São Paulo – A Bovespa fechou a primeira sessão de fevereiro em forte queda, na pontuação mais baixa desde 12 de julho do ano passado. Os negócios foram afetados pelos contínuos temores em relação às economias emergentes, em meio a dados fracos da atividade industrial da China e dos EUA e da balança comercial brasileira.
As perdas acentuadas das bolsas de Nova York intensificaram a aversão ao risco no mercado acionário doméstico. No fim do dia, o Ibovespa caiu 3,13%, para os 46.147,52 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou aos 47.623 pontos (-0,03%), e na mínima, atingiu 46.109 pontos (-3,21%).
No ano, a bolsa acumula baixa de 10,41%. O volume de negócios totalizou R$ 6,774 bilhões. A Bovespa abriu a sessão em queda, pressionada por indicadores econômicos da China. A Federação Chinesa de Logística e Compra (CFLP, na sigla em inglês) informou que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) oficial do setor de serviços da China recuou para 53,4 em janeiro, de 54,6 em dezembro.
O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial caiu de 51 em dezembro para 50,5 em janeiro. Nos EUA, os indicadores industriais também mostraram retração da atividade. O índice de atividade do setor de manufatura, medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês), teve queda para 51,3 em janeiro, de 56,5 em dezembro.
O economista da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, disse, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que o desempenho negativo da Bovespa hoje é resultado de um mix de fatores. Segundo ele, o déficit da balança comercial, somado à suspeita sobre os emergentes e à deterioração das contas públicas do Brasil só faz com que o temor com o País aumente. "Além disso, o mercado externo não tem ajudado em nada, já que as bolsas dos EUA estão passando por uma realização de lucros", destacou.
A Bovespa acelerou as perdas na segunda parte da sessão após a divulgação dos números da balança comercial. Segundo os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a balança comercial brasileira teve déficit de US$ 4,057 bilhões em janeiro, o pior resultado da história para este mês.
As importações somaram US$ 20,084 bilhões em janeiro, um valor também recorde para este período do ano. As exportações totalizaram US$ 16,027 bilhões. No front corporativo, houve queda generalizada das empresas que compõe o Ibovespa. As baixas foram conduzidas pela Gafisa (-6,84%).
Os papéis da construtora foram penalizados pela perspectiva de que os juros devem continuar subindo, o que colocou pressão sobre as construtoras, em função da dependência do crédito imobiliário para vender seus lançamentos e também pelo endividamento da maior parte delas, afirmaram profissionais do mercado. Os papeis da Petrobras também estavam entre as maiores perdas do índice. Petrobras PN (-0,85%) e Petrobras ON (-4,87%).
Entre as siderúrgicas, CSN terminou a sessão com declínio de 5,09%. No setor de mineração, Vale PNA perdeu 3,00% e Vale ON cedeu 2,78%. Ainda sobre o mercado acionário, o índice VIX, que mede a volatilidade do mercado de ações, está a caminho de fechar a sessão de hoje no nível mais alto desde dezembro de 2012.
Por volta das 17 horas, o índice subia 14%, para 21,05, ampliando o avanço acumulado desde o início deste ano para 54%. Com isso, o índice está acima da máxima atingida em junho do ano passado, de 20,49.
Em 28 de dezembro de 2012, o VIX alcançou 22,72 em meio ao debate no Congresso dos EUA para evitar o chamado "abismo fiscal". Em Nova York, perto das 17h30, o índice Dow Jones recuava 1,63%, o S&P 500 caía 1,92% e Nasdaq cedia 2,37%.
(Agência Estado)