Cleomar Almeida
Professores e estudantes do Estado devem reforçar a 5ª Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, que será realizada nesta quarta-feira (26/10), em Brasília. Neste ano, o movimento reinvindica investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor. “Hoje, são investidos 5% do PIB na área, e isso é insuficiente para uma educação pública de qualidade”, disse a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Iêda Leal. Segundo ela, algumas escolas podem ficar sem aula por causa da participação dos docentes.
Cerca de 100 ônibus devem sair do Estado em direção a Brasília, na manhã desta quarta. Na Capital, de acordo com o sindicato, a concentração será na Praça do Trabalhador, no Setor Norte Ferroviário. Pelo menos 10 ônibus sairão de Goiânia para engrossar o movimento nacional, conforme estimativa do Sintego. Os professores também devem aproveitar a marcha para cobrar 50% dos recursos da camada pré-sal para a educação e melhorias no plano de cargos e salários.
A categoria recorre aos dados do último Censo do Ensino Superior, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), para defender o aumento dos investimentos na área. Segundo a pesquisa, a quantidade de formandos nos cursos preparatórios de docentes para os primeiros anos da educação básica, como pedagogia, caiu pela metade em quatro anos. Entre 2005 e 2009, o número de graduados passou de 103 mil para 52 mil, conforme o levantamento.
A Secretaria Estadual de Educação (SEE) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que haverá expediente normal, nesta quarta-feira, nas escolas de sua rede. Entretanto, segundo divulgado, os professores que faltarem à aula para participar da marcha não terão o ponto cortado. O órgão contabilizará a ausência, que pode levar a perda do bônus de R$ 1,500, referente ao Programa Reconhecer. O benefício é concedido apenas aos professores efetivos e avalia a assiduidade dos profissionais.
De acordo com Iêda Leal, os professores e alunos devem participar da marcha, em vez de se preocuparem com o ganho de benefícios. “O programa Reconhecer, contraditoriamente, não reconhece o trabalhador, pois o professor contratado (temporariamente) ou aposentado é excluído dessa política. Além disso, é uma maneira de forçar o profissional a ir para a sala de aula, independentemente de qualquer problema”, criticou a presidente do Sintego.