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Inquietudes .
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Eliane de Carvalho Melo e jornalista formada pela UFG em 1990, com passagens por Rádio Difusora, TV Anhanguera e outras emissoras. Trabalhou em SP como repórter na CBN e em programas da TV Globo, Band, SBT, Câmara, Assembleia e Cultura / jornalistas@aredacao.com.br

INQUIETUDES

De olhos bem abertos

| 28.03.25 - 08:08 De olhos bem abertos A deusa de olhos vendados. Themis representa a Justiça e não vê os denunciados para que todos sejam iguais perante a lei (Foto: Gervásio Baptista/STF)
Poder acompanhar um acontecimento histórico, é sem dúvida impactante. Difícil até descrever minha tamanha inquietação ao assistir e ler as notícias da aceitação da denúncia da Procuradoria Geral da República de crimes como, atentado violento ao Estado Democrático de Direito e formação de organização criminosa, contra um ex-presidente da República e militares de alta patente, agora na condição de réus, ao Supremo Tribunal Federal, nesta semana. Um fato inédito, jamais ocorrido no Judiciário e na política nacionais, importante frisar, nem mesmo após o golpe de 1937 (Estado Novo); em 1955 (quando golpistas tentaram impedir a posse de JK); e em 1964 (golpe militar);  e, por isso mesmo, histórico. 
 
Conhecer a história do Brasil, nunca foi tão importante. Entender como se deram os golpes e a ditadura, no país, são fundamentais para a compreensão do contexto atual. A historiadora e cientista política, Heloisa Starling - citada pela ministra Carmen Lúcia, em seu discurso no STF, nesta quarta-feira - explica em seu livro “A Máquina do Golpe. 1964: como foi desmontada a democracia no Brasil” as quatro etapas de um golpe de estado, que segundo ela, começa com a fase da conspiração contra as instituições democráticas, é seguida pela criação de uma instabilidade institucional para justificar a tomada do poder, a ocupação do poder após a deposição do presidente e, por último, a consolidação do poder, que no caso de 1964 durou 21 anos. Foi e tem sido assim, nas tentativas de golpe frustradas e bem sucedidas, no Brasil e no mundo. 
 
Um golpe não acontece de um dia para o outro. Ele é gestado durante meses ou anos, até a sua concretização, como muitos estudiosos, juristas e políticos chamaram a atenção, nesta semana. E a julgar pelas manifestações dos advogados dos denunciados no STF, nesta quarta-feira, já há consenso entre todas a partes, de que houve uma tentativa de golpe, que culminou nos ataques aos três poderes da República, no dia 8 de janeiro de 2023.
 
Em 1964, quando o Congresso Nacional convocou a sessão extraordinária para depor o presidente João Goulart, os presidentes do Congresso e do STF estavam lado a lado. Desta vez, foi diferente. Congresso e STF se juntaram em defesa das instituições democráticas.  
 
Mas o que aconteceria se o golpe fosse consumado? Como isso impactaria as nossas vidas? De volta aos anos 60 e 70, atividades do cotidiano das pessoas foram cerceadas, como bem lembrou Heloisa Starling em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura, em 01/04/24. Já não se podia escolher os livros, filmes e músicas para ler, ver e ouvir, porque havia a censura. As escolas deixaram de ensinar a pensar, a entender o contexto em que as pessoas estavam inseridas. Diretos, como o voto, foram suprimidos e até a livre circulação, como a possibilidade de viajar para o exterior, era controlada. Os opositores ao regime foram torturados, mortos e dado como desaparecidos, como todos pudemos ver e nos emocionar no filme “Ainda estou aqui”, vencedor do Oscar de melhor filme internacional. Outro feito histórico!  O próximo domingo, dia 31 de março, é uma data para ser lembrada. É quando se completam 61 anos do golpe militar de 1964. Mais que nunca, é hora de abrir bem os olhos e ouvidos e acompanhar em tempo real, a história sendo escrita.

Comentários

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  • 31.03.2025 09:43 Marcelo Yano

    Excelente artigo ! Que estejamos todos inquietos e atentos, as futuras gerações cobrarão nosso posicionamento neste momento histórico.

  • 28.03.2025 17:37 Rosane Melo

    Obrigada pelo texto excelente!! Importante reflexão nesse momento!! Obrigada por trazer a tona informações relevantes do passado, é preciso conhecer a história, lembrar sempre, para nunca mais repetir!! Que alegria poder ler seu texto e compartilhar com a sociedade essa Inquietude!!

  • 28.03.2025 14:19 Júlio Abreu

    Excelente artigo! Quem dera toda a população estivesse inquieta com essa situação! É uma pena ver que grande parte simplesmente não se importa e considera tudo isso uma trama criada para desestabilizar o “mito” Bolsonaro. A história precisa ser ensinada a todos os jovens para que o golpe de 64 e a consequente ditadura nunca mais ocorram.

  • 28.03.2025 13:41 Luciani Stival

    Bastante inquietante !! E viva a democracia e vc de volta ao jornalismo! ????????????????

  • 28.03.2025 12:24 Allyson

    Excente inquietude, estaremos vigilantes! As análises históricas e o distanciamento dos fatos, nos permitem compreender na atualidade que a morte de Getúlio adiou em 10 anos o Golpe de 1964. Como bem destacado, o 8 de janeiro não foi um domingo no parque, mas sim algo meticulosamente planejado. Que tenhamos uma ação penal justa. Estamos de olhos abertos e vigilantes. Parabéns por estar de volta!

  • 28.03.2025 09:50 Cristiane

    O conhecimento e a educação alimentam a democracia, precisamos estar atentos. Obrigada pelo texto.

  • 28.03.2025 08:37 Mario Jorge

    Primeiro parabéns pelo belo artigo. Respondedo sua inquietude, caso consumado o golpe, não teria o privilégio de degustar sua nova coluna.

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Eliane de Carvalho Melo e jornalista formada pela UFG em 1990, com passagens por Rádio Difusora, TV Anhanguera e outras emissoras. Trabalhou em SP como repórter na CBN e em programas da TV Globo, Band, SBT, Câmara, Assembleia e Cultura / jornalistas@aredacao.com.br

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