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7 aprendizados de gestão de crise para as famílias

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23.03.2020 - 11:22:53

Goiânia – Ao longo dos dias tenho recebido mensagens em meu celular sobre como lidar com a crise organizacional que a covid-19 está gerindo nas empresas e organizações. As empresas foram aprendendo, mas vejo que o desafio real começa agora nas famílias.


Além dos cuidados que uma quarentena pode causar — como alimentação, atividade física, sono, lazer saudável que devem ser estimulados — como psicoterapeuta de casais e famílias e logoterapeuta vejo pequenas coisas ativam reações de ansiedade e stress. O comportamento em grupo não é diferente! Por isso, sintetizei algumas das recomendações que ofereci a amigos e clientes em suas empresas para hoje pensarmos nas nossas famílias.
 
1. Seja o portador de confiança
Devemos sempre começar com o positivo. Desafios fazem parte da vida e em situações de crise devemos ser como o arqueólogo que, em meio aos destroços jogados pelas preocupações, precisamos encontrar algo positivo que tranquilize nossas mentes e corações. Na empresa tivemos o discurso otimista quando vimos a equipe preocupada, e em casa devemos esclarecer porque confiamos nas pessoas que conosco estão. Da mesma forma que as pessoas foram recrutadas por confiarmos em sua potencialidade e engenhosidade, precisamos lembrar que o amor surge e se alimenta dessa confiança no outro: confiança no senso de companheirismo e na resiliência que cada um tem.

2. Comunique
Comunicar significa “colocar em comum”. O papel da liderança é portanto ser clara e transparente — seja na empresa ou em casa. Como mães, pais, irmãos mais velhos (e por vezes até os mais novos) podemos levar a orientação de Howard Schultz (CEO da Starbucks) sobre a importância de lembrarmos de nossa história de origem quando estamos em crise? Em terapia responder à pergunta sobre o começo da relação e o enamorar é muitas vezes um rememorador do lado bom da relação que precisa ser reassumido na crise. Aí lembramos que estamos e aceitamos as coisas porque a causa que vivemos, a relação, é maior que nós. E, para isso, o mais importante é estarmos acessíveis e escutarmos: já dizia Peter Drucker que um bom comunicador sabe escutar. Então, escute, escute, escute!

3. Seja empático com a realidade da pessoa
Jamais devemos achar-nos no direito de proibir os sentimentos das pessoas, dizendo-lhes o que sentir ou não. Uma família saudável é aquela na qual todos estamos é constante ato de serviço aos demais. É certo que a urgência do momento convoca ações únicos em nossos lares, mas um excesso de regras (ou notas técnicas nas empresas) pode transmitir a mensagem de que nossa família, seus sentimentos e vida são menos importantes do que os resultados.

4. Lute contra o risco, mas lembre-se de lutar contra o medo
Viktor Frankl afirmou que “a reação em cadeia da bomba atômica nunca se poria em andamento se não fosse precedida pela reação psicológica em cadeia”. Substâncias químicas como cortisol (responsável por reações de luta e fuga) estão disparando na mente das pessoas, o que gera escolhas equivocadas, já a oxitocina (responsável com outras pelo amor e relacionamentos) precisa ser encorajada. Pesquisas em Neurociências e Psicologia Positiva demonstram que emoções positivas levam nossos corações a diminuir a intensidade cardíaca que podem estar sentindo e estabilizar nossa pressão arterial. Então, em casa, evite tantas notícias ruins pois nosso dever ininterrupto é ajudar que todos se sintam bem!

5. Inspire prevenção
O que causa o nervosismo? O que causa problemas? É comum na mente de uma liderança prever situações desafiadoras e já ter os planos de contingência; mas isso nem sempre é comum em casa. Além do mais, ninguém tinha plano de contingência para a covid-19, mas hoje temos e devem ser cumpridas e você deve ser a voz da consciência para a sua família. Pratiquemos distanciamento social com quem não está em nossos lares, higienizemos superfícies, lavemos as mãos. E, sobretudo, não esperemos que nossos filhos adolescentes (por exemplo) não saiam de casa se nós estamos saindo! Inspiremos com o exemplo. Inspire com exemplos, atitudes e…

6. Inspire com palavras
Tento sempre escolher palavras que encorajam esperança, fé, resiliência, cuidado e segurança. Neste mesmo texto usei o termo “desafio” e tentei ao máximo evitar a palavra “problema”. Isso tende a apaziguar as pessoas de formas inimagináveis. As palavras ativam reações automáticas e nem sempre racionais ou conscientes. Por isso, recomendo não usarmos palavras como as que tenho ouvido como “atípico”, “excepcional”, “desastre” ou “pânico”. São esses gatilhos emocionais que disparam o cortisol e a ansiedade e o stress. Tenho, por exemplo, usado muito o termo técnico “covid-19” e não “coronavírus”, justamente porque o primeiro é uma sigla que não dispara uma reação emocional tão forte quanto o segundo. Fique atento ao poder das palavras!

7. Tenha um ombro amigo
Você não deve carregar o mundo nas costas. A situação incita decisões rápidas e sábias, novas formas de encarar a vida sem prejudicar parceiros, e novas formas pensar de forma global enquanto protegemos a família. Mas não se isole numa ilha. Tenha aquela pessoa amiga em quem confiar medos e dores. Não propague pânico, mas não deixe o medo se propagar em você. Tenha o seu psicólogo ou mentor ao lado (virtualmente) e continue a linha de comunicação com eles. E, sobretudo, não abandone as pessoas: seja o ombro amigo de outros que possam precisar.
 
No fim, tudo se resume a uma coisa: enfrentarmos com a cabeça erguida esse momento desafiador e ajudarmos aqueles que amamos e até os desconhecidos a também erguerem suas cabeças.
 
Sam Cyrous é psicólogo (CRP 09/8178), logoterapeuta, psicoterapeuta de casais e família, StoryTeller e curador do TEDxGoiânia.
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por Sam Cyrous

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