Logo

Investimentos estrangeiros no Brasil em 2012 superam expectativas

30.12.2012 - 15:47:57
WhatsAppFacebookLinkedInX

Brasília – Os investimentos de empresas estrangeiras no Brasil voltaram a superar as expectativas e continuaram entrando de forma expressiva em 2012. Em parte, o desempenho do consumo e do emprego em meio à crise econômica internacional explica o interesse das multinacionais no país. No entanto, o forte volume de ingressos tem despertado receios de que parte do dinheiro que deveria gerar investimentos produtivos esteja sendo aplicada em especulações no mercado financeiro.

Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central (BC), os investimentos estrangeiros diretos (IED) totalizaram US$ 59,893 bilhões de janeiro a novembro. O resultado é o segundo melhor para o período, só perdendo para 2011, quando as entradas tinham somado US$ 60,017 bilhões. Mesmo assim, os investimentos das empresas estrangeiras têm superado as expectativas mais otimistas.

Em novembro, o BC projetava a entrada de US$ 3 bilhões de investimentos estrangeiros diretos no país. No entanto, o ingresso no mês passado somou US$ 4,587 bilhões, a ponto de o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, dizer, no dia 18 deste mês, que as “surpresas positivas [no IED] têm sido a tônica do ano”.

O motivo para a desconfiança dos especialistas está nos empréstimos intercompanhias, empréstimos de matrizes no exterior para filiais da mesma empresa no Brasil cuja proporção no IED está aumentando. Esses recursos representaram 18% do total do investimento estrangeiro direto que ingressou no país de janeiro a novembro de 2011. No mesmo período deste ano, a proporção subiu para 20,6%.

“Os empréstimos intercompanhias ocorrem dentro de uma mesma empresa ou conglomerado. São realizados em condições especiais e não existe qualquer acompanhamento por parte do governo onde esses recursos são aplicados”, diz o economista André Nassif, professor de Economia Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Na avaliação do professor, os juros no Brasil, que ainda são altos, apesar da queda observada neste ano, permanecem como atrativos para investidores que querem se aproveitar da diferença em relação às baixas taxas dos países desenvolvidos para fazer especulação financeira. Para Nassif, existe uma boa chance de que os empréstimos intercompanhias estejam camuflando aplicações no mercado produtivo. Um indício disso seria a estagnação do investimento privado observada neste ano.

“Se os investimentos estrangeiros estão batendo recordes, por que a taxa de investimento privado não está se expandindo? Para onde o dinheiro está indo, se a capacidade produtiva não se expandiu em 2012?”, questiona o professor. De acordo com o Ministério da Fazenda, a taxa de investimentos deve encerrar o ano em torno de 18,5% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de bens e serviços produzidos no país –  depois de ter ficado em torno de 20% em 2011.

Para o professor, o próximo ano será decisivo para que a situação seja esclarecida. “Podemos ter uma prova em 2013. Se a economia continuar com baixo crescimento e os investimentos estrangeiros diretos forem mantidos, é porque tem alguma coisa estranha”, avalia.

Apesar da desconfiança de especialistas, o BC não acredita que os empréstimos entre matrizes e filiais representem fonte de preocupação. Os técnicos do órgão avaliam que a taxação do capital estrangeiro previne as operações com fins especulativos. “Os empréstimos intercompanhia só representam uma categoria estatística. Na verdade, eles são tributados com IOF [Imposto sobre Operações Financeiras], como qualquer operação”, disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha.

Atualmente, os empréstimos adquiridos no exterior com prazo de até um ano pagam 6% de IOF quando os recursos ingressam no país. Em relação à participação dos empréstimos intercompanhia no total dos investimentos estrangeiros diretos, Rocha disse não considerar relevante a proporção de 20%. (Agência Brasil)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Adriana Marinelli

*

Postagens Relacionadas
Nova sede
13.03.2026
Goiânia recebe primeira concessionária da Jetour

A Redação Goiânia – A capital goiana recebeu a primeira concessionária da Jetour em Goiás. A unidade foi inaugurada pelo Grupo Ramasa nesta quinta-feira (12/3). O evento de lançamento reuniu imprensa, convidados, colaboradores, parceiros e amigos da marca em um coquetel que marcou a chegada da montadora chinesa à capital. Durante a noite, os convidados […]

DESTAQUE
11.03.2026
Sicoob UniCentro Br anuncia Marco Antônio Brandão como novo diretor de negócios

A Redação Goiânia – Com mais de 26 anos de experiência na área de processos e cooperativas de crédito, Marco Antônio Brandão assume a cadeira da diretoria de negócios do Sicoob UniCentro Br. Na última sexta-feira, 6 de março, foi oficializada, em uma solenidade interna, a posse do executivo, que já havia atuado na instituição, quando […]

Negócios
10.03.2026
Senac Goiás abre vagas para curso especializado em negócios de brechó em Goiânia

A Redação Goiânia – O Senac Goiás abriu vagas para o curso premium sobre “Negócios de brechó – da curadoria ao visual merchandising”, que ocorrerá entre os dias 24 e 31 de março, das 19h às 22h, em Goiânia. As matrículas estão abertas e podem ser feitas pelo site do Senac Goiás. A capacitação exclusiva é […]

Negócios
06.03.2026
Cooperativismo impulsiona liderança feminina em Goiás

A Redação Goiânia – Nos últimos anos, as mulheres têm ampliado sua presença em setores que majoritariamente são dominados por homens, com destaque para o setor agrícola. Atualmente, 686 mulheres ocupam cargos de gestão no cooperativismo goiano. Os ramos com maior número de lideranças femininas são o Agropecuário (202), Saúde (140) e Trabalho, Produção, Bens […]

Comércio
06.03.2026
Indústria alimentícia lidera cadeia de exportação goiana em fevereiro

A Redação Goiânia – A indústria alimentícia lidera cadeia de exportação goiana em fevereiro. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (6/3) pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fieg. O desempenho do superávit comercial de US$205,6 milhões é reforçado pela contribuição da indústria na geração de valor e diversificação da pauta exportadora. Carnes bovinas desossadas […]

ECONOMIA
05.03.2026
Mercado imobiliário de Goiânia supera R$ 8 bilhões em vendas em 2025, aponta Ademi-GO

A Redação Goiânia – O mercado imobiliário de Goiânia voltou a superar a marca de R$ 8 bilhões em vendas de imóveis em 2025, mesmo com juros elevados. Dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) indicam que o setor movimentou cerca de R$ 8,1 bilhões no período, mantendo o patamar recorde […]

Economia
04.03.2026
Sicredi é a primeira cooperativa do País a operar recursos do FDCO

A Redação Goiânia – Após consolidar-se como a instituição financeira privada que mais concedeu recursos pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) em 2025, o Sicredi alcança um novo marco para o cooperativismo brasileiro. Na segunda-feira (2/03), na sede da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), em Brasília, foi realizado o credenciamento do Banco Cooperativo […]

Economia
04.03.2026
Entidades empresariais manifestam apoio às ações da Prefeitura para organização do comércio em Goiânia

A Redação Goiânia – As medidas adotadas pela gestão do prefeito Sandro Mabel para organizar o comércio na região central e Campinas estão recebendo manifestações formais de apoio de entidades representativas do setor produtivo de Goiânia, que encaminharam ofícios à Prefeitura reconhecendo os impactos positivos para o ambiente de negócios e para a cidade. Entre as […]