Cleomar Almeida
A Polícia Civil afastou, nesta quinta-feira (27/10), o agente Edenis Júnior, irmão de Eduardo Augusto de Araújo Silveira, 32 anos, que morreu após pular de um apartamento no 12° de um prédio, no Setor Oeste, em Goiânia. O policial trabalhava na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, mas a corregedoria da corporação decidiu pelo afastamento após denúncias de que teria ameaçado a sua cunhada, Muniki Dias Goulart, 25 anos, para ficar com a casa de carnes que era do irmão dele.
De acordo com familiares de Muniki, Edenis discutia muito com o Eduardo e os dois pararam de conversar há cerca de 10 anos. Todavia, na última terça-feira (25/10), o policial teria ido à casa dos avôs de Muniki, em Inhumas, para exigir dela a entrega das chaves e documentação do estabelecimento comercial, instalado na Vila Izaura, em Goiânia. Diante da busca frustrada, o agente teria retornado para a capital e exigido que os funcionários do açougue suspendessem as vendas. Por causa da resistência dos trabalhadores, ele cortou o fio da máquina de cartão de crédito e quis pegar o dinheiro que estava no caixa, segundo foi informado.
Muniki recebeu a notícia no momento em que estava no Hospital São Salvador, para fazer curativo nos ferimentos adquiridos na noite do incêndio. O fogo consumiu o apartamento em que morava e, além de Eduardo, vitimou o pai de Muniki, João de Oliveira Goulart. Acompanhada de uma prima, ela seguiu para o 1° Distrito Policial de Goiânia, no Centro, onde registrou boletim de ocorrência. Preocupada com as supostas ameaças do cunhado, a sobrevivente da tragédia registrou, na quarta-feira (26/10), denúncia na corregedoria da polícia. A corporação instaurou sindicância para apurar o caso.
De acordo com o corregedor Cleóviton Nerys Costa, seis testemunhas prestaram depoimentos, nesta quinta-feira. Segundo ele, a apuração deve seguir na próxima semana e, conforme previsão inicial, Edenis deve ser ouvido na próxima quarta-feira (2/11). Ele está à disposição da Superintendência da Polícia Judiciária (SPJ) e, se confirmada a denúncia, não retornará para a delegacia especializada. Além disso, como pena, o agente pode receber de 2 a 90 dias de suspensão, explicou Costa.