O técnico Muricy Ramalho negou nesta terça-feira, um
dia antes da estreia do Santos no Mundial de Clubes da Fifa, que tenha
entrado em atrito com o lateral-esquerdo Léo. O jogador não esconde o
seu descontentamento por não estar sendo usado como titular da sua
posição, que vem sendo ocupada pelo zagueiro Durval, improvisado no
setor.
O comandante desconversou ao ser questionado sobre uma possível briga
que teve com Léo após o empate por 1 a 1 com o Bahia, na Vila Belmiro,
pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, mas lembrou que precisa
ser respeitado como técnico da equipe. “Nem me lembro do que aconteceu
no jogo contra o Bahia. Não me lembro. Respeito demais jogador, só
determino as coisas e assim tem que ser”, avisou o comandante, antes de
lembrar que não costuma ceder a pressões exercidas por atletas dos times
que comanda.
“Discutir com o jogador é difícil, pois não dou essa chance ao jogador.
Respeito muito o Léo, ele saiu do time porque teve uma contusão um pouco
séria, e continua com dificuldade com a contusão, pois não tem
treinado, mas o meu relacionamento com ele é perfeito, muito tranquilo. É
um profissional correto, renovou contrato e, se eu tivesse problema com
ele e não me interessasse, não teria renovado”, enfatizou.
Léo, que firmou novo compromisso para atuar no Santos até o final de
201, lesionou o joelho direito após sofrer uma pancada durante uma
atividade no último sábado e acabou ficando fora do treino realizado
nesta segunda-feira no Japão. E realmente deverá estar entre os reservas
no duelo desta quarta, contra o Kashiwa Reysol, pela semifinal do
Mundial.
Irritação
Outro momento delicado na entrevista coletiva desta
terça-feira se deu quando o zagueiro Edu Dracena foi questionado sobre o
que achava de o técnico Guardiola ter liberado a presença das mulheres e
filhos dos jogadores no hotel em que o Barcelona está concentrado no
Japão, diferentemente do que acontece com o Santos. Muricy pediu a
palavra para também responder a pergunta sobre o assunto e mostrou um
pouco de irritação ao comentá-lo. O destempero de Muricy, em parte,
ocorreu pelo fato de que ele acabou sendo criticado por liberar passeios
dos atletas do Santos em Nagoya e ter chegado a cancelar um treino no
domingo, quando os jogadores foram assistir a um espetáculo do Cirque Du
Soleil.
“É bonito nos outros. Quando acontece com a gente, se ganhar é beleza.
Senão vocês (jornalistas) vão arrebentar o cara que faz isso, as
mulheres deles, todo mundo. Pelo resultado vocês vão dar a opinião. É
assim que acontece”, afirmou o técnico.
Já Edu Dracena adotou tom mais ameno ao comentar os diferentes tipos de
concentração adotados por Muricy e Guardiola. “Eu acho isso que já é uma
cultura do europeu, que já estão acostumados a esse tipo de situação.
Levam não só as esposas como os filhos. Isso deixa o jogador mais
relaxado, mais tranquilo. No Brasil é até mais difícil uma situação
dessa. É uma coisa cultural”, completou.
(Agência Estado)