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Baianas no desfile da Unidos de Vila Isabel (Foto: reprodução/X)

Desfiles no Rio festejam religião afro-cubana, Heitor dos Prazeres, manguebeat e Rosa Magalhães

Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro fecharam o carnaval 2026

18.02.2026 - 09:02:21
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Rio de Janeiro – O terceiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio começou nesta terça-feira, 17, com a Paraíso do Tuiuti. A escola levou para a Marquês de Sapucaí o samba-enredo “Lonã Ifá Lucumí”, sobre uma vertente religiosa afro-cubana que se ramificou no Rio de Janeiro.

A segunda a entrar na avenida foi a Unidos de Vila Isabel, com o enredo “Macumbembê, Samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, uma homenagem a Heitor dos Prazeres.

Cantor, compositor e artista plástico, ele participou da fundação das agremiações Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca, Vizinha Faladeira e Deixa Falar, mas nunca tinha sido homenageado com um enredo no Grupo Especial.

Em seguida, a Acadêmicos do Grande Rio levou o movimento cultural manguebeat para o palco do samba, com o enredo “A Nação do Mangue”.

E, fechando o carnaval 2026, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou uma homenagem à professora e lendária carnavalesca Rosa Magalhães.

Após ficar fora do desfile das campeãs em 2025, a escola celebrou o legado artístico, pedagógico e estético de Rosa, maior campeã da história da Sapucaí, falecida em 2023.

Paraíso do Tuiuti conecta ancestralidades africanas, caribenhas e brasileiras
A Paraíso do Tuiuti trouxe para a Sapucaí a jornada milenar do Ifá Lucumí, o oráculo sagrado de Orunmila que guia a humanidade ao autoconhecimento e ao cumprimento de seus destinos.

O enredo “Lonã Ifá Lucumí”, que em iorubá significa “O Caminho do Ifá Lucumí”, percorre a trajetória desse sistema divinatório desde a cidade sagrada de Ilé Ifé, na África Ocidental, até sua chegada ao Brasil pelas mãos do Babalawo cubano Rafael Zamora.

Com muito colorido, a escola de São Cristóvão procurou destacar a união Brasil-Cuba e deu uma aula sobre religião, respeito e história.

O enredo foi baseado em um livro de Nei Lopes, pesquisador da cultura afro e do samba, que participou do desfile. “As pessoas não compreendem que o sagrado é uma coisa e a vida normal, do dia, é outra coisa diferente, que não existe o melhor nem o pior”, disse em entrevista à TV Globo, ao ser questionado se a apresentação poderia provocar uma mudança na percepção do público sobre os cultos de origem africana.

A apresentação foi concebida pelo carnavalesco Jack Vasconcelos e o samba foi puxado por Pixulé, com a bateria sob o comando de mestre Marcão.

Vice-campeã em 2018, a Paraíso do Tuiuti ficou em décimo lugar no ano passado. Neste ano, a escola desfilou na Sapucaí com 25 alas, cinco carros, um tripé e 3.100 componentes.

 

Vila Isabel paga dívida da Sapucaí com o multiartista Heitor dos Prazeres
O tributo da Vila Isabel a Heitor dos Prazeres começou com um pedido dos puxadores para que o público acendesse a lanterna dos celulares. “Macumba precisa de luz”, explicaram. Polvilhada por pontos iluminados, a Sapucaí estava pronta para o desfile.

Vila Isabel paga dívida da Sapucaí com o multiartista Heitor dos Prazeres
O tributo da Vila Isabel a Heitor dos Prazeres começou com um pedido dos puxadores para que o público acendesse a lanterna dos celulares. “Macumba precisa de luz”, explicaram. Polvilhada por pontos iluminados, a Sapucaí estava pronta para o desfile.

Na apresentação, Martinho da Vila, presidente de honra da Vila Isabel, representou o tio de Heitor dos Prazeres e Sabrina Sato, rainha de bateria, ostentou uma fantasia simbolizando a aquarela do artista.

Fundada em 1946 no bairro que lhe dá nome, na zona norte do Rio, a Unidos de Vila Isabel ganhou o título do Grupo Especial três vezes. A Azul e Branco viveu seu mais recente momento de glória em 2013, com o enredo “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo”.

Neste ano, a escola se apresentou com 27 alas, cinco carros alegóricos, três tripés e 3.000 componentes.

 


Grande Rio desfila homenagem ao movimento manguebeat
A Grande Rio prestou tributo ao movimento cultural manguebeat, surgido em Pernambuco no começo dos anos 1990 sob a liderança das bandas Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.

A proposta do carnavalesco Antônio Gonzaga abordou a contracultura, a crítica social e a estética híbrida que marcou o movimento, e foi apresentada em 24 alas. Foram cinco carros alegóricos, três tripés e 3.200 componentes.

Um dos destaques foi a participação da cantora e atriz pernambucana Louise França, filha de Chico Science. “Como ele mesmo falava: ‘Um passo à frente e você não estará mais no mesmo lugar. Então é isso, pegar o que você tem das suas raízes, da sua terra, do amor que você tem pelo seu lugar e transformar para o mundo”, disse ela sobre o desfile.

A apresentação marcou a estreia da influenciadora Virgínia Fonseca como rainha de bateria. Antes, o posto era ocupado pela atriz Paolla Oliveira.

“É uma sensação única, inexplicável. Só quem vive o carnaval sabe como é. Eu já ouvia falar, mas não imaginava que seria assim. A comunidade me abraçou, a Grande Rio me abraçou, então eterna gratidão”, disse em entrevista a Milton Cunha.

 


Salgueiro festeja o legado de Rosa Magalhães
Com 28 alas, cinco carros alegóricos, dois tripés e 3.200 componentes, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”.

A escola levou para a Marquês de Sapucaí o legado de Rosa Magalhães, que ao longo de cinco décadas de carreira conquistou sete títulos, cinco deles pela Imperatriz Leopoldinense.

A carnavalesca também teve participação importante em dois grandes eventos esportivos. Em 2007, ela foi uma das responsáveis pela cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, pela qual ganhou um Emmy de melhor figurino, e em 2016 atuou na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio.

No desfile, a rainha de bateria, Viviane Araújo, desfilou em um tripé representando um navio, ao invés de “puxar” os ritmistas no chão da avenida. Ícone da escola, ela completou 18 anos à frente da “Furiosa”, alcunha da bateria dos mestres Guilherme Oliveira e Gustavo Oliveira.

 

Anúncio da campeã
A campeã do carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro será definida na tarde desta Quarta-feira de Cinzas, 18. A apuração tem início previsto para as 15h.

 

 

 

 

 

 

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por Adriana Marinelli

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