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(Foto: Banco de imagens/Canva)

Agronegócio goiano conecta produção à sustentabilidade e assegura economia pujante ao Brasil

Pilares ESG estão cada vez mais em evidência no fortalecimento dos negócios

27.02.2026 - 07:51:03
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Ludymila Siqueira

Goiânia – Em uma viagem no tempo, quando se falava em passar um fim de semana na roça, era automaticamente lido como se desligar da cidade grande e viver a calmaria da natureza, dos animais, da vida pacata. As músicas estavam somente no rádio. Sinal de celular? Era para poucos. O acesso à internet também era bastante escasso. O trabalho de pequenos e grandes produtores era braçal, com uma capacidade limitada de desenvolver novas variedades de altos rendimentos. O mundo mudou e, hoje, o agronegócio se conecta, mas de uma forma muito mais integrada. É do campo à mesa. Dos grandes centros urbanos à zona rural. Com um clique, é possível avaliar o desenvolvimento da lavoura.

Os meios de tecnologia têm ganhado cada vez mais espaço na integração de máquinas e rotinas de trabalho no campo. Conforme os dados mais recentes do Indicador de Conectividade Rural (ICR), a cobertura de internet móvel em áreas rurais no Brasil passou de 18,7% para 33,9% entre 2023 e 2024. Desenvolvida pela ConectarAgro, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, a plataforma utiliza dados públicos de cobertura das operadoras e da Agência Nacional de Telecomunicações para medir a presença de redes móveis 4G e 5G no agronegócio.

Com isso, o pecuarista, por exemplo, não precisa mais estar na fazenda para saber como está o gado. Enquanto resolve outras demandas no escritório, consegue fazer o monitoramento do pasto em tempo real por meio de smartphones ou computadores. Dessa forma, consegue otimizar o tempo e, consequentemente, verificar de forma mais rápida e precisa algum imprevisto. Isso é possível por meio de tecnologias de Internet das Coisas (IoT), com uso de sensores, brincos eletrônicos, drones e GPS. É a chamada Pecuária de Precisão ou Pecuária 4.0, uma das maiores revoluções no agro nos últimos anos.

Já na agricultura, o uso de Inteligência Artificial (IA) auxilia o produtor rural a detectar pragas nas lavouras com até 90% de precisão, segundo pesquisa realizada pela Universidade Estadual Paulista e publicada no ano de 2025. Portanto, fica evidente que, para assegurar negócios em crescimento, o agronegócio no mundo não depende apenas de boas condições climáticas e safras potentes. Os dois fatores são essenciais; entretanto, cada vez mais as fazendas necessitam de conectividade para integrar máquinas e rotinas de trabalho no campo.

Na última edição da Tecnoshow Comigo, considerada a maior feira de tecnologia em agronegócio no Brasil, foram movimentados mais de R$ 10 milhões ao longo de cinco dias de evento. Realizada no Centro Tecnológico Comigo (CTC), em Rio Verde (GO), a feira reuniu 695 expositores e atraiu um público de mais de 140 mil pessoas, apresentando o que há de mais moderno no mercado. A essência da feira é mostrar como o agronegócio é uma rede viva que une pessoas, tecnologias e conhecimento e conecta propósitos. Um cenário importante, uma vez que, no acumulado até o terceiro trimestre de 2025, o agro puxou o crescimento da economia brasileira, com alta de 11,6%, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Em Goiás não foi diferente. O setor agropecuário cresceu 20,1% e alavancou o PIB goiano no ano anterior. Segundo dados do Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB), o agro foi o motor do crescimento econômico em 2025. O desempenho expressivo contribuiu para que o PIB de Goiás acumulasse crescimento de 3,9% no ano (janeiro–novembro) e de 3,7% nos últimos 12 meses, confirmando a trajetória positiva da atividade econômica no Estado.

Muito mais do que lucro, o agro conecta a produtividade à sustentabilidade, promovendo maior preservação ambiental ao mesmo tempo em que gira a economia e fortalece a sociedade, principalmente onde o negócio está instalado.

A coordenadora de Inovação do Senar Goiás, Ana Kassia Ribeiro de Oliveira, destaca que um agronegócio conectado compreende as novas demandas dos consumidores e dos mercados globais. “A sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser requisito de mercado. Dessa maneira, a conectividade permite integrar dados produtivos, ambientais e sociais a novas oportunidades de negócio”, avalia em entrevista à reportagem do jornal A Redação.

