Logo

Especialistas falam sobre expectativas econômicas e do agro após eleições

03.11.2022 - 15:13:39
WhatsAppFacebookLinkedInX

Ludymila Siqueira

Goiânia – As ações das estatais despencaram após o resultado do 2º turno das eleições presidenciais, com vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL) no domingo (30/10). Só a Petrobras (PETR4) registrou queda de 0,067% às 13h19 desta quinta-feira (3/11), com ações cotadas a R$ 29,84. O cenário, no entanto, já aponta sinais de melhora após o anúncio de que Geraldo Alckmin (PSB), eleito vice-presidente da República, será o responsável por coordenar a transição do governo. A análise é do economista Eurípedes Júnior. 

 
Em entrevista ao jornal A Redação, Eurípedes Júnior, que também é professor universitário, explicou que a reação do mercado em relação ao resultado da eleição não é surpresa. Isso porque, segundo ele, o governo de Bolsonaro é mais "pró-mercado". "Administrar empresas públicas não é forte do PT, que sempre as utilizou como instrumento político. Apesar das minhas ressalvas com o atual governo, não podemos desmerecer a gestão profissional que as estatais tiveram, principalmente a Petrobras, Eletrobras e o Banco do Brasil. Essas empresas vêm sendo tocadas por executivos de mercado e que, agora, devem passar a ser tocadas por políticos ou seus conchavos, o que pode prejudicar a rentabilidade, eficiência, etc. Então essas devem sofrer mais", analisou. 
 


Economista Eurípedes Júnior (Foto: divulgação)

"Ainda está muito cedo para avaliar todo o cenário, bem como com o que os investidores devem se preocupar agora. Qualquer preocupação ou decisão é precipitada. Precisamos ver os próximos movimentos para termos mais clareza sobre nosso futuro", descreveu. O economista ainda ressaltou que "um dos pontos que mais têm tranquilizado o mercado está ligado ao Congresso Nacional, que tem um perfil mais de direita".  

Impactos no agronegócio em Goiás
De acordo com o analista de mercado da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, ainda se sabe muito pouco sobre os efetivos planos do governo eleito para o setor. Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação, o profissional ressaltou que o plano de governo escrito ainda "é vago" no que diz respeito a pesquisas e sustentabilidade, por exemplo.

"Acredito que não teremos grandes mudanças no mercado do agronegócio. Isso porque o setor é sólido e atrai muito o comércio exterior, em razão da competitividade e qualidade dos produtos. Tivemos uma pauta de abertura de novos mercados ao longo do governo Bolsonaro e deve continuar com este novo governo. Além disso, os nomes cogitados aos ministérios ligados ao agro são conhecidos pelo setor. Então, no meu ponto de vista, acredito que em termos de políticas governamentais não há grandes mudanças no radar. É claro que a vigilância é importante. De fato, o resultado das eleições não era a preferência do setor", destacou. 
 
Em Goiás, entidades ligadas ao agronegócio declararam apoio à reeleição de Bolsonaro, que teve no Estado 58,71% dos votos, ante a 41,29% de Lula. Para o analista, existiu um forte apoio ao atual presidente, mas muito mais em relação a questões ideológicas do que em vantagem econômica voltadas ao setor. Segundo Palavro, em outros governos existiam subsídios maiores em agricultura empresarial, principalmente relacionados a taxas de juros. Já durante o governo Bolsonaro, conforme pontua, os maiores aumentos no termo de crédito e redução de juros foram dados à agricultura familiar e à agricultura média. 

"Agora, com o novo governo, cabe diálogo. As entidades do agro devem fazer essa transição, conversando com novos representantes para que o setor siga exercendo seu trabalho e obtendo bons resultados ao País. A vitória de Lula descontenta grande parte do setor, mas, como empresários e cidadãos, sabem que as coisas funcionam dentro de uma democracia, e a negociação com o novo governo será um fato daqui em diante", pontuou. 

