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O feitiço da maçã de Jobs

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03.03.2012 - 17:25:36
 
Criar expectativa é uma das estratégias mais utilizadas no mundo da publicidade e propaganda para despertar a vontade de consumo e atingir o êxito de vendas. É um recurso utilizado com sucesso também nas mais variadas atividades: é assim com o embrulho do presente, com a apresentação da comida nos bons restaurantes, com o vestido de noiva mantido em segredo até o momento que a noiva entra na igreja, com os trailers nos cinemas. Muitas vezes, a promessa é tamanha que chega a causar uma sensação de prazer maior que a realização do desejo que ela desperta.
 
Desde que a internet tornou-se tão corriqueira na vida das pessoas quanto a televisão ou o rádio, o “vazamento”de trechos de músicas, filmes ou de ensaios sensuais, sempre meticulosamente involuntário, tem funcionado como isca para fisgar o público alvo. Mas nenhuma empresa se especializou tanto em conseguir tal efeito quanto a Apple na última década.
 

 
Tudo começa com os “rumores”em sites e publicações especializados. Semanas antes de um produto chegar às prateleiras, virtuais ou físicas, uma onda de boatos começa a ganhar proporção até chegar ao ponto de despertar tanta curiosidade que qualquer pessoa minimamente interessada em tecnologia sente uma certa ansiedade até chegar o dia dos famosos eventos especiais e o MacWorld, plataformas de lançamentos dos produtos da maçã.
 
Neles, Steve Jobs brilhava como nunca, desfilava seu charme de comunicador e anunciava equipamentos com adjetivos sempre hiperbólicos, como “revolucionários”, “nunca houve nada igual”, e outros jargões. Com visual despojado, sempre de calça jeans e camiseta preta, o fundador da Apple conseguia despertar nos consumidores um sentimento de urgência que invariavelmente culminava com filas enormes em frentes às lojas. Mesmo quando o produto anunciado era recebido com frieza ou críticas da imprensa especializada, como no lançamento do primeiro Ipad e do iPhone 4S (já pós-Jobs), a legião de fãs não resistia e o gadget se tornava objeto de culto.
 
Jobs, infelizmente, não está mais entre os seres humanos, mas seu legado permanece. Neste exato momento, o burburinho em torno do próximo evento especial da Apple só cresce à medida que se aproxima o dia 7 de março. Há meses só se fala no possível lançamento do Ipad 3, a nova versão do tablet que criou um novo e próspero nicho no mercado de tecnologia.
 
A expectativa é por um tablet mais rápido e com resolução de tela melhor. Especula-se que o Ipad 3 terá um processador Samsung mais poderoso, telas de retina (semelhante às usadas no Iphone 4 e 4S) e que a câmera tenha um upgrade. 
 
Até a apresentação oficial, o Ipad 3 já será íntimo de muita gente. Neste sábado (3 de março), no momento em que escrevo este texto, já existem mais de 58 milhões de menções a ele no Google – isso numa pesquisa entre aspas, para limitar as respostas. Ou seja: se quisesse, a Apple não precisaria gastar um centavo em publicidade para tornar o Ipad 3 conhecido do público consumidor. O retorno em mídia voluntária é incalculável.
 
O  lançamento do Ipad 3 ocorrerá uma semana após a App Store, a loja de aplicativos para Iphone e Ipad, ter atingido a impressionante marca de 25 bilhões de aplicativos vendidos. Uma força que, especula-se, deve curvar até a Microsoft – segundo os mesmos rumores, a rival da Apple prepara uma versão do Office para o tablet.
 
Jobs se foi, mas sua cultura ficou. Se os atuais e futuros executivos conseguirem manter o DNA herdado, a mágica da maçã tende a continuar enfeitiçando milhões de pessoas por todo o mundo ainda por muito tempo.
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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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