Segundo ela, que também é zootecnista, quem se adapta a esse novo cenário e é resiliente possui maiores oportunidades para acessar melhores mercados, criar vantagem competitiva e atrair a fidelidade de clientes. “Portanto, um agro conectado é, estrategicamente, um agro mais sustentável, mais resiliente e mais preparado para competir em um ambiente global orientado por critérios ambientais, sociais e de governança”, afirma Ana Kassia.

Dentro desse cenário que visa a uma produção mais sustentável, uma nova demanda de mercado tem se tornado cada vez mais importante para a consolidação dos negócios voltados ao agronegócio em todo o mundo. Com apenas três letras, o ESG está em evidência, reforçando estratégias nos âmbitos ambiental, social e de governança.

A coordenadora de Inovação do Senar explica que os produtores rurais apresentam resultados concretos na preservação ambiental. Em Goiás, conforme Ana Kassia pontua, o setor tem bases sólidas, com aumento de produtividade sem expansão de novas áreas e adoção de tecnologias conservacionistas, como o plantio direto e sistemas integrados de produção.

 

Localizada no município de Rio Verde, no sudoeste goiano e pujante polo do agronegócio em Goiás, a cooperativa Comigo se tornou referência nacional e se consolidou como a maior empresa do agro no Estado. Há 42 anos, a companhia desenvolve atividade florestal voltada à sustentabilidade. São sete fazendas florestais, com um total de 12.213 hectares, sendo 6,3 mil de reflorestamento. Desse modo, além de conectar seus produtos, como óleo de soja, fertilizantes e rações, aos consumidores, também une uma produção com altos rendimentos lucrativos à sustentabilidade, por meio da conservação ambiental e de fonte renovável de energia.

Um dos destaques da Comigo é o que falamos acima: a adaptação aos novos modelos de mercado, que não nasceram somente devido às demandas de consumo, mas se estabelecem como bandeiras sustentáveis, sociais e de governança desde sua concepção. Nesse sentido, entra o ESG, com pautas que visam às agendas da Organização das Nações Unidas para 2030 e, mais do que isso, ao bem-estar e à geração de renda, especialmente para a população local.

Cooperativa Comigo é a maior empresa do agro em Goiás (Foto: divulgação)

Em entrevista à reportagem do jornal A Redação, Francimar Duarte, assessora de Sustentabilidade da Comigo, destacou que o agro tem um papel fundamental para a economia do País, representando uma fatia significativa do Produto Interno Bruto (PIB), com um crescimento de 6,49% no primeiro semestre de 2025 e com previsão de expansão da produtividade em 2026. Entretanto, segundo ela, o setor ainda enfrenta desafios com margens apertadas e volatilidade nos preços das commodities.

Desafios esses que estão relacionados a fatores como estabilidade geopolítica (acordos comerciais, tarifas mais restritivas e novas legislações) impostas por outros países. A sustentabilidade é outro fator que tem desafiado continuamente o agronegócio. “A pressão por uma produção mais sustentável e regenerativa, como, por exemplo, livre de desmatamento e com menos emissões, é crescente, principalmente no mercado europeu, deixando de ser uma opção para se tornar uma demanda cada vez mais importante dos consumidores”, explicou.

 

Desse modo, reforçou que a Comigo, em sua essência, já tem intrínseca em seu DNA a temática do ESG. Sob o aspecto social, promove o desenvolvimento econômico, social e tecnológico de seus associados, contribuindo para a geração de renda, além de promover o desenvolvimento econômico e social das cidades onde atua.

As operações são conduzidas de modo a mitigar ao máximo o impacto ambiental, tendo como exemplo seu pioneirismo na implantação de florestas plantadas para geração de biomassa necessária em suas indústrias. Outro exemplo é a implantação de parques de energia solar e o reaproveitamento de água nas operações industriais. Sob a perspectiva da governança, possui uma gestão participativa dos membros, cujas decisões são aprovadas em assembleia”, destaca.

 

 

Em 1980, a SLC Agrícola chegou a Goiás, promovendo pujança na economia e tornando-se referência no agro goiano. Com cultivos de algodão e grãos como atividades principais, a economia circular se tornou objeto estratégico e tem transformado a relação com os resíduos do processo produtivo na Fazenda Pamplona, que abrange partes dos municípios de Cristalina e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, e também Unaí, em Minas Gerais.

