Paris – A operação em Seine-Saint-Denis, em Paris, desta quarta-feira (18/11), acabou com ao menos dois mortos e oito presos, sete homens e uma mulher, segundo o procurador de Paris, François Molins. Ele afirmou que ainda não era possível revelar as identidades das pessoas, mas que formavam um grupo que estava "pronto para agir" novamente.
Segundo Molins, Abdelhamid Abaaoud apontado como o mentor dos ataques em Paris e Salah Adbeslam não estão entre as pessoas presas, mas não foi divulgado ainda se algum deles morreu na operação. Uma mulher ainda não identificada se suicidou detonando um cinturão de explosivos no início da manhã, quando começou a operação policial para prender os terroristas que teriam participado dos atentados de Paris na sextafeira 13.
Três pessoas foram presas no interior do imóvel e outras duas nas imediações, segundo informações oficiais do Ministério Público francês. Embora não haja confirmação das autoridades francesas, a imprensa local afirma que a mulher era Hasna Aitboulahcen, 26 anos, que dizia ser prima de Abaaoud. A ação policial teve início por volta de 4h20 da manhã, em Rue de la République, coração de SeineSaintDenis. Houve então uma primeira troca de tiros.
Depois de cerca de duas horas de preparação, um grupo das forças especiais cercou o imóvel e lançou o assalto sobre um apartamento. Nesse instante teria acontecido o suicídio da mulher, que disparou o cinto de explosivos. A operação prosseguiu e outras três pessoas que estariam no interior do apartamento teriam sido presas. O procurador afirmou que os terroristas dispararam mais de 5 mil vezes contra a polícia, que encontrou um arsenal de Kalashnikovs, munições e explosivos no apartamento
A operação visaria prender o jihadista belga Abaaoud. Até a noite de terçafeira, o Ministério do Interior havia informado sobre buscas a dois foragidos, o que elevaria a nove, no mínimo, o número de terroristas envolvidos no ataque de 13 de novembro, que deixou 129 mortos. O outro perseguido era Salah Abdeslam, considerado um contato próximo de Abaaoud, mas que poderia estar neste momento escondido em algum lugar da Bélgica.
Dois dos supostos terroristas detidos foram internados de emergência em um hospital da periferia da capital francesa, informaram à Agência Efe fontes ligadas ao caso. As fontes, que pediram anonimato, disseram que um deles foi submetido a uma cirurgia em um hospital de Bobigny, a nordeste de Paris e perto de SaintDenis, onde aconteceu a ação policial. Medo. O presidente da França, François Hollande, acompanhou as informações sobre a ação policial ao lado do ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, segundo informou o Palácio do Eliseu, e depois concedeu uma entrevista.
Ele pediu que aos franceses que não cedam ao medo nem à tentação de revidar após os atentados. "Não cedam à tentação de revidar, não cedam ao medo e aos excessos." "A operação antiterrorista conduzida nesta quartafeira confirma mais uma vez que estamos em guerra, uma guerra contra o terrorismo, que decidiu fazer guerra contra nós. O Daesh (acrônimo árabe para o EI) quer destilar, através das próprias mortes, o veneno da suspeita, da estigmatização, da divisão", acrescentou Hollande, que também voltou a pedir que a comunidade internacional deixe de lado possíveis interesses nacionais divergentes e participe de uma grande coalizão contra o EI.
"Precisamos formar uma vasta coalizão para atingir o Estado Islâmico de forma decisiva. A comunidade internacional deve seguir o mesmo espírito", afirmou o presidente. Vítimas. As autoridades da França anunciaram nesta quarta-feira que identificaram as 129 pessoas mortas nos atentados em Paris, além de já terem entregado os restos mortais de cerca de 100 vítimas aos parentes. Em seu último balanço, divulgado na terçafeira, o Ministério da Saúde afirmou que dos 352 feridos nos ataques, 221 seguem internados (entre eles, uma brasileira) 57 deles em estado grave. Os demais já receberam alta. (Agência Estado)