Dentre as maiores preocupações do agronegócio estão as garantias e seguranças jurídicas voltadas ao setor, como o livre mercado e a propriedade privada. Esse alarme, segundo o especialista, se dá em razão do discurso de Lula, que tem se mostrado de forma negativa frente aos representantes do setor. Palavro afirmou ao AR que "não serão necessários grandes movimentos do governo para manter a competitividade do mercado, basta apenas não atrapalhar, já que o setor entrega um bom resultado não só ao Estado, mas ao País". 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Adriana Marinelli

*

Postagens Relacionadas
Negócios
24.02.2026
CNI reúne lideranças e estabelece prioridades da indústria no Congresso para 2026

A Redação Goiânia – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, participou da 1ª Reunião da Diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta terça-feira (24/2), em Brasília. O encontro abriu o calendário institucional de 2026 e reuniu dirigentes industriais para definir a agenda legislativa prioritária do setor no […]

Negócios
21.02.2026
Equiplex comemora 40 anos em nova fase de transformação estratégica

A Redação Goiânia – A EQUIPLEX Indústria Farmacêutica completa 40 anos de uma trajetória marcada por expansão e crescimento contínuos, investimentos industriais e em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I), neste sábado (21/2). Com essa estratégia, a empresa goiana destacou-se como protagonista no mercado nacional de medicamentos injetáveis. Fundada em Goiânia e hoje sediada em Aparecida […]

Economia
21.02.2026
Caravana Sudeco oferta serviços, crédito e orienta empreendedores em Goiânia

A Redação Goiânia – A Prefeitura de Goiânia realiza na próxima quarta-feira (25/2) a Caravana Sudeco Goiânia 2026, com oferta de serviços públicos, acesso a crédito, capacitação e orientação técnica para empreendedores e para a população em geral. A ação ocorre das 9h às 17h, no Galpão Multiuso do Jardim Guanabara. O evento é promovido em […]

Negócios
20.02.2026
Goiás é escolhido para receber modelo nacional de incubação de startups

A Redação Goiânia – O estado de Goiás passa a integrar oficialmente a estratégia de expansão da Rede MIDIHUB, modelo nacional de incubação de startups criado em Santa Catarina e reconhecido como um dos mais estruturados do país. A operação no estado será conduzida pelo HUB Cerrado, em Goiânia, que passa a integrar a rede […]

Negócios
20.02.2026
Missão da indústria à Índia mira inovação, comércio e investimentos

A Redação Goiânia – A missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) cumpriu nesta quinta-feira (19/2), em Nova Délhi, agenda voltada à inovação e à cooperação tecnológica, no contexto da visita oficial do governo brasileiro à Índia. A iniciativa reúne representantes do setor produtivo com o objetivo de ampliar o comércio bilateral, atrair investimentos […]

Relações Internacionais
18.02.2026
Fieg lidera missão da indústria brasileira à Índia

A Redação Goiânia – A delegação da indústria brasileira que acompanha a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Índia iniciou nesta quarta-feira (18), em Nova Délhi, sua agenda institucional sob a liderança do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, que também preside o Sindicato […]

Oportunidade
18.02.2026
Detran de Goiás realiza leilão com quase 3 mil veículos

A Redação Goiânia – O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) realizará, no próximo dia 27 de fevereiro, o leilão de 2.871 veículos automotores entre recuperáveis e sucatas aproveitáveis. O certame terá início às 9 horas e será conduzido pela empresa Promarket Promoção de Eventos e Logística Ltda., por meio de leiloeiros oficiais credenciados. Serão […]

Agricultura
18.02.2026
Produção de mandioca cresce em Goiás e impulsiona o setor

A Redação Goiânia – Com alta de 83% no Valor Bruto da Produção (VBP) durante a série histórica de 2016 a 2025, Goiás é destaque no cultivo de mandioca no Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). No período, o VBP da cultura no estado passou de R$ 116,7 milhões para R$ 213,5 milhões, […]