São Paulo – No próximo dia 27 é celebrado o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto. E, para marcar a data, foi lançada nesta quinta-feira (22/1), no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto de São Paulo, uma pesquisa que apontou que a maior parte dos brasileiros (59,3%) já ouviu falar do Holocausto, mas somente metade deles (53,2%) soube defini-lo corretamente.
“A conclusão principal que a gente está tirando dessa pesquisa é que tem uma grande parcela da população brasileira que não sabe exatamente o que foi o Holocausto. O termo pode ser conhecido, mas os detalhes não. Isso é muito importante nos dias de hoje, porque a gente está vivendo um momento em que o discurso de ódio está circulando muito pelas redes sociais. Os jovens estão consumindo muito conteúdo com apologia ao nazismo e com banalização do Holocausto”, destacou Hana Nusbaum, gerente de Educação da Stand WithUs Brasil.
De acordo com o estudo, o conhecimento sobre o Holocausto se mostra ainda mais frágil quando são analisados elementos específicos sobre o tema, como o reconhecimento de que Auschwitz-Birkenau foi um campo de concentração e de extermínio do povo judeu, o que foi feito por apenas 38% dos entrevistados.
“Os holocaustos foram prioritariamente judeus, mas não apenas. Toda essa população LGBT da época foi condenada, prisioneiros políticos foram condenados, testemunhas de Jeová. Ou seja, essa história não é uma história judaica. Os judeus foram os mais vitimados, mas ela vai além disso e por isso que a gente tem um esforço muito grande de marcar essa data para que isso não aconteça com mais ninguém”, ressaltou Sergio Napchan.
Escolaridade
A pesquisa também demonstrou que a principal fonte de conhecimento sobre o tema é a escola (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%) e a internet e as redes sociais (12,5%).
Os museus, memoriais e instituições especializadas foram citados por apenas 1,7% das pessoas, o que indicou baixo acesso a espaços formais de memória.
Para Carlos Reiss, diretor do Museu do Holocausto de Curitiba, esses dados reforçam a importância da educação e da cultura para o conhecimento sobre esse episódio. “O museu tem um papel fundamental na construção dessa memória. A gente acredita muito na responsabilidade social dos museus e em uma museologia social que presta serviço para a sociedade, que se envolve nas pautas públicas e que se coloca contra os discursos de ódio, a violência, o racismo, a homofobia e a violência contra a mulher”, defende.
Para Hana Nusbaum, a educação é elemento fundamental para combater o ódio e a violência que poderiam resultar em episódios como o Holocausto. “Quando os alunos brasileiros compreendem o que foi o Holocausto, isso fortalece justamente a formação cidadã deles. O sobrevivente Gabriel Waldman, quando é chamado para falar sobre isso, fala que está na sala de aula ‘para vacinar os alunos contra o ódio’. E é justamente isso que a gente precisa promover no ensino do Holocausto nas escolas brasileiras”, ressalta.
Sergio Napchan também destaca o papel da educação para o combate aos genocídios no mundo. “Se você educar, se você falar, se você marcar, se você significar e der significado do que representou e o que não pode mais acontecer, queira Deus que a gente consiga trabalhar com a premissa de que nunca mais vai acontecer. A gente não garante nada. O mundo anda confuso. Mas queira Deus que fazendo isso, estaremos fazendo a nossa parte”, afirma.
Pesquisa
Intitulada de Conhecimento sobre o Holocausto no Brasil, a pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo Ispo, a pedido da Conib, do Memorial do Holocausto de São Paulo, do Museu do Holocausto de Curitiba e da Stand WithUs Brasil.
Os dados começaram a ser coletados em abril do ano passado e se estenderam até outubro, ouvindo 7.762 pessoas de 11 regiões metropolitanas do país, com exceção da Região Norte. Segundo os pesquisadores, o estudo ainda será expandido para outros locais do país, inclusive para cidades do Norte do país. (Agência Brasil)
