Larissa Lessa
Um sistema de compras online de insumos para os hospitais administrados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) será implantado na primeira quinzena de dezembro. O anúncio foi feito nesta manhã pelo secretário da Saúde, Antônio Faleiros, que voltou hoje ao trabalho depois de se submeter a uma angioplastia na última quinta-feira (24/11). A medida é uma resposta da Secretaria às denúncias de falta de insumos nos hospitais públicos geridos pelo Estado e à burocratização das compras feitas pelo Estado para suprir os hospitais.
Segundo Antônio Faleiros, em até 40 dias as compras da Secretaria serão feitas por meio da plataforma online Publinexo, da empresa Bionexo, que terá 9 mil fornecedores cadastrados. A secretaria assegura que as compras via plataforma atendem à Lei de Licitações. A contratação do serviço, explicou o secretário, foi necessária depois do fim do Fundo Rotativo, após denúncia do Ministério Público e afastamento dos diretores dos hospitais envolvidos na utilização indevida da reserva.
“As deficiências dos hospitais têm relação com o fundo rotativo. A partir do momento que você pode comprar rapidamente, [o fundo rotativo] era uma solução boa, mas ilegal. Quando acaba o fundo, você passa para a estrutura da Secretaria. Para suprir uma empresa tão grande e complexa como são os hospitais, a coisa é bem diferente e complexa”, explicou o secretário. Segundo ele, há mais de 111 processos de compra sem conclusão na Secretaria de Saúde. “Abrimos 26 processos em fevereiro para compras emergenciais. Até agora não conseguimos fazer nenhuma dessas compras”, declarou. Além da Bionexo, outras duas empresas foram contratadas pela SES, uma para realizar assessoria administrativa e outra para fiscalizar as Organizações Sociais.
Falta de suprimentos
Faleiros afirmou que o problema de insumos no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) “já foi superado”, com a compra de mais de R$ 6 milhões em materiais hospitalares. O secretário reconheceu a falta de profissionais nas unidades de saúde, mas creditou a deficiência à falta de médicos especializados em determinadas áreas. Ontem, trabalhadores da Saúde realizaram uma manifestação em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira, sede da adminstração estadual, na qual denunciaram falta de insumos e profissionais nos hospitais estaduais.
Direção do Hugo
Ontem o governador Marconi Perillo anunciou que Ivânia Fernandes, titular do Gabinete de Gestão e Interlocução com os Movimentos Sociais, passará a acumular o cargo de diretora geral do Hugo. Formada em administração, Ivânia foi secretária de Saúde e prefeita de Matrinchã, no Vale do Araguaia. Rebatendo às críticas por Ivânia não ser médica, o secretário informou que apenas no cargo de diretor técnico a formação em medicina é obrigatória. “Foi escolhida uma gestora, a primeira mulher que não é médica a administrar o Hugo. É uma quebra de paradigma que pode, e eu acredito, que dará certo. O que interessa é a competência dela”, disse.
Recebimento de propina
Sobre a
denúncia do Ministério Público feita ontem (29/11) a uma funcionária da SES e outras três pessoas por esquema de propina para “furar” filas de cirurgia do Hugo, o secretário afirmou que será aberta uma sindicância, com espaço para que a funcionária se defenda. Caso a denúncia seja comprovada, a servidora poderá ser exonerada.
Organização social
Em seu retorno ao cargo, Faleiros novamente defendeu a gestão dos hospitais por Organizações Sociais, que, segundo o secretário, são a solução para o fim da burocracia na Saúde. “Eu gostaria que todos os hospitais públicos tivessem uma modernidade adminstrativa igual aos hospitais particulares. Queremos que todo cidadão seja bem atendido, seja por um funcionário público ou de empresa privada”, afirmou. Segundo ele, a contratação da empresa que vai gerir o Hospital Geral de Goiânia (HGG) já está em fase final.
Cirurgia
Antônio Faleiros afirmou que a cirurgia realizada na última quinta-feira (24/11) para a colocação de stents cardíacos, após ter sofrido crise de angina aguda foi bem sucedida. Nota divulgada pelo Hospital Santa Helena, onde Faleiros se internou, informa que o estado de saúde do secretário evoluiu sem complicações. Questionado sobre o fato de ter feito a cirurgia em um hospital particular, Faleiros reconheceu os problemas no atendimento do Sistema Único de Saúde. “Gostaria que o atendimento que tive todos os dependentes do SUS tivessem”, afirmou o secretário.
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