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Suíça: viagem panorâmica

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18.07.2014 - 11:47:57

Para ler ouvindo
João Gilberto | Pra que discutir com madame?

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 (Foto: Raisa Ramos)

A Suíça tem fama de ser elitizada, mas isso é uma grande bobagem. É possível ser feliz no país mesmo com pouca grana. Graças ao território pouco extenso e à malha ferroviária sensacional, dá para conhecer praticamente a Suíça inteira em poucos dias. A paisagem é o ponto alto dos passeios, então se você quer uma viagem mais tranquila, mais contemplativa e menos bombada, não há nada melhor que esse pequeno país, rei dos queijos e chocolates (precisa de mais motivo para querer ir para lá? Rs.)

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 (Foto: Raisa Ramos)

Existem três meios de transporte que facilitam muito o deslocamento: o primeiro é carro. Cruza-se o país de norte a sul e de leste a oeste em apenas 2 horas para cada trajeto. Se você conhecer alguém que mora lá, fica ainda melhor. Assim dá para esquematizar passeios pelos vijarejos da região (Suíça é cheia deles. Cidades “grandes” são pouquíssimas. Consigo pensar só em quatro, na verdade – estou errada, Stephan? rs.): Zurique, a capital Berna, Basileia e Lucerna, cada uma mais linda que a outra. Sabe aquela paisagem típica de contos de fadas? Uma mata, uma montanha atrás com o pico de neve, um lago cristalino, vaquinhas com sino no pescoço… Essa é a Suíça. Consegue ser “rural” e cosmopolita ao mesmo tempo.Se não tem nenhum amigo morador e não tem interesse em alugar um carro, os ônibus funcionam muito bem. Geralmente saem da porta da estação de trem principal e vão para o interior, parando nos vilarejos. O valor das passagens é bem em conta.

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 (Foto: Raisa Ramos)

Para quem quer se aventurar pelos trens, recomendo comprar os pacotes do Europass. A Suíça tem vários planos especiais: para trechos totalmente panorâmicos, pacotes combinados com barcos, pacotes simples etc. O Europass é legal porque são contabilizados os dias de viagem e não os trechos viajados. Assim você pode, em um mesmo dia, viajar para diversas cidadezinhas e pagar apenas um dia. Facilitou muito a nossa vida. Estávamos hopedados em Lucerna, bem no centro do país, e íamos passar um dia em Zurique.

Chegamos cedo, batemos perna, comemos muito, fomos para feira de antiguidades, fomos na loja da Apple (única loja das capitais européias que tinha o preço bem mais em conta do que no Brasil. Nas outras, era trocar seis por meia dúzia), andamos mais e nos cansamos da cidade. E ainda eram só 14 horas. Como o passe já tinha contabilizado um dia, corremos para a estação e vimos que logo mais sairia um trem para Berna – cidade que nem tínhamos planejado visitar. A viagem duraria pouco tempo e, quando vimos, estávamos descendo no centro da capital.

Que surpresa boa foi visitar Berna. Achei a cidade mais linda da Suíça e planejei seriamente envelhecer ali. Berna é muito medieval, com várias lojas de subsolo e portas de madeira que abrem para o chão, como se fossem calabouços, rs. A cidade tem vários jardins, cafés ao ar livre, um parque com ursos (o nome da cidade vem do animal, não é fofo?) e, ao lado, uma cervejaria artesanal deliciosa (Altes Tramdepot, super indico).

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 (Foto: Raisa Ramos)
 
Passamos a tarde na cidade e voltamos para Lucerna à noite, depois de comer raclete! O legal de Berna também é ver os órgãos administrativos do país, como o Parlamento e tal. Achei a capital muito mais legal que Zurique, mas a maior cidade do país também tem umas coisas bem legais, como o confeitaria Sprüngli, onde dizem que inventaram os macarrons. Os franceses roubaram a receita suíça, segundo eles. Verdade ou não, nessa confeitaria, tem tanto tipo de macarrons que a gente fica até meio tonta. E todos feitos no dia! O rio da cidade também é lindo e lembra um pouco Amsterdã. Mas ainda assim prefiro as cidadezinhas do interior.

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 (Foto: Raisa Ramos)

Lucerna também é linda. Tem um museu de deixar qualquer capital do mundo com inveja. É incrível como uma cidade de 80 mil habitantes hospeda permanentemente obras de Kandinsky, Klee, Picasso, Miró… Nessas horas fico um pouco deprê, pensando que estamos longe de chegar no nível. Mas enfim. A realidade é diferente aqui. Visite o Rosengart Museum e dê uma olhada na programação do KKL, um dos centros culturais mais importantes da Europa. Também não deixe de visitar a muralha medieval que circunda a cidade, além daponte coberta e o Löwendenkmal. Este último é a escultura de um leão chorando a morte de soldados suíços em guerras passadas. Acho tão bonito. A maioria dos monumentos europeus do tipo é uma coisa glorificando os soldados e agradecendo a morte deles em prol da pátria. Esse não, é um leão sofrendo. Lindo.

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(Foto: Raisa Ramos)

Outra cidade que acho que vale uma parada, principalmente para quem vai de trem de Paris, é a Basileia. Localizada numa tríplice fronteira (Suíça, França e Alemanha), Basel tem um pouco dos três países e hospeda um dos festivais de música mais importantes do país, o Avo Sessions, que rola em outubro e novembro. Saímos de trem de Paris rumo a Lucerna, mas tínhamos uma parada na Basileia. Resolvemos descer e conhecer a cidade. Almoçamos na Marktplatz, praça principal, onde tem a prefeitura e rola uma feira cheia de quitutes e salsichas alemãs. Depois fomos descendo em direção ao rio Reno (um dos principais da Europa), como sempre, babando na paisagem. Depois do rolê, já estava na hora de voltar para a estação. Rapidinho, mas tão lindo.

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(Foto: Raisa Ramos)
 
A Suíça é assim, pequena, mas acolhedora. Dá vontade de não voltar mais, de envelhecer ali, comendo queijo, vendo os cisnes no lago e assistindo shows de jazz quando a temporada chegar. Para jovens casais com orçamento limitado, recomendo ficar num quarto privativo do albergue Backpackers Luzern. Foi o albergue mais fino em que já fiquei, com direito a quarto com sacada e vista para o lago. O banheiro é compartilhado, mas é Suíça. Tudo muito limpo e organizado. O preço foi um dos mais em conta que já paguei com hospedagem: não saiu 70 euros a diária para casal. Suíça é linda e vale muito a pena conhecer. Principalmente se ela já vai pintar no meio do caminho, como foi com a gente. Estávamos planejando ir da França para a Itália de trem, mas teríamos que fazer a escala no país. O destino às vezes coopera a favor.

Leia este e outros textos sobre cidades, viagens, receitinhas e beleza também no blog Algum Lugar Etc.

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por Raisa Ramos

*Raisa Ramos é jornalista, autora do blog Algum Lugar Etc., apaixonada por cidades, viagens e fotografia

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