Michelle Rabelo
Quatorze inquéritos que tratam, principalmente, sobre a degradação do Rio Meia Ponte e Ribeirão João Leite serão enviados nesta quarta-feira (30/11) para o judiciário. A Delegacia do Meio Ambiente (Dema) investigou os crimes ambientais que tratam de desmatamento, poluição, construções em locais próximos a mananciais, impedimento de regeneração da área das nascentes e impactos diversos. Esta, que é a 3º operação de proteção das águas, estava dentro do planjamento de 2011.
De acordo com Luziano de Carvalho, delegado da Dema e responsável pelas investigações, vários casos foram analisados. Em Anápolis foi encontrada uma grande área desmatada. Em Goianápolis, uma voçoroca, que segundo Luziano, pode começar a “engolir” a cidade ainda este ano. O impacto negativo aconteceu principalmente nas áreas da bacia do João Leite, que influenciam diretamente na qualidade do abastecimento de água.
Na capital, vale o Plano Diretor criado em 2007, que diminuiu de 50 para 30 metros a distância mínima entre a margem e as construções. As exceções são Anicuns, Meia Ponte e João Leite, com limite mínimo de 100 metros. A área onde situa-se o loteamento Celine Park nas margens do Macambira e a que comporta as futuras instalaçãoes do Shopping Passeio das Água – em área de preservação permanente do córrego Carreirinha estão na lista de construções irregulares.
Na opinião do delegado, aquele que causar dano ao meio ambiente deveria ter como obrigação reparar um outro local. “Seria uma espécie de compensação. É preciso conscientizar a população de que meio ambiente é um patrimônio público, e que sua preservação garante o bem comum”, afirma.
A Polícia Civil formalizou os procedimentos e aguarda posição do Ministério Público. Vão ser indiciadas pessoas físicas e jurídicas da capital e das cidades de Anápolis, Campo Limpo, Goianápolis, Ouro Verde, Senador Canedo e Terezópolis.
APA João Leite
Desativado há quatro anos, o Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental APA João Leite foi reativado nesta quarta-feira (30/11). O Conselho, criado para cobrar uma sociedade participativa na gestão da proteção do ribeirão conta com 36 instituições, dos setores privado e público. O encontro aconteceu no auditório da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), no Setor Leste Universitário, em Goiânia.
O objetivo, de fato, é criar um espaço democrático para discussão sobre as atividades que podem ou não ser desenvolvidas na região, assim como a viabilidade e o impacto sobre os assuntos ambientas. A APA do João Leite envolve os municípios de Goiânia, Goianápolis, Nerópolis, Terezópolis de Goiás, Anápolis, Campo Limpo de Goiás e Ouro Verde de Goiás.