Larissa Lessa
O mercado imobiliário na Grande Goiânia deve continuar aquecido em 2012, segundo previsão do presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Ilézio Inácio Ferreira. O presidente estima que neste ano haja aumento de mais de 10% nas vendas de unidades habitacionais em Goiânia e Aparecida de Goiânia em relação a 2011, quando foram vendidos mais de 14 mil imóveis.
Apesar de estar acima da projeção do crescimento da economia para 2012, que foi estimada em 3,3% pelo Banco Central, a expectativa da Ademi é menor do que o crescimento verificado em 2010 (quando foram vendidas 10.512 unidades), que é de cerca de 33%. “Mudou-se o patamar de referência. Se crescermos 10% em comparação a 2011 e anos anteriores, é um número muito bom”, justifica Ilézio Inácio Ferreira, que também é Diretor-Presidente da Consciente Construtora e Incorporadora, fundada em 1982.
Demanda
O presidente da Ademi atribui o crescimento das vendas a uma mudança de hábitos da população, associada a políticas de financiamento mais acessíveis e investimentos no setor de construção civil. Desde 2008, a demanda por habitação cresceu, alavancada pela oferta de recursos, taxas de juros razoáveis e criação do programa Minha Casa Minha Vida, que subsidia a compra de casas, e pela mudança de hábito dos consumidores: mais pessoas estão morando sozinhas, em famílias pequenas ou deixando moradias em situação precária.
Apesar de reconhecer a importância dos programas do governo para o mercado imobiliário, Ilézio defende a independência do mercado. “O subsídio é uma iniciativa louvável, que cria acesso a população de baixa renda, mas se ele não existisse o mercado conseguiria sustentar esse desenvolvimento”, afirma o presidente. Por outro lado, o representante cobra investimentos em infraestrutura necessários ao desenvolvimento do mercado da habitação, como saneamento e eletricidade.
Presidente da Ademi, Ilézio Inácio Ferreira espera crescimento de 10% nas vendas em 2012
Crescimento
O crescimento vertiginoso do mercado imobiliário em Goiânia na última década não assusta o presidente da Ademi-GO. “É um crescimento saudável e sustentável. Dizem que estamos construindo uma bolha, que daqui a pouco não vai haver mais comprador, que o preço está nas alturas, mas não existe nada disso. A demanda é grande por conta do crescimento econômico”, afirma.
Ilézio lembra que, mesmo em caso de crise econômica, o mercado imobiliário consegue se sustentar por mais tempo por ter um “longo tempo de maturação”. “Se não vendemos no lançamento, a venda acontece durante a construção ou no fim da obra”, destaca, reconhecendo que, caso a crise influencie o poder de compra do consumidor, toda a economia pode sofrer problemas. “Mas não vemos nenhuma possibilidade de isso acontecer”, completa.
Para este ano, as apostas da Ademi são os empreendimentos voltados para a classe C, subsidiada pelo programa Minha Casa Minha Vida. “Sem dúvida, produtos voltados para esse faixa de poder aquisitivo vão ter melhores desempenhos”, afirma Ilézio. Outra tendência são as unidades habitacionais construídas para pequenas famílias ou moradores únicos, além dos empreendimentos de luxo, que apostam na modernidade e exclusividade.
Mobilidade
O aumento da quantidade de lançamentos imobiliários em Goiânia levanta outra questão: como aliar o crescimento do mercado imobiliário com a mobilidade urbana na cidade? Em resposta, Ilézio aponta o trabalho desenvolvido pelo Instituto Cidade, organização sem fins lucrativos para estudo e promoção de ações educativas sobre o uso do espaço urbano e pelo Fórum de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana de Goiânia.
Para 2012, o presidente da Ademi destaca a aprovação de três projetos pelo Ministério das Cidades que beneficiam a capital: o Bus Rapid Transit (BRT) no eixo Norte-Sul, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Eixo Anhanguera e Eixos Arteriais nas demais avenidas movimentadas da cidade. O presidente conta que as verbas para a execução dos projetos neste ano já estão asseguradas. O planejamento da mobilidade na cidade, defende, é o principal passo para retirar os carros da rua. “O que causa o problema no trânsito são os veículos, e não os prédios e as casas”, afirma.