A companhia atualmente é uma das maiores produtoras de commodities agrícolas do Brasil e, além do cultivo de algodão, soja e milho, também se dedica à criação de gado no modelo integração lavoura-pecuária (ILP) e à integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Além disso, está presente em oito estados brasileiros, sendo sua matriz no Rio Grande do Sul. Para a safra 2025/26, a estimativa de área plantada é superior a 830 mil hectares.

Lavouras goianas devem produzir 136 mil toneladas de algodão na temporada 2025/26, com média de 4,5 toneladas por hectare., segundo a Conab (Foto: reprodução)

Em entrevista ao jornal A Redação, Álvaro Dilli, diretor de Recursos Humanos e Sustentabilidade da SCL, detalhou que a companhia é uma das primeiras empresas do agronegócio a ter ações negociadas em Bolsa de Valores (SLCE3) e em alguns dos principais indicadores da B3, com o compromisso de crescer de forma sustentável, seguindo a política de desmatamento zero. 

“Nossa jornada na agenda ESG, de sustentabilidade ambiental, social e de governança, é fruto de um processo contínuo de evolução, com a companhia tendo em seu DNA a busca por formas mais inovadoras, tecnológicas e sustentáveis de operar. Um marco histórico foi a abertura de capital da empresa em 2007, com a estruturação da área de Sustentabilidade e a visão de que o futuro da agricultura seria a certificação de nossos produtos e unidades de produção”, afirmou.

Outro marco importante na história da SLC foi a criação do Comitê ESG, em novembro de 2020, que assessora o Conselho de Administração na formulação de recomendações e no acompanhamento de políticas e estratégias. Mais tarde, em 2024, houve a reestruturação da política de sustentabilidade, consolidando diretrizes para as três dimensões.

“Um dos objetivos da SLC Agrícola, definido em nossa missão, é impactar positivamente as gerações futuras, sendo líder em eficiência no negócio agrícola e no respeito ao planeta. A Fazenda Pamplona destaca-se como referência, sendo uma das unidades pioneiras na obtenção da certificação Regenagri para agricultura regenerativa e na implantação de biofábrica para a produção de defensivos naturais. A unidade foi pioneira também em um projeto de economia circular com o marco de ‘zero aterro sanitário’, pois destina todos os resíduos sólidos de maneira correta e transforma 100% dos resíduos orgânicos gerados na propriedade (restos de culturas, biomassa) em adubo orgânico, que é reaplicado nas lavouras”, detalhou Dilli.

Para manter a posição de protagonista na agenda ESG, pilar do planejamento estratégico da companhia, a empresa atua de acordo com cinco objetivos: certificação de fazenda, carbono neutro nos escopos 1 e 2 até 2030, educação e incentivo à educação para os colaboradores, ambiente seguro e educação em comunidades locais, agricultura e meio ambiente.

Dentro da agenda ESG, a companhia definiu estratégias baseadas em:

Pilar Ambiental, com meta central de carbono neutro nos escopos 1 e 2 até 2030 e o compromisso com a política de desmatamento zero, que proíbe a conversão de vegetação nativa para a produção agrícola em todas as operações.

Outras metas incluem a certificação de 100% das fazendas do grupo, incluindo em Goiás, no Sistema de Gestão Integrado até 2029 e a expansão da agricultura regenerativa para 70% da área total plantada no mesmo prazo. No manejo de resíduos, busca eliminar completamente o envio para aterros sanitários até 2029.

Já no pilar social, a empresa tem o compromisso de garantir que 100% dos colaboradores tenham o ensino fundamental completo até 2029, com incentivos à educação por meio do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Além disso, há o projeto de implementação do programa Semeando Sustentabilidade em 100% dos municípios onde opera e de aumentar a representatividade de mulheres em cargos de liderança.

Por fim, na governança, a empresa atua com foco na manutenção dos padrões de transparência e ética, sendo listada no Novo Mercado da B3. “Nossa governança é estruturada para integrar riscos climáticos e socioambientais diretamente ao planejamento estratégico e ao modelo de remuneração da liderança”, afirmou.

 

 

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por Ludymila Siqueira

*Repórter

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