Logo

Batata quente high tech

WhatsAppFacebookLinkedInX
04.08.2014 - 20:30:15

Goiânia – Os dados do IBGE sobre o uso da internet no Brasil não causam surpresa: quase metade da população tem acesso à rede: 70% dos jovens estão conectados e 90% das pessoas com mais de 15 anos de estudo também.

No sul, sudeste e centro-oeste estão as maiores taxas, e no norte e nordeste as menores. O lanterna é o Maranhão, onde apenas 24% da população foi beneficiada pela inclusão digital.

Embora estejam inclusos, milhões de brasileiros não compreendem a dimensão e os benefícios da comunicação eletrônica. É porque falta, além da educação tradicional, o letramento digital.

A falta de informação sobre as ferramentas de acesso a serviços e conhecimento leva a um uso raso e até contraditório das redes sociais.

Vou citar três exemplos:

Conheço um adolescente de baixa renda que ganhou um notebook que só é usado para jogos. O menino nunca fez uma pesquisa escolar ou leu um livro em PDF.

Conheço uma servidora pública que não se adapta à informatização no seu departamento, porque acha complicada a ação de registrar em planilhas os andamentos dos processos. Mas faz cerca de 30 postagens de figurinhas e frases feitas no facebook diariamente.

Conheço uma estudante que comprou um Iphone em prestações a perder de vista e só utiliza o aparelho para tirar e postar fotos de “makes” e figurinos e interagir com “rapazes interessantes”.

Nada contra redes sociais e jogos. O fato é que existem benefícios demais na internet. Serviços públicos como os da Receita Federal e Previdência Social, agendamentos de atendimentos das esferas municipal e estadual, opções como os fale conosco e perguntas frequentes de várias empresas, cursos online, artigos jornalísticos e acadêmicos, videoaulas,  grupos de discussão, orientação jurídica, informações geográficas, oportunidades de emprego, uma infinidade de recursos.

Diante dessa riqueza inexplorada é ruim ver pessoas que utilizam redes sociais para maldizer subcelebridades, fazer guerrinha de fã-clubes, comentar programas de TV que não mereciam nem ser assistidos, divulgar vídeos eróticos alheios, marcar rolezinhos  e tantas outras bizarrices.

É válido usar a internet como entretenimento, mas quando o uso é canalizado apenas para banalidades é sinal de que a inclusão digital tão difundida não está sendo suficiente para que a população brasileira usufrua das tecnologias de informação e comunicação existentes.

É o subaproveitamento de meios que ocasiona uma exclusão dentro da inclusão. Faltam ações orientativas e conscientizadoras, mas também falta gente disposta a fazer um uso mais denso da internet e investir tempo em acessos mais construtivos. Já está passando da hora dos pais, das escolas e das empresas canalizarem esforços para a educação multimídia.

A solução simplista de proibir celulares em sala de aula ou durante o expediente só vai fazer com que as pessoas burlem as regras e continuem na superfície da rede mundial, acreditando em notícias falsas, compartilhando mensagens sociais e religiosas de preconceito e intolerância, difundindo boatos alarmantes e desinformando os mais ingênuos.

A ignorância digital é isso: problema velho com roupa nova. 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Leticia Borges

*Leticia Borges é especialista em Língua Portuguesa, jornalista, professora e palestrante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Noite e Dia
05.10.2026
André Rocha é reconduzido à presidência da Fieg; veja como foi o evento

Carolina Pessoni Goiânia – A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) realizou nesta segunda-feira (5/10) a eleição de sua Diretoria Executiva para o quadriênio 2027-2030. O pleito confirmou a recondução do empresário e engenheiro civil André Luiz Baptista Lins Rocha à presidência da Federação. Com foco voltado ao aumento da competitividade da indústria […]

Joias do Centro
02.10.2026
Estádio Olímpico: há 85 anos palco de celebrações do esporte em Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Localizado na Avenida Paranaíba, bem no Centro de Goiânia, está o estádio de futebol mais antigo da capital. Fundado em 1941, o Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, mais conhecido apenas como Estádio Olímpico, é parte da história da capital e cresceu junto com ela, fazendo parte de sua trajetória no esporte […]

Noite e Dia
30.09.2026
Basileu França abre exposição e apresenta espetáculo musical em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Escola do Futuro de Goiás (EFG) em Artes Basileu França abriu, na última segunda-feira (28/9), a exposição “Cidades: Entre Memórias, Sonhos e Futuro”, na Galeria de Arte da instituição, em Goiânia. No mesmo dia, o Teatro Escola recebeu o espetáculo “A Noite do Rei”. A programação reúne trabalhos de estudantes de […]

Meia Palavra
30.09.2026
‘Unabomber’ não fica à altura de um dos crimes reais mais curiosos dos EUA

Estreou na Netflix Unabomber, um novo filme que tenta recontar a história fascinante do assassino e terrorista doméstico Ted Kaczynski, o titular Unabomber, que apavorou os Estados Unidos com atentados a bomba por várias décadas antes de finalmente ser capturado em meados dos anos 1990. Infelizmente, apesar de seus méritos, o filme não consegue ficar […]

lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]