Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – O engenheiro e empresário Jerônimo Coimbra Bueno, goiano de Rio Verde, formado pela Escola de Engenharia da Universidade do Brasil, do Rio de Janeiro, com especialização em Urbanismo, primeiro Governador de Goiás eleito pelo voto direto após a redemocratização de 1946, teve grande participação na definição da área em que seria construída a nova Capital Federal. Seu legado constará da exposição anual “Brasília – O alicerce goiano de um sonho brasileiro”, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás – que mostrará o papel decisivo de Goiás na construção da terceira Capital no coração do Brasil, mais precisamente em território goiano –, será aberta na sexta-feira, dia 5, às 19h, na sede do IHGG, na rua 82 nº 455 – setor Sul, em Goiânia. Vai permanecer durante 2026 no Instituto.
Antecedendo o evento, às 18h haverá a quarta edição da Cantata de Natal na Casa Rosada de Goiânia, em concerto da Orquestra Sinfônica Juvenil Joaquim Jayme, sob a regência do maestro Eliseu Ferreira, e do Coro Juvenil de Goiânia, da Secretaria Municipal de Cultura. Ainda, será lançado um documentário ressaltando a participação de Goiás na construção de Brasília, produzido pelo cineasta Antônio Eustáquio Alves da Silva (Taquinho).
Ao idealizar a exposição, o presidente do IHGG, historiador Jales Guedes Coelho Mendonça, quer resgatar o histórico dessa grande ideia, de interiorizar o centro decisório do país, que tem mais de 200 anos e contou, ao longo desse período, com a presença e a participação de goianos, nas mais diversas esferas decisórias, como foi a atuação de Coimbra Bueno.
Luta
Coimbra Bueno detinha o título oficial de Construtor da cidade de Goiânia e foi nomeado membro da Comissão Polli Coelho, encarregada dos estudos finais para a definição da exata localização da nova Capital.
Em 1947, recém-eleito Governador de Goiás, para sensibilizar a Comissão, organizou várias visitas à cidade de Planaltina, inserida no Quadrilátero Cruls, e às cidades de Corumbá, Formosa e Luziânia, localizadas em áreas limítrofes. Promoveu palestras em São Paulo, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro para defender o Planalto Central como sendo a região mais adequada para a transferência da capital.
Dentre suas iniciativas, delegou ao engenheiro Manoel Demósthenes Barbo de Siqueira a incumbência de investigar e documentar qual seria a melhor solução geopolítica para a localização da nova Capital. O resultado das pesquisas realizadas foi demonstrado com a publicação, em 1947, de estudos sobre a terceira Capital do Brasil.
Articuladores
Os irmãos Coimbra Bueno, Jeronymo (1909-1996) e Abelardo (1911-2003), goianos, em 1933 diplomaram-se em Engenharia Civil no Rio de Janeiro. “Foram articuladores excepcionais na campanha pela nova Capital”, de acordo com a arquiteta e historiadora Lenora Barbo, da Universidade de Brasília, integrante do IHGG e responsável pela curadoria da exposição, juntamente com a museóloga Vanessa Resende.
Após ganharem experiência como construtores de Goiânia, iniciaram uma grande mobilização política e técnica, e, em 1939, enviaram a famosa carta ao presidente Getúlio Vargas, para “tratar do grande problema da Nova Capital Federal. (…) Antecipamos, senhor Presidente, a nossa fé e o nosso entusiasmo pelos benefícios que advirão à Pátria com a interiorização da Capital Federal”.
Lideraram um esforço multifacetado para promover a causa, criando a Fundação Coimbra Bueno pela Nova Capital – FCBNC (1939) e a “Cruzada Rumo ao Oeste” (1940) – cuja cerimônia de fundação, em Goiânia, contou com a presença do presidente Vargas, que discursou aplaudindo a iniciativa e destacando a importância geopolítica da ocupação econômica e urbana do Brasil Central; além de veículos de comunicação, como o jornal “Rumo ao Oeste” e a Rádio Brasil Central.
A FCBNC desempenhou papel relevante em todo o país, com palestras, seminários e publicações em defesa da construção de Brasília e da ocupação moderna do Brasil Central.
Defensor técnico
Manoel Demósthenes Barbo de Siqueira (1909-2001) nasceu em Jaraguá, GO, foi Professor e Engenheiro de Minas e Civil, diplomado na Escola de Minas de Ouro Preto, MG. Em 1939 era um dos três engenheiros do Departamento Nacional de Produção Mineral que conduziram a prospecção que confirmou pela primeira vez a existência de petróleo em solo brasileiro.
Deputado Estadual por Goiás (1951-1955), presidiu a Comissão de Viação e Obras Públicas. Como engenheiro, nos anos 60, participou ativamente das obras de construção de Brasília e foi Secretário de Estado de Governo do Distrito Federal.
Em 1947, com a obra “Estudos sobre a Nova Capital do Brasil”, Manoel Demósthenes foi o principal defensor técnico da tese goiana ao justificar tecnicamente, atualizando dados e referências da literatura e dos novos conhecimentos científicos da época, o Quadrilátero Cruls como a única solução com real centralidade geográfica capaz de promover a integração nacional:
“(…) parece realmente que só há no Brasil uma gleba capaz de se tornar o centro geopolítico do País, efetivando a conexão das várias regiões brasileiras. Lugar de onde o Governo poderá supervisionar ao mesmo tempo o desenvolvimento da Amazônia ao Rio Grande do Sul, sem ligações preferenciais com esta ou aquela unidade da Federação”.
