cinco indústrias ao mês, das quais 60% são brasileiras e as outras são alemãs, coreanas e chinesas. Essa é a parceria que estamos oferecendo, porque sozinhos a gente não faz nada. A ideia é ter com Goiás uma relação tão forte como temos com Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná".
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Pedro Alves de Oliveira, ressaltou que o país latino-americano tem chamado a atenção de muitos empresários. "Nós não estamos incentivando as indústrias a migrarem para o Paraguai, mas sim ter uma extensão, aquecendo a economia de lá e a de Goiás. Tenho certeza que teremos resultados altamente positivos com essa parceria", pontua.
Agenda de trabalho
A Conferência Goiás-Paraguai é resultado de uma agenda de trabalho, que resultou em quatro encontros em três meses. Um dos encontros foi a missão comercial que Goiás realizou em outubro deste ano. "Isso mostra que estamos fortalecendo nossas relações bilaterais e ampliando as possibilidades de negociações", reforça o governador Marconi Perillo, ao enfatizar que o Brasil Central é uma região que responde por 50% da produção de alimentos e quase alcança o mesmo índice percentual em relação às exportações brasileiras. “Esta é uma região forte, que impulsiona a geração de empregos neste momento em que o Brasil inicia um círculo virtuoso depois de um período de recessão”.
Marconi ainda teceu elogios ao presidente do Paraguai. "Cartes tem visão lúcida, empreendedora, moderna e que busca estabelecer atrativos e uma política agressiva do ponto de vista internacional. Horácio está internacionalizando o Paraguai, estabelecendo parcerias, especialmente com o Brasil. Nós o recebemos de braços abertos", disse.
Indicadores
Apesar de tímida, a balança comercial do Paraguai, que saltou de US$ 27 milhões em 2013 para US$ 37 milhões este ano, revela crescimento e reforça a potência do país.
A balança comercial goiana, nos últimos dozes meses, registra 24,7 milhões dólares de exportações para o Paraguai e 5,1 bilhões de dólares de importações. Em relação ao conjunto de exportações nacionais, o Brasil exportou, em 2017, US$ 2,4 bilhões para o Paraguai e importou US$ 1 bilhão.
Com uma população de 6,9 milhões de habitantes, o Paraguai, tem renda per capita de 9.400 dólares. A agricultura representa 17,1% do PIB nacional, a indústria 27,3% e o setor de serviços 55,6%.