A Redação
Goiânia – Depois de colocar no mundo, em 2021, o livro de contos “Histórias do meio do mundo”, a goiana Julianne Veiga volta aos holofotes com sua mais nova publicação: “O sentido contrário da estrada de voltar”, que leva o selo da editora Patuá.
No atual trabalho, a conterrânea de Cora Coralina, apresenta contos e crônicas voltados ao olhar diferenciado sobre a vida, a paisagem e as pessoas, proporcionando aos leitores novas maneiras de enxergar e interpretar as coisas.
Segundo a própria Julianne, a simplicidade é um atributo que reluz feito ouro, metal dourado que propiciou a fundação da cidade de Goiás, onde ela nasceu, se criou e vive até hoje.
“Eu era menina, tinha uns cinco anos, talvez, quando vi, de perto, um fragmento de estrela cadente. Estrela certamente que continua estrela ainda que partida ou mesmo que, na queda, tenha deixado para trás restos de muito de sua magnitude originária. Eu, uma menina pequena, vi uma diminuta estrela se desfazer no chão. Esteve tão próxima como eu e você podemos ficar, num instante mágico, se quisermos, a nos olhar com olhos incrédulos, assim como estiveram os meus, surpreendidos que foram pela visão de algo de extraordinária beleza”, traz um trecho do livro.

Reminiscências, reflexões sobre a passagem do tempo, a beleza das pequenas coisas e gestos, nossa pequenez diante da natureza. Esses e outros temas aparecem nos textos de Julianne, que vão no sentido contrário da pressa que tange a nossa existência atualmente. O convite é: relaxe, tome uma xícara de chá e se permita ler, ficar, apreciar. E quem sabe, ao fazer isso, possamos trilhar a estrada de volta para um lugar que anda esquecido: a conexão profunda com nós mesmos.
Para o poeta, escritor, pesquisador e marchand goiano, Yuri Baiocchi, Julianne escreve de um entrelugar em que a palavra é casa e viagem, espelho e travessia. “Seu livro floresce entre o tempo e a memória, entre o chão vivido e o céu do pensamento. Sua escrita é uma espécie de arqueologia — um gesto delicado de reaproximação entre o que resiste e o que se transforma”.
Trajetória
Julianne Veiga nasceu em 1957 na histórica cidade de Goiás, onde mora com a família. Tem contos e crônicas publicadas pela revista literária online “Gueto”. Participou das coletâneas de crônicas “Literatura Goyas – Antologia 2015” (Ed. Livres Pensadores) e “Histórias de ternura” (Ed. Kelps). É casada, mãe de três filhos e avó de cinco netos. Ela também borda, toca tambor e gosta muito de mato.
