Goiânia –
2020: o ano que mudou a vida de todo o mundo em razão da covid-19. Com as restrições impostas pelos governos municipais e estaduais durante o período de pandemia, muitas empresas, principalmente os pequenos negócios, tiveram que se reorganizar para manter o funcionamento. Muitas pessoas, infelizmente, ficaram sem emprego e, nesse contexto, a inadimplência ganhou força. Um período difícil para a economia mundial, já que ninguém esperava ou sabia o que estava por vir. Hoje, em setembro de 2022, de degrau a degrau, a retomada vem ganhando espaço, mas o cenário ainda pede cautela.
Conforme destaca a gerente administrativa e financeira da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL), Hélia Gonçalves, os dados apontam que a maior parte dos inadimplentes está concentrada na faixa etária entre 30 e 39 anos. "São idades em que, geralmente, as pessoas têm muitas despesas fixas, como contas de luz, água, telefonia, materiais escolares e escolas para os filhos, entre outras que ocorrem fora do orçamento", pontua.

Gerente administrativa e financeira da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL), Hélia Gonçalves. (Foto: Arquivo Pessoal)

(Arte: Ludymila Siqueira/ A Redação)
Conforme dados do Serasa Experian, 66,6 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em maio, o maior número de devedores desde 2016, quando o levantamento começou. A soma das dívidas chegou a R$ 278,3 bilhões, uma média de R$ 4.179,50 cada.

(Foto: Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil)
Para o economista Aurélio Troncoso, o endividamento no período de pandemia da covid-19 e pós-pandemia foi maior do que seria considerado "normal". Em entrevista ao jornal A Redação, ele explica que esse fator foi em razão das pessoas estarem paradas por conta da suspensão de atividades de diversos setores, o que impossibilitou, de certa forma, a geração de renda. Com isso, o pagamento de algumas contas, que seriam pontuais, não foi realizado, como água, luz, internet, entre outros.

Aurélio ainda pontua que a situação ainda poderia ter sido pior, um verdadeiro colapso de endividamentos e inadimplências no Brasil, caso o governo federal não tivesse criado medidas para ajudar famílias de baixa renda. "O número de endividados aumentou. No entanto, esses fatores auxiliares do governo ajudaram para que não houvesse um problema ainda maior no País. Com o retorno da economia, a população tentou pagar essas dívidas que estavam atrasadas, mas alguns fatores atrapalham esse processo", avalia.
Cartão de crédito: refúgio ou vilão?
Empreendedora, J.P, de 26 anos, se viu endividada após poucos meses de pandemia. À época, a jovem cursava Jornalismo em uma universidade particular de Goiânia. Já na reta final da faculdade, ela trabalhava como estagiária em um órgão público de Goiás, mas não teve o contrato renovado. As contas não paravam de chegar e ela se sentiu em uma verdadeira bola de neve.
"Mesmo com a venda de maquiagens e outros itens de beleza comercializados na minha loja virtual, não conseguia fechar as contas do mês. Até porque, tinha que pagar também a mensalidade do curso de ensino superior, que por diversas vezes ficou atrasada" , ressalta. Ela, que prefere não ser identificada, conta que o "cartão de crédito foi um facilitador para o momento de desespero em que era necessário pagar outras dívidas", mas enfatiza que a conta, literalmente, chegou.

(Foto: divulgação)
A situação da jornalista e empreendedora exemplifica o quadro citado acima pela gerente administrativa e financeira da CDL, Hélia Gonçalves, que apontou o cartão de crédito como um dos principais "refúgios" ou "vilões" dos consumidores.
Hélia explica que os bancos estão no topo do ranking com dívidas ativas de clientes. O principal motivo é, sem dúvidas, o cartão de crédito. "Diante do cenário econômico que vivemos, muitas vezes o consumidor utiliza o cartão como forma de complementar a renda. Por se tratar de despesas de primeira necessidade, como alimentos, essa pessoa vai acumulando compras e, quando vê, não consegue pagar a fatura no final do mês. Uma situação que vai se complicando cada vez mais, porque entra no crédito rotativo com juros de 300% ao ano, o que é quase impagável", pontua a representante da CDL Goiânia ao jornal A Redação.

(Foto: Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil)
Dicas de como sair do endividamento
Para sair da situação de endividamento, J.P segue dicas da CDL Goiânia. Entre os principais pontos está a redução de despesas consideradas supérfluas, como saídas aos finais de semana, viagens e produtos que podem esperar para ser adquiridos.
Conforme detalhou a gerente administrativa da CDL Goiânia, é importante que o consumidor conheça a situação financeira que está vivendo. É preciso organizar as entradas e saídas de dinheiro, além de cuidar do orçamento doméstico, para a partir daí começar a trabalhar o ajuste do padrão de vida. "Assim será possível reconhecer o que é ou não viável economicamente para essa pessoa", explica Hélia.

(Foto: reprodução)
O consumidor goianiense pode procurar a CDL, que está instalada no Setor Oeste, na capital goiana, para verificar sua situação no mercado. "Podemos realizar a consulta para verificar se a pessoa está com nome negativado ou não. Além de avaliar a relação das despesas que estão pendentes", diz a gerente. "No mais, quem não tiver nessa situação, aconselhamos pé no freio para os gastos econômicos, já que o cenário ainda exige cautela", finaliza. Para mais informações sobre endividamento entre no site CDL Goiânia.