Jales Naves
Especial do jornal A Redação
Goiânia – Queijeira que aprendeu com a mãe, Sebastiana Cardoso Naves, conhecida com Taninha, os segredos de uma produção artesanal e mantém a qualidade da marca “Carranca”, queijo de Minas muito apreciado, que começou há pouco mais de 60 anos com uma receita caseira e tem excelente aceitação no mercado, Bernadette Naves Carvalho Costa busca novos espaços para o produto. Já com o selo de qualidade regional e aguardando o selo nacional para circular para todo o país, dedica especial atenção ao gado girolando que mantém em seu plantel e introduz uma nova raça, a Gersey, em sua fazenda em Abadia dos Dourados, MG, de 100 hectares.
Filha única e desde criança acompanhando a mãe nessa atividade, tomou gosto pela produção de queijos, sempre acompanhou todo o processo de produção e manteve a tradição familiar. Em 2017 fez um curso na área, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e, ao final, na prova, a professora a chamou num canto e lhe disse: “Bernadette, esqueça tudo que aprendeu aqui. Continue a produzir o que você faz tão bem, a receita da sua mãe, um queijo saboroso”. Sebastiana criou seu queijo a partir de modelos que o marido Antônio de Carvalho levou de Iguatama, MG, primeira cidade banhada pelo rio São Francisco e de tradição na pecuária leiteira, onde ele nasceu e a família atuava na área.
Bernadette continuou o trabalho da mãe (foto: arquivo pessoal)
Carranca, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, é uma obra de arte que possui uma história única e significado cultural. As esculturas, encontradas principalmente em embarcações fluviais do rio São Francisco, servem como amuletos protetores contra os perigos das águas. Tem formato humano ou animal, cada uma com características distintas, que refletem a criatividade dos artistas que as criaram.
Família
Uma mulher guerreira e determinada, que trabalhou muito na fazenda, no plantio de lavouras e na criação de gado leiteiro, em torno de 500 vacas, Sebastiana Cardoso Naves aprendeu desde cedo a enfrentar as mais diversas situações: capinou e plantou milho e feijão, guardando os cereais em carros de boi; criou porcos e galinhas, que tratava com o milho que plantava; e sabia o momento de separar as vacas das bezerras, para reposição, e venda dos bezerros, normalmente no mês de maio. Era administradora, tinha visão de negócios e dos cuidados com a terra; certa vez, foi ao Banco do Brasil, conseguiu financiamento para adquirir trator, contratou tratorista e sempre mandava os peões para os treinamentos oferecidos pelo Sindicato Rural.
Taninha dedicou-se mais a tirar leite e desenvolveu um tipo de queijo que agradou, aperfeiçoou sua produção e o tornou um produto de grande aceitação. Sua filha Bernadette tinha 11 anos quando o pai faleceu, em 1971, aos 57 anos, e essa circunstância a aproximou mais de sua mãe, passaram a trabalhar juntas e a dar sequência às suas rotinas. Depois a filha se mudou para Monte Carmelo, MG, cidade onde foi registrada, pois nasceu em Abadia dos Dourados. A mãe faleceu com 61 anos, em 1991.
Em função desse ritmo de vida Bernadette não estudou, casou-se nova, com Antônio Costa, natural de Monte Carmelo, pecuarista, e tiveram um casal de filhos: Antônio Augusto, veterinário, que se casou com Yasmin Gomes Aguiar, com quem tem um casal de filhos: Francisco Aguiar Naves Costa e Ester Aguiar Naves Costa; e Rachel Lima Costa Naves Carvalho, que trabalhou na cooperativa de crédito Sicoob e hoje atua com a mãe, casou-se com Marcus Vieira Pereira Júnior, e têm uma filha, Maria Antônia Naves Costa Pereira.