A Redação
Goiânia – A tradição ceramista de Ipameri ganha ainda mais destaque neste fim de ano com a realização de uma exposição aberta ao público. Durante todo o mês de dezembro, das 8h às 17 horas, moradores e visitantes podem conhecer gratuitamente o trabalho de ceramistas da cidade, que exibem peças de decoração e itens utilitários, como xícaras e pratos, na Cerâmica Boa Nova.
Ao todo, cinco ateliês se unem à Boa Nova para apresentar a diversidade e a qualidade da produção local, um reflexo direto da importância de Ipameri como um dos principais polos de cerâmica do estado de Goiás. Esse protagonismo é resultado do trabalho da Associação Adelino de Carvalho, entidade sem fins lucrativos que mantém a Cerâmica Boa Nova e desenvolve, desde a década de 1980, um projeto social de formação de jovens em situação de vulnerabilidade.
A associação é reconhecida nacionalmente por abrigar a única escola de torno do Brasil, onde o aprendizado exige delicadeza, paciência e anos de prática. Um ceramista leva, em média, três anos para se formar. O percurso começa com exercícios básicos no torno, evolui para pequenas peças e, aos poucos, para itens maiores e mais complexos. Desde as primeiras turmas, centenas de ceramistas já foram formados, consolidando Ipameri como o verdadeiro celeiro da cerâmica goiana.
O impacto do projeto vai além da formação artística: ele moldou a vocação econômica do município, que hoje abriga várias cerâmicas e gera emprego para muitas famílias. Parte desse movimento é sustentada pelo núcleo profissional da Associação Adelino de Carvalho, formado por ex-alunos que produzem na Cerâmica Boa Nova peças como xícaras, vasos e potes. Toda a renda obtida com as vendas é reinvestida no próprio projeto social, que também conta com parcerias empresariais e apoio de Leis de Incentivo, como a Aldir Blanc.