Ludymila Siqueira e Adriana Marinelli
Goiânia- “O jovem busca gestão democrática, liderança e empreendedorismo. Isso o cooperativismo oferece para quem estiver disposto a entrar no jeito coop de ser”. É o que afirma o cooperativista e secretário administrativo do recém criado Comitê de Jovens do Sistema OCB-GO (Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás), Victor Emannuel, de 25 anos. Ele, que faz parte de uma cooperativa de bordados artesanais, a Bordana, localizada no Conjunto Caiçara, em Goiânia, apostou no ‘jeito coop’ há 12 anos e passou de alguém sem experiência no ramo para o posto de gestor de marketing no negócio. Negócio que, segundo ele, se mostrou bem mais vantajoso que os modelos “tradicionais” de empresas.

Victor Emannuel fazendo o planejamento de marketing na cooperativa Bordana (Foto: arquivo pessoal)

(Foto: A Redação)

(Foto: A Redação)
“O número de cooperados tem crescido, em média, 15% ao ano. Um dos desafios é atrair cada vez mais jovens para o modelo cooperativista e, por isso, temos trabalhado em estratégias para conquistar e representar esse público dentro da OCB-GO”, pontua.
Coordenadora do Comitê, Erica Alves destaca a Comissão como uma forma estratégica da OCB-GO para chamar a atenção do público jovem para o modelo cooperativista. “Uma forma de dar maior respaldo para que possamos conseguir mais benefícios e maior representatividade aos jovens junto à OCB-GO”, pontua. Para ela, é uma maneira convidativa de mostrar que esse público pode caminhar e participar junto ao Sistema. “O movimento está aberto para receber todos os jovens que querem se tornar cooperados”, comenta a coordenadora.

Coordenadora do Comitê de Jovens da OCB-GO, Erica Alves (Foto: arquivo pessoal)
Costumamos dizer que mesmo antes do início da cooperativa
os trabalhos já eram dedicados para o bem de todos da comunidade”

O Victor Emannuel, secretário administrativo do Comitê de Jovens do Sistema OCB-GO, considera que atualmente os adultos jovens não se encaixam mais no modelo das empresas tradicionais por estarem, na avaliação dele, “mais abertos e terem maior acesso às informações sobre o mercado e economia do País”.
Sendo assim, em maioria, segundo Victor Emannuel, esse público formado por adultos jovens pretende ser dono do próprio negócio e ter participação ativa em temas sociais. “Estamos tendo um bônus demográfico, ou seja, a maioria da força de trabalho é jovem. Eu vejo isso como uma oportunidade desse grupo conhecer e aderir ao modelo cooperativista. A participação de jovens nas sobras econômicas são de grande valia para o nosso Brasil”, afirma.
Protagonismo jovem: uma ideia a se integrar
Rafael de Oliveira, de 29 anos, trabalha na cooperativa mista dos produtores de leite do município de Morrinhos, a Complem. Ele atua no segmento de armazenagem de grãos.
Cooperativa agropecuária da Complem em Morrinhos (Foto: Divulgação)
agregação e valores para o País”
(Rafael de Oliveira, cooperativista na Complem)
Presidente da OCB-GO, Luís Alberto Pereira compartilha do mesmo pensamento de Rafael. Na visão dele, o público jovem tem impulsionado a inovação dentro do cooperativismo goiano, independente do segmento. “Trabalhamos para isso. Hoje temos vários treinamentos e programas, inclusive temos uma diretriz clara e um espaço exclusivo para inspirar a inovação no cooperativismo – o InovaCoop”, ressalta Pereira.
Cooperativista e colaboradora do Sicredi Celeiros Centro-Oeste, Vanessa Marques, de 28 anos, trabalha na cooperativa de crédito há quase um ano e meio, mas já atuou por outros 5 anos no grupo Sicoob. Ela é mais um exemplo da força do jovem no mercado.
Vanessa conta que o modelo de cooperativas sempre atraiu a atenção dela, pela forma de relacionamento com os associados e colaboradores, que se diferencia dos bancos tradicionais. “Isso me influenciou a apostar no negócio, porque gosto muito desse lado humano que as cooperativas trabalham”, salienta Marques, que atua na linha de crédito agropecuário do Sicredi.
Vanessa comenta, inclusive, “o lado humano do cooperativismo” como uma das vantagens de apostar no mercado de crédito. “Na comunidade podemos ver muito o valor agregado, que é a economia, o fomento e desenvolvimento da economia local”, salienta.

Vanessa Marques em visita técnica pela cooperativa de crédito da Sicredi (Foto: arquivo pessoal)
Sem medo de errar: uma fonte de renda para todos os gostos
De maneira geral, a linha de crédito é o ramo mais conhecido do cooperativismo, mas o mercado é bem mais amplo que isso. Dentre as diversas oportunidades de investimento estão os setores agropecuário, de consumo, crédito, infraestrutura, saúde, bens e serviços e transporte.

Ramos do cooperativismo: agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, bens e serviços e transporte (Foto: A Redação)
Coordenadora do Comitê de Jovens da OCB-GO, Erica Alves garante que o cooperativismo é um negócio altamente rentável. Por ser um modelo que trabalha em conjunto, faz com que naturalmente a participação de mercado também seja vantajosa.
com a participação de todos para um bem comum, então só fortalece”
(Erica Alves, cooperada e diretora da Cooperabs)
Como funciona
Dentro das cooperativas a divisão financeira é definida no momento da fundação do negócio, em que os membros decidem entre si como será a participação financeira de cada um. Costuma funcionar da seguinte maneira: por meio de uma assembleia, é combinada a forma mais justa de retorno econômico entre todos. Por exemplo, no segmento de bens e serviços a distribuição da renda costuma ocorrer pelo tempo dedicado de contribuição e resultados na cooperativa dentro do mês, conforme explica Victor Emannuel.

Victor Emannuel e parte da equipe da cooperativa Bordana (Foto: arquivo pessoal)
O formato pré-estabelecido de divisão de lucros é um dos pontos que têm atraído os jovens para o modelo, segundo Victor Emannuel. “Mesmo que ainda não tenhamos os dados fechados, tem sido notável o crescimento das cooperativas goianas durante a pandemia do novo coronavírus. Isso pode ser considerado um dos fatores para o jovem não ter medo de apostar no modelo cooperativista”, acrescenta o secretário administrativo do Comitê de Jovens.

Cooperados e Colaboradores da Cooperabs – Produtos Cará (Foto: arquivo pessoal)

Equipe da cooperativa de bordados artesanais Bordana (Foto: arquivo pessoa)