Logo

FMI: Brasil deve crescer 0,2% em 2017 e projeção para PIB de 2018 sobe a 1,7%

WhatsAppFacebookLinkedInX
18.04.2017 - 12:07:56

São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve a projeção de crescimento do Brasil de 0,2% feita em janeiro, quando atualizou suas projeções macroeconômicas globais. Para 2018, o FMI elevou sua estimativa de alta para o PIB do País de 1,5% para 1,7%.

As previsões fazem parte do relatório Perspectiva Econômica Mundial, cujo título é "Ganhando força?", uma questão direcionada à recuperação do nível de atividade do planeta. Em outubro de 2016, a instituição multilateral previa que o produto interno bruto nacional subiria 0,5% em 2017 e na ocasião não divulgou projeção para 2018.

De acordo com o FMI, o Brasil deve emergir aos poucos de uma das piores recessões enfrentadas em sua história e projeta que no quarto trimestre deste ano o PIB terá um ritmo de alta de 2,0%, em termos anualizados, ante o mesmo período de 2016. Nos últimos três meses de 2018, o produto interno bruto deve apresentar uma elevação de 1,7% ante outubro e dezembro de 2017, também em base anualizada.

No apêndice estatístico do documento, o Fundo indica que espera um crescimento de 2,0% para o Brasil em 2022. "A recuperação gradual ocorrerá com base na diminuição de incerteza política, redução de juros pela política monetária e progressos adicionais na agenda de reformas", destaca o Fundo Monetário Internacional. "A previsão é que recupere gradualmente o crescimento e continue em ritmo moderado."

Inflação
O FMI aponta que a inflação no Brasil está em declínio em grande medida devido ao baixo nível de atividade e prevê que atingirá 4,4% no final deste ano e 4,5% no encerramento de 2018. Para o Fundo, o IPCA no Brasil deve continuar em queda no horizonte relevante da política monetária "refletindo uma combinação do hiato do produto negativo e a dissipação de efeitos de depreciação da moeda no passado, choques de ofertas e subida de preços administrados." Segundo o FMI, "a inflação continua a surpreender para baixo, permitindo uma perspectiva de redução de juros mais rápida."

Transações correntes
Em relação ao déficit de transações correntes, o Fundo projeta aceleração de US$ 28,4 bilhões neste ano, para US$ 38,2 bilhões em 2018 e US$ 51,1 bilhões em 2022. Como proporção do PIB, estes valores representam 1,3%, 1,7% e 1,9%, respectivamente.

Fiscal
Para o FMI, o ritmo de contração da economia do Brasil vem diminuindo, mas os investimentos e a produção atingiram níveis muito baixos no final de 2016, enquanto a crise fiscal em alguns Estados continuou a se aprofundar. Na avaliação do Fundo, "as perspectivas macroeconômicas do Brasil dependem da adoção de ambiciosas reformas fiscais e estruturais".

Para o País sustentar a consolidação fiscal de médio prazo, o foco deve ser em reformas para atacar gastos insustentáveis, incluindo os relativos ao sistema de Previdência Social. E há também, diz o Fundo, mérito em implementar ações para conseguir uma redução maior do déficit das contas públicas.

"São necessárias reformas para reforçar o potencial do crescimento não somente para restaurar e melhorar o padrão de vida depois da recessão profunda, mas também para facilitar a consolidação fiscal", destaca o FMI. Entre os fatores imperativos no Brasil para ampliar investimentos e produtividade estão combater os gargalos de infraestrutura, simplificar o sistema tributário e reduzir barreiras para o comércio exterior.

Economia global
O FMI prevê que a economia global deve crescer 3,5% em 2017 e 3,6% em 2018, numa conjuntura marcada por expansão suave de países avançados e nações exportadoras de commodities ainda sofrendo dificuldades para ver a elevação dos preços destes produtos. No relatório, o fundo revisou um pouco para cima sua projeção anterior de crescimento global neste ano, que era de 3,4% em janeiro.

A projeção para o ano que vem foi mantida. De acordo com o FMI, o volume do comércio mundial de mercadorias e serviços deve subir 3,8% neste ano, sem alteração ante a previsão de janeiro. Para 2018, a previsão atual é de incremento de 3,9%, inferior ao aumento de 4,1% apontado no início do ano. Para o FMI, os EUA devem apresentar uma expansão de 2,3% em 2017 e 2,5% no próximo ano, previsões iguais às realizadas em janeiro.

A China deve avançar 6,6% neste ano e 6,2% em 2018, projeções superiores em 0,1 ponto porcentual e 0,2 ponto porcentual, respectivamente, em relação às informadas no primeiro mês deste ano. De acordo com o Fundo, "a perspectiva também tem melhorado para a Europa e Japão, com uma recuperação cíclica da produção de manufaturas e comércio que começou na segunda metade de 2016."

