Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Sempre ousando em suas iniciativas e buscando atrair o goianiense para suas promoções, o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) decidiu realizar na sexta-feira, dia 6, às 9h, em sua sede, um evento especial: reunir num mesmo espaço os torcedores dos quatro grandes clubes de futebol de Goiânia para o lançamento de livros sobre essas agremiações.
Serão lançados os livros: “Atlético, Campinas e Accioly – Memórias da Força Quente de um Dragão”, organizado por Paulo Winicius Maskote; “Goiânia Esporte Clube, Memórias em Preto e Branco (1936-1974)”, de Djalma Oliveira de Souza; “Verde que te quero verde: A história do Goiás Esporte Clube”, de Hélio Rocha; e “Vila Nova — O Time do Povo e da Virada”, de Renato Dias.
Atlético
A trajetória do Atlético Clube Goianiense, suas raízes no tradicional bairro de Campinas e a resistência popular contra a demolição do Estádio Antônio Accioly são temas centrais do livro. Nomeado como “Atlético, Campinas e Accioly – Memórias da Força Quente de um Dragão”, a publicação reúne 95 textos assinados por 76 autores, entre crônicas, contos, poemas e relatos que resgatam a memória afetiva, esportiva e cultural do clube rubro-negro. A organização é de Paulo Winícius Maskote, doutorando em História pela Universidade de São Paulo (USP). O livro saiu pela Editora Ludopédio, especializada em obras sobre futebol.

Tem 43 fotos coloridas tiradas por fotógrafos atleticanos e registros históricos do acervo de Hélio de Oliveira, pioneiro em Goiânia, que anotou a história da capital a partir da década de 1950. O livro também presta homenagens a personalidades marcantes da história atleticana.
Segundo o organizador, a obra foi trabalhada desde 2015 e representa uma ação de memória e resistência. “O livro é parte do esforço para preservar a memória e a história do Atlético, que é um componente valioso da cultura do futebol goiano e brasileiro. No Brasil, futebol não é só um esporte ou lazer, mas parte da nossa identidade”, afirmou.
Goiânia
O Goiânia Esporte Clube contribuiu substancialmente na consolidação e afirmação do projeto político de mudança da nova capital de Goiás, afirma Djalma Oliveira de Souza, que apresentou e teve aprovada sua dissertação de Mestrado na Escola de Formação de Professores e Humanidades, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, em 2019, e a transformou num livro: “Goiânia Esporte Clube, Memórias em Preto e Branco (1936-1974)”, 227 p.
No decorrer da pesquisa, narrou a história do clube na análise textual em manuscritos, dissertações, teses, jornais, publicações em revistas, análise de fotografias e entrevistas com ex-jogadores, torcedores e pessoas que, de forma direta e indireta, tiveram acesso ao clube. Em destaque, historiou os principais acontecimentos do time (jogos, títulos e alguns personagens) no período de 1936 a 1974, sempre que possível correlacionando aos principais fatos e acontecimentos da nova capital de Goiás.

Ao longo da pesquisa, percebeu que existem, relativamente, poucos registros e trabalhos científicos sobre o futebol goiano; inferiu que a história do clube foi feita de forma resumida e muitas vezes superficial. Acredita que os esportes em sua variedade possam ter servido como um aporte político no período em que Goiânia se consolidava como capital do estado. Uma das hipóteses de explicação dessa afirmação ganha força quando apresenta os diversos títulos regionais, quatorze vezes campeão e seis vezes vice-campeão, em um período relativamente curto e pelos benefícios que o time obteve devido à influência política de seus fundadores junto ao interventor Pedro Ludovico Teixeira.
Goiás
“Verde que te quero verde: A história do Goiás Esporte Clube”, do jornalista Hélio Rocha, de 2019, retrata a trajetória do clube esmeraldino. Com recortes bem delineados, o autor relembra o nascimento do futebol, quando a bola rolou “antes do samba” no território britânico e a chegada da modalidade esportiva ao Estado de Goiás. Na sequência dos escritos, alcança pontos importantes da história esmeraldina no esporte: detalha o primeiro jogo, o primeiro gol, os primeiros campeonatos, os grandes nomes que passaram pela equipe e diversos outros fatos que constroem a história marcante do Goiás Esporte Clube.

Muito além da história antiga do time, o jornalista e escritor também aborda o passado recente do Verdão. Em alguns capítulos, relembra a passagem meteórica de Michael pelo clube, eleito jogador revelação do Brasileirão em 2019, e a perda recente de membros da comissão técnica, como Rafael Rocha e Ailton Santiago.
Vila Nova
Jornalista que mais conhece a história do Vila Nova, Renato Dias foi repórter e editor do jornal “Diário da Manhã”. É um pesquisador de primeiro time; acima de tudo, é apaixonado pelo Vila Nova. Dizem que até as portas do estádio do Vila, quando ele chega para ver algum treino ou entrevistar alguém, dizem: “Bons ‘Dias’, Renato”. Tal a intimidade entre o pesquisador e o Vila.

“Quando Renato Dias escreve sobre o Vila, não sai um livro comum. É praticamente uma bíblia sobre o time”, destacam seus admiradores.
Grande vilanovense, o presidente do IHGG, Jales Mendonça, é o prefaciador da obra.
“Não há torcida mais aguerrida do que a do Vila Nova, ao menos em Goiás. Ela talvez seja uma mistura das torcidas do Flamengo e do Corinthians”, ressaltam. “A torcida do Vila Nova, mesmo nos momentos de crise do time, não abandona os estádios. Está sempre lá firme, gritando e apoiando o time. Quando precisa, vaia. Mas no geral está sempre aplaudindo”.
