A Redação
Goiânia – A Chapada dos Veadeiros se consolida como alternativa para quem deseja viver o Carnaval de forma mais tranquila, longe das folias. O destino oferece uma combinação de natureza preservada, experiências sensoriais, práticas de bem-estar e contato com culturas ancestrais, atraindo viajantes interessados em desacelerar e aproveitar o feriado em outro ritmo.
Em Alto Paraíso de Goiás, o Carnaval ganha contornos de pausa e reconexão. A cidade concentra experiências ligadas à espiritualidade, terapias integrativas, gastronomia saudável e conduções conscientes pela natureza, além de ser ponto de partida para trilhas, cachoeiras e vivências voltadas ao equilíbrio entre corpo e mente. “A Chapada sempre foi um território de acolhimento para quem busca equilíbrio, contato com a natureza e experiências transformadoras. No Carnaval, isso fica ainda mais evidente”, afirma Mércia Miranda, presidente da Associação Veadeiros.
Na Vila de São Jorge, distrito localizado às portas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o clima é intimista e marcado por forte identidade cultural. O vilarejo mantém uma relação direta com o parque e com o Cerrado ao redor, o que favorece atividades como caminhadas contemplativas, banhos de cachoeira e experiências de observação da paisagem. “São Jorge atrai visitantes que valorizam experiências autênticas e um ritmo mais calmo, muito conectado à natureza”, destaca Mércia.
Experiências sensoriais e contato profundo com a natureza
Durante o feriado, algumas experiências ganham atenção especial. Uma delas é a observação do céu noturno, favorecida pela fase da lua e pelas condições naturais da região. Programações de astronomia permitem observar planetas, constelações e fenômenos celestes em um ambiente protegido da poluição luminosa, ampliando o contato com a natureza também à noite. Em Alto Paraíso, o visitante pode conhecer o céu através de um observatório bem equipado, e em Cavalcante, especialmente no interior da cidade, está o céu mais escuro da Chapada dos Veadeiros, na escala Bortle 1, mesma do deserto da Atacama.
Outro destaque é a RPPN Vale das Araras, em Cavalcante, área de Cerrado preservado que reúne trilhas interpretativas, poços naturais, cachoeiras e experiências sensoriais em meio à vegetação nativa. O local integra um corredor ecológico da Chapada e propõe uma visita que combina contemplação, caminhada e conexão com o bioma. “O turismo aqui não é sobre consumo rápido da paisagem, mas sobre sentir o Cerrado, respeitar seus ritmos e sair renovado”, explica a presidente da Associação Veadeiros.
Bem-estar, ancestralidade e novos sentidos para o Carnaval
Cavalcante também se destaca pelas vivências ligadas à cultura Kalunga. Experiências conduzidas no território unem trilhas, banhos de cachoeira, práticas de respiração, meditação e rituais ancestrais, além do contato com a culinária e o artesanato da comunidade. “Essas vivências convidam à reverência ao território e aos saberes tradicionais, criando uma experiência profunda e transformadora”, acrescenta Miranda.
Práticas de bem-estar ao ar livre também fazem parte do roteiro. Vivências como o Banho de Cerrado, inspirado no shinrin-yoku japonês, adaptam a imersão sensorial ao bioma brasileiro por meio de caminhadas silenciosas, exercícios de respiração e atenção aos sentidos. “A natureza deixa de ser cenário e passa a ser parte ativa do cuidado com o corpo e a mente”, explica Mércia Miranda.
Essas propostas dialogam com a Rota Viva Veadeiros, iniciativa que reúne experiências de turismo de bem-estar em toda a região. A rota inclui terapias integrativas, massagens, condução consciente de trilhas, gastronomia saudável e práticas esportivas como rafting, tirolesa e canoagem, sempre em conexão com as paisagens naturais e as cachoeiras de águas cristalinas da Chapada. “A Rota Viva Veadeiros reflete a vocação do destino para o cuidado, o bem-estar e a relação respeitosa com a natureza e as comunidades locais”, acrescenta.
Para quem deseja uma experiência ainda mais ligada à ancestralidade, o povoado Kalunga do Moinho se apresenta como uma oportunidade de conhecer modos de vida tradicionais, histórias de resistência e uma relação profunda com o Cerrado. “Esse encontro amplia o sentido da viagem e reforça a importância de um turismo consciente, que valoriza identidade, memória e território”, completa a presidente da Associação Veadeiros.
Com esse conjunto de experiências, a Chapada dos Veadeiros reforça sua vocação como destino para quem quer atravessar o Carnaval longe do barulho, em sintonia com a natureza, a cultura local e o próprio tempo interior.