O FMI projeta expansão da zona do euro de 1,7% em 2017, aumento de 0,1 ponto porcentual em relação à previsão anterior, e prevê um incremento de 1,6% no próximo ano, projeção que ficou estável ante o número apresentado em janeiro. Para o Japão, a estimativa é de expansão de 1,2% em 2017, marca superior à elevação de 0,8% prevista antes, e de 0,6% em 2018, pouco acima de 0,5% estimado em janeiro.

Na avaliação do FMI, o desempenho dos mercados emergentes e economias em desenvolvimento não apresentam direção única. Enquanto o crescimento na China continua forte, a atividade tem desacelerado na Índia e no Brasil, que enfrenta uma "profunda recessão", registrada especialmente em 2015 e 2016. "Em termos gerais, a atividade continua fraca em países exportadores de commodities, enquanto fatores geopolíticos restringem a expansão em partes do Oriente Médio e na Turquia."

Premissas
O Fundo Monetário Internacional baseou suas projeções em premissas monetárias e fiscais. Do lado monetário, as previsões do FMI consideram um ritmo menos gradual de elevação de juros no Reino Unido e nos EUA do que esperava em outubro quando divulgou o documento Perspectiva Econômica Mundial 2016.

No caso americano, o FMI ressalta que com uma expansão do déficit fiscal, sobretudo no próximo ano, os juros deverão subir mais rápido do que o esperado há sete meses por causa da demanda e inflação em ascensão. "A projeção é de que os juros nos EUA subirão 75 pontos-base em 2017 e 125 pontos-base em 2018, atingindo uma taxa de equilíbrio pouco abaixo de 3% em 2019", aponta o documento. Para outras economias avançadas, o Fundo assume que a política monetária continuará bem acomodatícia.

"A estimativa para as taxas de juros de curto prazo na zona do euro é de permanecerem negativas ao longo de 2018 e perto de zero no Japão por todo o horizonte de previsão", destaca. O balanço entre gastos e despesas de governos pelo mundo deve desempenhar um papel neutro na economia global para este ano e no próximo.

Para as economias avançadas em 2017, o impulso fiscal deve ser expansionista na Alemanha, França e Canadá, neutro nos EUA e Japão e contracionista na Austrália e Coreia do Sul. "Nos EUA, a previsão para 2018 assume um considerável estímulo fiscal, refletindo mudanças de políticas tributárias do governo federal", apontou o FMI. "O déficit fiscal americano será ampliado em 2 pontos porcentuais do PIB em 2019, o que implica num impulso fiscal de 1 ponto porcentual do PIB", destaca. O Fundo levou em conta nas suas projeções mudanças substanciais nos investimentos em infraestrutura naquele país.

Protecionismo
O avanço do protecionismo, especialmente em economias avançadas, é um grande risco ao crescimento mundial, aponta o FMI no relatório Perspectiva Econômica Mundial. Logo no prefácio do documento, Maurice Obstfeld, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas do FMI, dá o tom de quanto negativas podem ser políticas protecionistas para a evolução do nível de atividade global.

"Uma ameaça de relevo é uma mudança na direção do protecionismo levar à guerra comercial", aponta. "Principalmente em economias avançadas, muitos fatores geraram apoio político para abordagens de soma zero que poderiam minar os relacionamentos de comércio internacional e cooperação multilateral em termos gerais."

Entre os elementos estão o baixo nível de crescimento desde a recuperação da crise financeira mundial e rupturas estruturais nos mercados de trabalho, com o avanço do desemprego. De acordo com o FMI, impactos nos empregos de certos segmentos de trabalhadores em economias avançadas, sobretudo com nível de baixa habilidade técnica, estão mais relacionadas com o avanço da tecnologia do que com o comércio internacional.

No caso de países emergentes, o fluxo mundial de mercadorias e serviços trouxe efeitos desfavoráveis para funcionários de empresas de alguns setores. Contudo, a globalização compensou bem estas perdas com o aumento do ingresso de capitais em tais nações com ampliação de forma substancial dos investimentos de origem externa.

Na avaliação do Fundo, os riscos para o avanço da economia global estão interconectados e podem gerar uma cadeia de transmissão que retroalimenta seus efeitos negativos. "Um movimento de aperto das condições financeiras globais mais rápido do que o esperado ou uma mudança na direção do protecionismo em economias avançadas podem exacerbar pressões de saída de capitais da China", destaca. Para o Fundo Monetário Internacional, muitos economistas concordam que a elevação de barreiras para o comércio pode reduzir a produção agregada e diminuir o bem estar em diversos países.

