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Dez autores para ler antes da Bienal Internacional do Livro de SP. (Foto: Divulgação)

Dez autores para ler antes da Bienal Internacional do Livro de SP

Evento anunciou Espanha como país Convidado de Honra de sua 28ª edição

21.02.2026 - 17:45:27
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São Paulo – A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece entre os dias 4 e 13 de setembro, anunciou a Espanha como País Convidado de Honra de sua 28ª edição. A escolha coloca em destaque uma das tradições literárias mais influentes do mundo, marcada por séculos de produção que atravessam gêneros, estilos e movimentos: do clássico ao contemporâneo.

A participação espanhola promete uma programação ampla, com debates, exposições, encontros profissionais e ações voltadas à promoção da leitura e da literatura em língua espanhola, além da presença de autores contemporâneos. Mais do que uma vitrine cultural, o convite reforça o diálogo entre o mercado editorial brasileiro e o universo literário hispânico.

Pensando nisso, reunimos autores espanhóis essenciais para ler antes da Bienal do Livro de São Paulo. A seleção passa por nomes consagrados e vozes atuais, oferecendo um panorama diverso da literatura produzida na Espanha – e um ótimo ponto de partida para quem quer chegar ao evento com leituras em dia.

Miguel de Cervantes

Miguel de Cervantes é o nome fundador da literatura espanhola e uma referência incontornável da literatura ocidental. Dom Quixote é frequentemente apontado como o primeiro grande romance moderno, ao misturar sátira, crítica social, reflexão sobre a própria literatura e uma profunda investigação sobre os limites entre realidade e imaginação. A jornada do cavaleiro e de seu fiel escudeiro Sancho Pança segue atual justamente por questionar alguns valores com humor, melancolia e inteligência narrativa.

Carlos Ruiz Zafón

O autor conquistou leitores no mundo todo ao transformar Barcelona em um território literário marcado por mistério e memória. Em A Sombra do Vento, primeiro volume da série O Cemitério dos Livros Esquecidos (Suma), o autor constrói um romance que combina suspense, drama histórico e uma declaração de amor à leitura. Obras como O Prisioneiro do Céu e A Cidade de Vapor ampliam esse universo.

Rosa Montero

Rosa Montero é uma das vozes mais relevantes da literatura espanhola atual, com uma obra que transita entre ficção, ensaio, autobiografia e reflexão sobre o ato de escrever. Em livros como A Louca da Casa e O Perigo de Estar Lúcida (Todavia), a autora investiga a criatividade, a imaginação e a fronteira entre lucidez e delírio. Já títulos como A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver, Nós, Mulheres: Grandes Vidas Femininas e A Boa Sorte revelam sua habilidade em tratar temas como luto, identidade e liberdade feminina com sensibilidade e uma escrita acessível.

María Dueñas

Nome importante da ficção histórica contemporânea espanhola. Dueñas reúne pesquisa cuidadosa, personagens femininas fortes e narrativas envolventes. Seu romance de estreia, O tempo entre costuras, tornou-se um fenômeno editorial ao acompanhar a trajetória de uma mulher comum em meio às transformações políticas e sociais do século XX. Em livros como As filhas do capitão, La Templanza, Sira, Se o destino nos trouxer de volta e A melhor história está por vir (publicados por aqui pela Planeta), Dueñas reafirma seu talento para contar histórias que cruzam destinos pessoais e grandes eventos históricos.

Irene Vallejo

Vallejo alcançou projeção mundial com O Infinito Em Um Junco (Editora Intrínseca), um ensaio literário que reconstrói a história do livro desde a antiguidade até os dias atuais. A autora transforma a trajetória dos rolos de papiro, das bibliotecas antigas e dos primeiros leitores em uma narrativa cativante sobre a sobrevivência das ideias.

Javier Cercas

Um dos nomes mais importantes da literatura espanhola contemporânea e leitura quase obrigatória para quem se interessa pela relação entre ficção, memória e história. Javier Cercas ficou internacionalmente conhecido com Soldados de Salamina (Biblioteca Azul). O autor costuma explorar zonas cinzentas da história recente da Espanha, questionando heroísmos, versões oficiais e os limites entre verdade e invenção. Também é autor de O Louco de Deus no Fim do Mundo (Record), Terra Alta, Independência (Tusquets), entre outros.

Layla Martínez

Layla representa uma das vozes mais instigantes da nova literatura espanhola, ao combinar horror, crítica social e perspectiva feminina. Em Cupim (Alfaguara), a autora constrói uma narrativa sufocante sobre herança, violência estrutural e ressentimento, usando o fantástico e o sobrenatural como metáforas de opressões históricas. Martínez dialoga com tradições do gótico e do terror contemporâneo, oferecendo uma leitura intensa.

Fernando Aramburu

Aramburu aborda com sensibilidade e rigor, as marcas deixadas pela violência política e pelos conflitos identitários. Ficou mundialmente conhecido por Pátria (Intrínseca), romance que examina os impactos do terrorismo do ETA na vida cotidiana de uma comunidade basca, mas também se destaca por livros como Quando os pássaros voltarem, no qual explora memórias, perdas e afetos a partir de histórias aparentemente íntimas, mas profundamente conectadas a traumas coletivos.

Sara Mesa

Reconhecida por uma escrita precisa, econômica e inquietante. Os romances de Sara exploram zonas de desconforto moral, relações de poder e os mecanismos de opressão que se escondem no cotidiano. Com uma prosa contida e tensa, a autora constrói histórias que perturbam mais pelo que sugerem do que pelo que explicitam. Por aqui, suas obras Um Amor e A Família foram publicadas pela Autêntica Contemporânea.

Enrique Vila-Matas

Sua obra gira em torno de temas como o ato de escrever, o bloqueio criativo e a figura do escritor, sempre com humor e ironia. Livros como Bartleby & Companhia, Mac e Seu Contratempo, Paris Não Tem Fim e Montevidéu (Companhia das Letras) são famosos entre leitores interessados em narrativas metalinguísticas e reflexivas.

Outros nomes como Elena Medel, Juan Berrio, Antonio Muñoz Molina, Cristina Fallarás, Manuel Rivas, Arturo Pérez-Revert, Ildefonso Falcones, Grassa Toro e María Ramos também possuem obras publicadas no Brasil e que valem a pena entrar para as listas de leitura. (Agência Estado)

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por Michelle Rabello

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