Gabriela Louredo
Goiânia
– O que o ano de 2019 reserva para o agronegócio? O Encontro do Campo à Cidade: Cenário Macroeconômico para 2019 "Agro em Debate", promovido na tarde desta quinta-
feira (14) pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), trouxe para a capital goiana palestras de especialistas que podem orientar os produtores rurais a tomar as decisões corretas e reduzir prejuízos.
O vice-presidente da Faeg, Bartolomeu Braz, afirma que diante da queda na produtividade da safra de grãos em decorrência do menor regime de chuvas, o produtor rural está amargando prejuízos que o governo não consegue cobrir. "O campo está com custo muito alto de produção e rentabilidade muito baixa, devido a situações de políticas que não atendem no momento como esse clima que atingiu nosso setor. A principal ferramenta, que é o seguro agrícola, não está atendendo o produtor nesse momento", disse o vice-presidente ao destacar a importância das projeções apresentadas no encontro de hoje.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo e cortou 3,165 milhões de toneladas da sua estimativa da safra 2018/2019. Uma das culturas mais afetadas foi a soja. Bartolomeu diz que os especialistas que integram a rodada de palestras contribuem para a compreensão do cenário e apresentação de soluções. "Trazemos pessoas que sabem como lidar com o mercado para orientar os nossos produtores para tomar as decisões que vão trazer menos prejuízo nesse momento", comentou Bartolomeu.
O secretário de agricultura do Estado, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, participou da abertura do evento. "Nós temos a oportunidade de discutir todo o cenário do setor agropecuário do nosso estado e do nosso país com embasamento técnico sobre o que está acontecendo no mercado de soja, de milho, na produção de pecuária de corte e muitos fatores que engrandecem todo o processo de decisão dos produtores rurais. Certamente, a Faeg e todos os parceiros envolvidos aqui dão oportunidade aos participantes de se aprofundarem nos temas e consequentemente, melhorarem sua produção dentro de suas propriedades rurais", avalia.
Exportações
Um dos palestrantes do encontro, o analista econômico sênior do Rabobank, Adolfo Pino Fontes, falou sobre a expectativa da retomada do crescimento do consumo interno e maior volume de exportações de carne bovina em relação a 2018. O cenário, segundo ele, depende da aprovação de reformas, como a previdenciária.
(Adolfo Pino Fontes. Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
"Agora em 2019, se as expectativas de crescimento se concretizarem, se consolidar um crescimento acima de 2%, a gente deve voltar ao patamar pré-crise do consumo de carne bovina no Brasil. E aí a gente vai ter uma demanda crescente no mercado interno, demanda crescente no mercado internacional e uma oferta crescendo abaixo da velocidade do ano passado. Isso nos leva a crer que o preço da arroba do boi gordo deve atingir patamares mais firmes partir do segundo semestre deste ano", projeta.
O economista Alexandre Schwartsman destacou que o Brasil ainda se recupera da recessão de 2016 e que, apesar dos pontos positivos como inflação baixa e taxa de juros reduzida, o endividamento do governo e as contas públicas impedem o crescimento do país. Ele acredita que é preciso realizar reformas para garantir um crescimento num "ritmo vigoroso".