Segundo o FMI, é provável que uma nação que eleve tarifas de importação de determinados produtos verá que a fabricação doméstica destas mercadorias cairá e seus preços subirão, especialmente se as outras nações atingidas por tais medidas adotarem respostas semelhantes. A elevação dos custos de importados gerado por protecionismo comercial poderia reduzir o ritmo da oferta mundial. "O dano pode ser até maior à luz do crescente processo de fragmentação de produção entre países."

De acordo com o Fundo, "retrocessos na integração econômica" podem não solucionar preocupações com empregos, que são atingidos por avanços da automação em processos produtivos em vários setores, sobretudo nos países desenvolvidos.

"A ampliação das restrições ao comércio e fluxos de capitais pode impor custos econômicos gerais, prejudicando consumidores e fabricantes, com o potencial de deixar todos os países numa situação pior se o protecionismo gerar retaliação", aponta o FMI. "Ao contrário, o desafio será preservar os ganhos internacionais obtidos pela integração econômica enquanto são reforçados os esforços de políticas domésticas para assegurar que tais benefícios são repartidos de forma mais ampla." (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Acidente
11.10.2026
Motorista fica ferido após colidir carro contra bovinos na GO-446 em Iaciara

A Redação Goiânia – Um homem ficou ferido após bater o carro contra bovinos que atravessaram a GO-446 em Iaciara neste domingo (11/10). Segundo informações do Corpo de Bombeiros (CBMGO). Segundo informações colhidas no local pela equipe de resgate, vaqueiros realizavam a travessia de animais bovinos pela rodovia quando um veículo de passeio colidiu frontalmente […]

Fogo
11.10.2026
Bombeiros combatem incêndio em casa na Vila Santa Maria de Nazareth em Anápolis

A Redação Goiânia – Um incêndio destruiu uma casa na Vila Santa Maria de Nazareth, em Anápolis na madrugada deste domingo (11/10). Os bombeiros foram acionados por volta das 5h da manhã e encontraram o local ainda em chamas e realizaram o combate ao incêndio com água e, em seguida, o trabalho de rescaldo para eliminar […]

Mudanças climáticas
11.10.2026
Centros de Excelência de Goiás integram pesquisas para antecipar riscos do El Niño no Estado

A Redação  Goiânia – Pesquisadores de cinco Centros de Excelência apoiados pelo Governo de Goiás se uniram para avaliar os possíveis impactos do El Niño no Estado entre 2026 e 2027. O trabalho resultou em uma nota informativa que reúne dados e recomendações para auxiliar o poder público, setores produtivos e a sociedade na preparação para […]

Acidente
11.10.2026
Homem fica ferido após cair de altura de 10 metros no Jardim América em Goiânia

A Redação Goiânia  – Um homem caiu de uma altura de aproximadamente 10 metros, na Avenida C-107, próximo ao viaduto da T-9, no Jardim América, Goiânia. Ele foi atendido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) na manhã deste domingo (11/10) e foi encaminhado para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage […]

Igreja Católica
11.10.2026
Santuário de Aparecida terá missas, consagração e procissão no feriado

Brasília – Nesta segunda-feira (12/10), Dia da Nossa Senhora Aparecida, o Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, comemora a Festa da Padroeira do Brasil. O santuário preparou missas, consagrações e procissões para o feriado. A expectativa é de superar o público de 2025, que chegou a cerca de 500 mil fiéis. O […]

Paisagismo
11.10.2026
Primavera chega a Goiânia com mais de 123 mil mudas plantadas pela Comurg

A Redação Goiânia – A primavera chegou a Goiânia com cores espalhadas pela paisagem urbana. Nos últimos dois meses, foram implantadas 123.630 mudas de flores ornamentais em mais de 35 locais. Em diferentes regiões da capital, praças, avenidas, rotatórias e canteiros já exibem novas flores, resultado do trabalho de paisagismo realizado pela Companhia de Urbanização de […]

Política
10.10.2026
José Sarney é internado em UTI após procedimento abdominal

Brasília – O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, está internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do UDI Hospital, em São Luiz, após passar por uma cirurgia no abdômen. O boletim médico emitido pela Rede D’Or, responsável pelo hospital, informa que Sarney foi internado na tarde de sexta-feira (9/10) com quadro de dor abdominal. Ainda […]

Loteria
10.10.2026
Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 112 milhões neste domingo

Brasília – A Mega-Sena sorteia neste domingo (11/10) prêmio estimado em R$ 112 milhões. As seis dezenas do concurso 3.069 serão sorteadas a partir das 11h (horário de Brasília) no Espaço da Sorte, em São Paulo. As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) de sábado (10) em casas lotéricas credenciadas pela Caixa […]