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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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O Campeonato Goiano não emociona mais

Campeonatos regionais perderam o fascínio | 20.01.12 - 10:40

O Campeonato Goiano de Futebol começa nesse final de semana e eu não estou nem aí. O problema é o vício e a crise de abstinência futebolística que me arrebatam sempre após o final do Campeonato Brasileiro. Ai, você sabe: na seca a gente faz cada bobagem... Eu vou assistir ao jogo do Goiás contra a Aparecidense no domingo, mas sem nenhuma convicção ou sentimento. Tipo quando você pega aquela mulher que não quer mais pegar, só pela função do dever. Na maioria das vezes, a ressaca moral é avassaladora. E mesmo assim a gente repete o erro. Então, às 17 horas estarei na Serrinha somente para alimentar o pior dos meus vícios (o futebol) e com zero de coração envolvido.

Os campeonatos regionais perderam seu charme e glamour há, chuto, cerca de 20 anos. Até o final dos anos 1980, eles ainda exerciam fascínio. Creio que a mística acabou quando o Botafogo ganhou do Flamengo a final do Cariocão de 1989 e colocou fim na fila de 21 anos sem títulos do time da estrela solitária. Esse foi o último lampejo de emoção nos campeonatos estaduais. A Copa do Brasil ganhou o espaço de interesse, de rivalidade e de sede de títulos dos times ditos pequenos. É possível para um clube sem o peso da tradição de paulistas, cariocas, mineiros e gaúchos sonhar com o título do campeonato nacional de mata-mata e a cobiçada vaga na Libertadores da América. Os exemplos disso são fartos. De Paulista a Juventude, para ficar só nos que a memória trouxe primeiro.

Para dar uma noção clara do que eu estou dizendo, pergunte a torcida do Goiás qual é o maior sonho para 2012: volta à série A do Brasileirão ou o título do Goianão? Pergunte a do Vila Nova se quer voltar à série B ou o título do Goianão? Pergunte a do Atlético se quer uma boa campanha na série A ou o título do Goianão? Pois é...  

Os times do interior também não se importam tanto assim com o campeonato regional, talvez com exceções ao Itumbiara e ao Crac de Catalão (embora esses dois times sejam movidos mais por interesses políticos do que futebolísticos). Nos estádios do interior do estado, só existe a certeza de arquibancadas às moscas na maioria dos jogos e partidas deprimentes dentro de campo. Infelizmente isso é o que impera.

Seria muito mais interessante se a CBF criasse outra liga nacional, a série E, para dar agenda e possibilidade de renda para essas equipes o ano inteiro. Teríamos mais emocionante e os times contariam com um calendário quase anual, não ficando restritos somente aos campeonatos regionais. Com isso poderiam apostar nas transmissões de TV regionais, nos contratos de publicidade de alcance localizado, na criação de uma identidade da população local com o clube de sua região.

Mas quem não tem cão, caça com gato, não é mesmo? Já que a solução para minha crise de abstinência futebolística é o Goianão, vai de Goianão mesmo. Quem tem fome não reclama do prato. E eu estou com fome de bola. Mesmo que a bola seja meio murcha, quero assim mesmo.  Então agora é: Vai pra cima deles, Verdão!!!


Comentários

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  • 24.01.2012 04:19 Orlando Sá

    O futebol voltará a ser fascinante novamente, quando os salário forem menos importantes do que a vontade de jogar, seja em qualquer time.

  • 24.01.2012 01:56 Flávia Cristina

    Fiquei feliz de ter lido seu texto após o ínicio do campeonato goiano, q foi sim recheado de gols e ótimas jogadas.Sou nova nesse negócio chamado futebol e ainda tenho a emoção no coração e levo meus filhos pequenos comigo nessa e a alegria q eles tem em participar já me basta! Valeu Dragão!

  • 20.01.2012 11:23 ismaildo

    o ditado é: "quem não tem cão, caça como um gato". falei?

  • 20.01.2012 07:10 Raphael

    Eu vou pela cerva gelada, pelo espetinho e pelo amendoim...

  • 20.01.2012 05:10 Rodrigo Hirose

    Pois eu sou um apaixonado no campeonato regional. É aí que nasce, floresce e fortalece a rivalidade, combustível da paixão futebolística. Vencer um grandalhão de fora (como o Vila vez em 2008 sobre o Cortinthians, por exemplo) dá orgulho, mas felicidade mesmo ocorre quando vencemos os verdes. E vejo o mesmo do outro lado.

  • 20.01.2012 11:09 Almiro Marcos

    "e com zero de coração envolvido." Duvido quanto a isso. No domingo à 17 horas também estarei lá e imaginando não levar qualquer emoção nem expectativa para a Serrinha. E será impossível. Afinal é com expectativa e almejando alguma emoção que somos movidos com relação ao futebol. Porque torcedor é mesmo assim. Vamos prontos para lamentar o gol perdido, xingar o juiz e extravasar com o balançar das redes. E, esmeraldinos que somos, que a gente se encontre por lá!

  • 20.01.2012 11:00 NEWTON CASTILHO

    VERDÃO? PRA CIMA DELES? PODE ATÉ SER... MAS FICARÁ INERTE DIANTE DO DRAGÃO! PARABÉNS PELAS REFLEXÕES FUTEBOLÍSTICAS.

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