Michelle Rabelo
Cerca de 400 pessoas estão acampadas no pátio da unidade Arroz e Feijão da Embrapa, na GO-462, em Santo Antônio de Goiás. Os ocupantes são integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e chegaram às 5 horas da manhã em vários ônibus, dos quais desceram mulheres, homens e crianças.
As atividades administrativas foram paralisadas e o prédio desocupado. Segundo o sargento Oswaldo Antônio, comandante-geral da PM de Santo Antônio de Goiás, a manifestação é pacífica.
O protesto faz parte da Jornada de Lutas das Mulheres Camponesas 2012, que reúne militantes da Via Campesina, composta pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) entre outros. A ocupação deve durar uma semana pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo dia oito.
O jornal AR não localizou nenhum dos integrantes para mais esclarecimentos. No site do MST, o grupo explica que o objetivo da ação é denunciar o capital estrangeiro na agricultura e as empresas transnacionais. "A intenção é chamar a atenção da sociedade para destruição do meio ambiente e as ameaças à soberania alimentar do país impostas pelo agronegócio", diz o texto.
Os trabalhadores pedem a manutenção da Embrapa 100% pública, já que para eles, o órgão tem priorizado a pesquisa para os grandes empresários e o agronegócio, incentivando o uso de agrotóxicos.
Completam a lista de exigências dos integrantes a destinação de terras para a reforma agrária, o fim do latifúndio com a garantia de recuperação e preservação da biodiversidade. Os trabalhadores querem ainda uma audiência com o ministro da Agricultura Mendes Ribeiro Filho, para discutir um programa de pesquisas para a agricultura familiar camponesa agroecológica e a contratação de novos pesquisadores.
Em nota, a Embrapa divulgou que, dentre as providências tomada, foi registrada ocorrência policial visando a garantia da ordem. Objetivo é evitar que pessoas sejam prejudicadas e garantir a preservação do patrimônio público.
Além disso, a empresa promoverá a competente ação judicial com objetivo da reintegração de posse e garantia do direito constitucional de ir e vir e de acesso.