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Enquanto eles brigam, o aluno dança

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07.02.2012 - 11:01:40

Em minha vida estudantil, encarei cinco greves de professores. Em todas, o governo cedeu migalhas para atender a demanda da categoria, os professores fingiram que foram contemplados e voltaram para as salas de aula felizes com as moedinhas a mais no contracheque e quem se deu mal de verdade em toda história, advinha, fomos nós, os alunos. A primeira greve que vivi, ainda estava no primeiro grau (atual ensino fundamental) e foi uma paralisação geral que pegou até as instituições particulares de ensino. Aquilo acabou com o projeto familiar de passar as férias de julho no Araguaia. Eu, naturalmente, fiquei puto. Ainda mais quando percebi que não havia mudado nada dentro de sala de aula.

 

No segundo grau, atual ensino médio, peguei duas greves dos professores da Escola Técnica Federal de Goiás. Ali entendi como realmente funciona a tal da reposição das aulas. Os professores passam um trabalho moleza que, em tese, corresponderia ao conteúdo que seria ministrado naquele período. Os alunos entregam qualquer coisa nas coxas, ninguém tira menos que 8, todos passam de ano e ninguém aprende nada. É assim que a coisa funciona e não adianta vir com conversa mole falando que é diferente. Durante o ensino superior, essa prática que narrei acima só se confirmou nas outras duas greves que enfrentei na Universidade Federal de Goiás. Os professores fingem que repõem, os alunos fingem que aprendem, o governo finge que reajusta o salário e tudo continua na mesma.

 

Entendo que a única maneira de uma categoria profissional lutar pelo seu direito trabalhista é a greve. Contudo, em via de regra, o olhar dos que reivindicam fica direcionado somente ao próprio umbigo. O debate do movimento paredista foca exclusivamente na questão salarial e não entra de verdade nas questões que de fato interferem na qualidade do ensino. A conversa fica só na superfície, enquanto os números da educação patinam entre o medíocre e o lastimável. E não me venha dizer que a questão salarial não é o cerne da questão, pois é sim. Essa greve não estaria acontecendo sem que na pauta central não tivesse contracheque, incorporações, reajustes e coisas que interferem no orçamento do trabalhador. A qualidade do ensino é vista como consequência natural do reajuste salarial, o que está longe de ser verdade.

 

O professor recebe pouco? É claro que sim! Ganha ridiculamente por um trabalho de importância central no desenvolvimento da sociedade. O piso ainda é vergonhoso, embora seja um inconteste avanço. Professor deveria ter seu salário comparado ao dos magistrados, se fôssemos realmente levar a educação a sério. Quando você percebe que toda máquina do Judiciário recebe várias vezes mais do que quem come giz na sala de aula, dá para sacar que alguma coisa está muito errada no caminho desse País. E essa briga tem que ser enfrentada no Parlamento, com deputados que estejam comprometidos com a causa e que possam exercer pressão no Executivo para a melhoria.

 

O fato é que enquanto o pau quebra entre Secretaria de Educação e o sindicato dos professores, os alunos é que levam as bordoadas.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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