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15ª Parada LGBT espera receber 60 mil pessoas

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03.09.2011 - 13:39:03


Raisa Ramos


"Não é carnaval, é um evento completamente político". Assim, Beth Fernandes, presidente da Associação de Travestis e Transexuais de Goiás (Astral-GO), define a 15ª Parada do Orgulho LGBT de Goiânia, que será realizada nesse domingo (4/9), a partir das 17h30. A concentração, que será feita na Praça Cívica, estava marcada para o meio-dia, mas por conta do calor escaldante e da baixa umidade do ar, a organização achou melhor iniciar o circuito só depois que o sol baixar. Algumas autoridades políticas confirmaram presença e devem chegar ao local por volta das 15h. "Este ano, nossa divulgação foi fraca porque não tivemos apoio financeiro político. Na hora da parada, quero ver vereador ou deputado me pedir para subir no trio elétrico. Não vou deixar!", esbraveja Beth sem papas na língua, a responsável pelo evento, cujo tema desta edição é homofobia.

Nas redes sociais, alguns participantes do desfile sofreram ameaças de agressão para o momento da reivindicação. Essas atitudes discriminatórias só provam o quão urgente deve ser a discussão de políticas públicas para a comunidade LGBT goiana. As vítimas do preconceito já prestaram queixa na polícia e tomaram as devidas precauções. "A Segurança Pública do Estado está do nosso lado e vai ajudar", tranquiliza Beth. Nesse quesito, o público não precisa se preocupar. No que diz respeito ao trânsito, a AMT, que tinha se recusado a trabalhar no domingo, mudou de ideia e resolveu contribuir também. "Achamos que o local e o horário escolhidos não são os mais apropriados, mas estaremos lá", declarou o presidente da Agência Municipal de Trânsito, Miguel Tiago.
 
Alegria e economia
Apesar de alguns problemas, a organização garante que, de resto, tudo está correndo perfeitamente bem, "graças a Deus", complementa a presidente. Todos os anos, a concentração é feita no Parque Mutirama da Capital. Por conta das reformas, contudo, a largada foi transferida para a Praça Cívica. Moradores próximos ao lugar fechado para obras ficaram tristes com a mudança e ligam quase todos os dias para Beth, lamentando. "Eles gostam de ver. Ficam na porta das casas esperando a gente passar. Mas não tem como, né. Lá está interditado", conta.
 
Cinco carros estão confirmados no trajeto e a presidente da Astral comemora os hoteis lotado na cidade, bem como os bares e restaurantes do Centro. "A sociedade empresarial não tem discutido isso, não tem consciência da injeção de dinheiro que proporcionamos. Nós gostamos de gastar. O dono de uma lanchonete me contou que fatura R$ 2 mil a mais por noite na época da Parada. É um evento turístico", discute Beth. E é mesmo. Para o evento, quatro ônibus de Minas Gerais e três de Brasília chegaram na sexta-feira (2/9) e foram direto para o Miss Drag Queen 2011, que aconteceu no Centro Cultural Martim Cererê.

Ao todo, cerca de 60 mil pessoas são esperadas para fazer um percurso de aproximadamente duas horas de duração: o grupo sai da Praça Cívica, desce a Avenida Araguaia, passa pela Paranaíba e sobre a Tocantins, voltando para o ponto de largada. "Quando acabar, não precisa ir todo mundo embora de uma vez, não. Pode demorar um pouquinho ali que ainda dá tempo de voltar pra casa, tomar banho e assistir o Fantástico", finaliza Beth, fazendo graça.

 
Direitos
Homofobia foi um bom tema escolhido para a 15ª edição da Parada, tendo-se em vista o contexto social vivido pela sociedade, não só goiana, mas de todo o Brasil. Apesar de a comunidade LGBT ter conquistado o direito ao reconhecimento por parte da Justiça da união estável homossexual, a lei contra a discriminação contra homossexuais não está tão fácil assim de ser aprovada. Integrante do movimento estudantil Colcha de Retalhos, Fernando Matos lamenta: "Não acho que estamos próximos de aprovar a lei. É muita barganha política, negociatas políticas. Não existe o interesse por parte das autoridades em aprovar um projeto como este [PLC-122], ainda mais com o aumento da bancada evangélica". 
 
"Desistir nunca" parece ser o lema desse grupo, que, apesar do sofrimento, da violência física e verbal, e da exclusão social, encontra forças para lutar e exigir dias melhores. O artigo 5º da Constituição Federal diz que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade". O que a comunidade LGBT pede, portanto, não são concessões ou favores das outras pessoas. O que querem é só a prática dos direitos que a Constituição garante a eles, mas que, por algum motivo, não estão sendo cumpridos.
 
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por Redacao Jornal

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