Sarah Mohn
Goiânia – Na contramão da expectativa nacional, que prevê que o esforço fiscal no Brasil vai durar pelo menos dois anos, segundo declaração dada ontem (1°/6) pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, Goiás enfrentará medidas de ajustes apenas em 2015. A afirmação é da secretária de Estado da Fazenda, Ana Carla Abrão, que falou com a reportagem do jornal A Redação nesta terça-feira (2/6).
“Certamente esses processos de ajustes são mais longos. No nosso caso, especificamente, a fase aguda é 2015. É o ano em que nós faremos os ajustes mais importantes de corte de custeio, adequação de investimentos. Nós imaginamos, e todo o planejamento é nesse sentido, um 2016 muito mais tranquilo. Nossa ideia é que o ajuste de fato, do ponto de vista mais agudo, seja concluído até o final do ano, quando já teremos as nossas contas equilibradas, e 2016 vai ser a consolidação desse ajuste”, diz a secretária ao AR.
Apesar do otimismo para as contas públicas em Goiás, Ana Carla Abrão é enfática ao pontuar que a política de contenção de gastos será mantida ao longo dos próximos anos da gestão do governador Marconi Perillo (PSDB). “É claro que o processo de corte de despesas é também contínuo. A máquina pública tem que estar em constante vigilância para que a gente não aumente os gastos de forma indiscriminada ou de forma descolada com o que acontece com a receita.”
ICMS
Com vencimento agendado para a próxima sexta-feira (5), este é o segundo mês em que as empresas instaladas no Estado terão que repassar o ICMS no dia 5 do mês. A secretária acredita que as insatisfações manifestadas por empresários serão amenizadas com o passar dos meses.
“Infelizmente, caiu no meio do feriado, mas estão todos definitivamente informados da necessidade de cumprimento da data. No primeiro mês fomos flexíveis para que as empresas tivessem tempo de se ajustar, mas de fato este mês, por todas as informações que nós temos, tudo deverá ocorrer dentro da normalidade e o recolhimento feito no dia 5”, assegura.
Arrecadação
Ao AR, Ana Carla Abrão declarou que a arrecadação do mês de maio deverá ser maior do que a de abril. Ela explicou que ainda não há números fechados. “Mas devemos observar um aumento da arrecadação total. Mais uma vez o ICMS está mostrando um enfraquecimento da atividade, com reflexos claros no volume arrecadado de ICMS. No entanto, temos uma particularidade, que é a energia elétrica. Em função dos aumentos tarifários, a arrecadação vinculada ao setor de energia elétrica aumentou e, com isso, conseguimos neutralizar em partes a queda na arrecadação de outros setores”, antecipa.
A arrecadação do Estado de Goiás teve acréscimo de R$ 71 milhões e subiu para R$ 1,746 bilhão em abril. No mês de março, a arrecadação foi de R$ 1,675 bilhão. De acordo com Ana Carla, o resultado era esperado.
“A recuperação em abril tem um efeito que chamamos de estatístico, ou seja, como março foi baixo era de se esperar que houvesse aumento da arrecadação em abril, mas também em função da intensificação das nossas ações de fiscalização e combate à sonegação, que começam a dar resultado. Em parte, elas conseguem neutralizar o enfraquecimento da atividade econômica”, explica a secretária.