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Arrependimento tardio

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28.09.2015 - 16:17:33

Faz parte dos costumes da família brasileira incentivar os filhos a perseguirem o saber e o conhecimento acadêmico como forma de destaque e conquista profissional na sociedade moderna. 
 
O cerne desse raciocínio parte do pressuposto de que o sistema de mérito escolar e a avaliação profissional angariada durante o próprio exercício profissional devem servir como métodos seguros para que o mercado escolha os melhores profissionais. O desenvolvimento desse raciocínio leva a crer que os concursos públicos, e a prática continuada do exercício da profissão no mercado, representam uma das formas mais seguras e confiáveis de o sistema econômico escolher seus melhores profissionais. É patente que há falhas nesse sistema, com a contratação eventual de elementos supostamente “geniais” porém descapacitados para o trabalho em equipe. 
 
Fui por três eleições seguidas um eleitor fiel de Lula, votei nele nas três eleições presidenciais seguidas a que ele se submeteu, até sua vitória final em outubro de 2002. Minha decepção veio a galope, quando , como funcionário concursado e comissionado de conceituada empresa pública federal, assisti de posto privilegiado, ao aparelhamento partidário da empresa estatal onde trabalhava, com a retirada de diversos funcionários concursados, treinados e capacitados das funções que exerciam, sendo substituídos por sindicalistas, filiados e apaniguados do Partido dos Trabalhadores, a grande maioria deles descapacitada e totalmente despreparada para as novas funções. A sensação que tive, porém,  foi de tristeza e arrependimento tardio.
 
Arrependi-me profundamente de ter dado meu voto de confiança ao PT pois nunca imaginei que, por detrás de uma proposta de mudança  de novos rumos para o desenvolvimento econômico brasileiro, estivesse adormecida uma política paralela de colocação de filiados e apaniguados do partido em postos chaves de governo, qual típica serpente venenosa, silenciosa porém letal, descaracterizando totalmente o esforço acadêmico angariado ao longo dos anos e jogando na lata de lixo o sistema de mérito que aprendi a honrar com meus pais, os maiores incentivadores que tive até hoje.
 
Os resultados mais desastrosos dessa política de aparelhamento do estado brasileiro por apaniguados e filiados ao lulopetismo está aí, na nossa frente, agora, na sua forma mais genialmente catastrófica que é o escândalo da Petrobrás. 
 
Outros escândalos ainda poderão surgir já que a política de aparelhamento estatal vingou com força total nas principais estatais financeiras brasileiras, encabeçando a lista o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, entre outras instituições. Foram dezenas de milhares de filiados ao PT colocados como “assessores” nessas instituições, pagos com o dinheiro público. 
 
O método mais comum era o de retirar das suas funções o funcionário concursado, colocando-o “na geladeira”. Eles geralmente eram deslocados para um andar especial, apelidado "congelador", continuavam recebendo seus salários sem terem o que fazer, sem serem mandados embora, sem poderem contribuir para o crescimento institucional. 
 
Como o funcionário concursado tinha perdido a sua função para um elemento externo, criava-se um quadro perturbador e deletério de dois indivíduos pagos com dinheiro público para exercerem a mesma função, em que um, o sindicalista,  trabalhava e recebia seus salários e o outro, o funcionário concursado, não podia trabalhar e assistia, paralisado, ao triste espetáculo.
 

*Eduardo Reis Gonçalves
é administrador e economista, graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco e Mestre em Desenvolvimento Econômico pela UNISC – Rio Grande do Sul
 
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por Eduardo Reis Gonçalves

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