Marina Morena
Quem passar pelo calçadão da Avenida Goiás, na Praça do Bandeirante, em Goiânia, nesta quinta-feira (31/5), vai poder participar de várias ações em prol da saúde: verificar o percentual de monóxido de carbono na respiração, participar de sessão de Pilates com utilização de bolas e colchonetes e receber orientações sobre a importância da alimentação saudável, principalmente durante o processo de largar o vício do cigarro.
Isto porque é no dia 31 de maio que se comemora o Dia Mundial Sem Tabaco. Para este ano, o tema escolhido pela Organização Mundial de Saúde é "A Interferência da Indústria do Tabaco". Adaptando para o contexto nacional, o Brasil vai dar o enfoque aos danos que toda a cadeia de produção do tabaco causa ao meio ambiente e à saúde da população.
A data, criada em 1987, vai divulgar a marca atual de 4,9 milhões de mortes anuais causadas pelo tabaco em todo o planeta, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia e seis mortes por minuto. Se a atual tendência se manter, estes números chegarão a 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos), segundo pesquisa da Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas.
A cardiologista Marly Uellendahl, do Atalaia Medicina Diagnóstica, considera o tabaco o principal fator de risco, evitável, para as doenças cardiovasculares. “O fumo aumenta consideravelmente a chance de se ter um infarto do miocárdio, além de provocar inúmeras outras doenças, como o câncer”, explica a médica.
Estimativas
A OMS estima que 1,2 bilhão da população mundial adulta seja fumante. Em Goiânia, 11% das pessoas maiores de 18 anos fazem uso de cigarro. É o que revela a pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico 2011 (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde.
Os fumantes passivos também estão dentro das estatísticas alarmantes do tabagismo. Segundo a Vigitel 2011, 11,8% dos brasileiros fumam passivamente em casa e 12,2%, no trabalho. O risco de um fumante passivo desenvolver um infarto do miocárdio é 25% maior do que a população não fumante e 30% maior de ter câncer de pulmão e outras doenças. Isto porque eles têm contato direto com 30 substâncias cancerígenas presentes na fumaça do cigarro.
Prejuízos
Um estudo realizado pelo Banco Mundial estima que o tabagismo resulta em uma perda global de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 400 bilhões), por ano, em função de mortes prematuras, incapacitação, adoecimento, aposentadorias precoces e faltas ao trabalho. Aproximadamente a metade deste montante ocorre em países em desenvolvimento. No Brasil, os gastos sociais determinados pelo consumo de cigarros superam, em muito, a arrecadação de impostos provenientes da indústria do tabaco.
Marly acredita que programas de educação sobre os riscos do tabagismo e as medidas restritivas como a Lei Antifumo, aprovada em 2010, podem contribuir na redução do consumo de tabaco e evitar, também, os efeitos do fumo passivo. Mas, para ela, alguns mitos sobre o cigarro devem ainda ser mais debatidos no Brasil. “Na verdade, não há diferenças nos riscos à saúde entre as diferentes marcas de cigarro, nem entre os supostos cigarros com alto e baixo teor de nicotina, ou seja, não existem níveis seguros para o consumo de alcatrão, monóxido de carbono e nicotina”, esclarece.